A produção de sinais de rádio ou ondas eletromagnéticas que podem se propagar pelo espaço e levar informações é tão simples que poucos sabem que pode ser conseguida com apenas três componentes improvisados. Essa possibilidade pode ser explorada em demonstrações, como trabalhos escolares e em Feiras de Ciências.
Os sinais, que atravessam obstáculos como tábuas e paredes, podem ser captados num rádio portátil transistorizado. Experimentalmente, o montador pode demonstrar os efeitos citados, mas como montagem de uso prático, ela serve para transmitir sinais em código para um amigo que está num ambiente adjacente, através da parede.
O transmissor é extremamente simples, como dissemos, e como receptor pode ser usado qualquer rádio portátil.
Funcionamento:
Interrupções de corrente muito rápidas podem gerar oscilações de cargas elétricas que produzam ondas de rádio, ou seja, ondas eletromagnéticas de altas frequências que se propagam pelo espaço.
Podemos produzir tais "vibrações" de uma maneira muito simples, esfregando um fio ligado a uma pilha, numa lima comum. Como "carga" indutiva para reforçar as oscilações, ou seja, produzir os sinais desejados, temos uma bobina enrolada num bastão de ferrite.
Na realidade, este circuito não gera um sinal de frequência fixa. Seus sinais se espalham numa ampla faixa de frequências, produzindo assim um "ruído radioelétrico". Sua operação como transmissor para longo alcance é proibida, pois interfere em muitos tipos de aparelhos de comunicação. No entanto, foram iguais a este os primeiros aparelhos usados por Marconi e outros pesquisadores que acabaram por inventar o rádio.
Em nosso sistema, usaremos como antena um simples pedaço de fio de uns 50 cm de comprimento, e para demonstrações com alcances pequenos, nem mesmo isso será necessário, pois os sinais não irão além de alguns metros. Com este procedimento evitamos que ocorram interferências em rádios e televisores ligados nas proximidades. Trata-se, evidentemente, de um aparelho indicado apenas para demonstrações e experiências a curta distância.
Na figura 3 temos o diagrama completo do transmissor elementar.
Na figura 4 temos o aspecto geral da montagem.
A bobina é enrolada num bastão de ferrite (que pode ser aproveitado de qualquer rádio velho fora de uso) e pode ser cilíndrica ou chata. Esta bobina tem um enrolamento formado por aproximadamente 40 voltas de fio comum ou esmaltado de qualquer espessura e outro enrolamento com 5 voltas do mesmo fio. Os fios de conexão à pilha são soldados nos seus terminais. Se forem usados fios esmaltados, eles devem ser raspados no ponto de soldagem.
Para operar o transmissor é simples:
Ligue nas proximidades (1 a 2 metros) um rádio AM fora de estação em qualquer ponto da escala. Raspe o fio na lima. Deve ser transmitido um ruído ao rádio. O leitor verá que estes sinais podem atravessar obstáculos, pois se o rádio estiver do outro lado de uma parede, eles ainda serão captados.
A codificação dos sinais pode ser feita em Morse. Nesta codificação uma "raspada" de curta duração significa um ponto e uma raspada mais longa, um traço. Pontos e traços são combinados e formam letras e números. Para uma operação com um alcance um pouco maior, a antena será um pedaço de fio comum de aproximadamente 50 cm a 1 metro. A ligação à terra pode ser feita em qualquer objeto de metal de maior porte.
Conforme explicamos, este transmissor não emite sinais de frequência fixa, mas sim um ruído. Desta forma, não o ligue à antenas externas ou longas. Fora de uso, não deixe o fio encostado na lima, pois além de não haver emissão, a pilha irá gastar-se rapidamente pelo excesso de corrente.


















