Rádio de Bom Bril (ART2536)

Esta é sem dúvida uma das mil-e-uma utilidades do Bombril, que seus fabricantes nunca imaginariam: fazer um rádio. Sim, é isso mesmo! A esponja de aço bom-bril é um excelente "detector de rádio", substituindo muito bem os diodos de germânio, os diodos detectores de outros tipos e o antigo cristal de galena.

Uma esponja de aço Bombril, mais um pedaço de grafite de lápis, formam o detector deste rádio, que receberá as estações locais de ondas médias numa montagem experimental bastante curiosa.

Para saber como o Bombril pode fazer este “milagre" o leitor precisa conhecer o princípio de funcionamento dos rádios.

 

COMO FUNCIONA

As ondas de rádio que chegam das diversas estações, induzem correntes de.altas frequências (de 550 000 à 1 600 000 vibrações por segundo ou Hertz) na antena Estas correntes são selecionadas pelo circuito de sintonia, que é formado por uma bobina e um capacitor.

A bobina e o capacitor deixam apenas o sinal de uma das estações, a que queremos ouvir, indo os restantes para a terra. (figura 1)

 

Figura 1 – O circuito de sintonia
Figura 1 – O circuito de sintonia | Clique na imagem para ampliar |

 

Este sinal, entretanto, é inaudível pela sua alta frequência, devendo ser detectado, ou seja, retificado e filtrado para se extrair o sina! de baixa frequência que corresponde ao som transmitido.

Nos rádios antigos esta função era feita por um cristal de galena, daí os primeiros rádios serem chamados "de galena", e nas versões mais modernas por diodos de germânio ou silício. (figura 2)

 

Figura 2 – O detector de galena
Figura 2 – O detector de galena | Clique na imagem para ampliar |

 

Entretanto, uma das propriedades pouco conhecidas do Bombril é a de funcionar como detector.

Basta que ele seja montado numa base de metal e tenha em contacto um pedaço de grafite de lápis ou lapiseira. Encostando experimentalmente a grafite no Bombril podemos encontrar seus "pontos sensíveis" e com isso ter a detecção dos sinais de rádio. (figura 3)

 

Figura 3 – O detector de Bombril
Figura 3 – O detector de Bombril | Clique na imagem para ampliar |

 

Um ponto importante que deve ser levado em conta é que, conforme o detector, existe uma tensão mínima em que o sinal passa.

Para os diodos de germânio esta tensão é da ordem de 0,2 V, enquanto que para os de silício, é da ordem de 0,6 V.

No caso do detector de Bombril esta tensão é da ordem de 1,5 V, o que significa que, para que ele funcione, precisamos "ajudar" o sinal a passar, já que os sinais que chegam à antena são muito fracos, dificilmente alcançando 1 ou 1,5 V.

Isso é conseguido com uma bateria formada por 2 pilhas e um sistema divisor de tensão com potenciômetro como mostra a figura 4.

 

Figura 4 – Circuito de polarização
Figura 4 – Circuito de polarização | Clique na imagem para ampliar |

 

Este circuito, que não gasta energia da bate- r¡a, pois sua corrente é da ordem de 0,000 006 ampères apenas, polariza o diodo de Bombril, ajudando a detecção.

O sinal detectado é levado então a um fone de ouvido onde temos sua reprodução. Veja que o fone de ouvido deve ser obrigatoriamente de cristal ou piezoelétrico. Fones de outro tipo, como os de alta-fidelidade de baixa impedância, não funcionam.

 

MONTAGEM

Na figura 5 temos o circuito completo do rádio, sendo o detector representado por um símbolo "inventado", já que, ao que sabemos, não foi ainda padronizado o Bombril como componente eletrônico.

 

Figura 5 – O circuito do rádio
Figura 5 – O circuito do rádio

 

 

Na figura 6 temos o radinho completo montado numa base de madeira.

 

Figura 6 – Montagem do rádio
Figura 6 – Montagem do rádio | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na montagem observe que:

a) A bobina L1 é formada por um enrolamento de fio comum ou esmaltado de número 20 à 28 num bastão de ferrite de qualquer diâmetro e de 15 à 20 cm de comprimento.

b) CV é um capacitor variável de ondas medias do tipo usado em rádios portáteis. Este componente deve ser colado na base de madeira e ter fixado em seu eixo um botão plástico ara a mudança das estações.

c) O detector tem sua montagem pormenorizada na própria figura. O Bombril é colocado no suporte, sem ser apertado.

d) C1 é um capacitor cerâmico cujo valor pode, na verdade, ficar entre 56 pF e 220 pF.

e) Na ligação do potenciômetro veja bem a ordem dos terminais, pois uma inversão pode prejudicar o ajuste.

f) Também é importante obedecer a polaridade do suporte das pilhas, que é dada pelas cores dos fios.

g) Para ligação do fone de cristal pode ser usado um jaque, que deve ser fixado de algum modo na base de montagem.

h) A ligação da antena e terra, que é muito importante, é feita por meio de um terminal tipo antena-terra de duas cores.

Mas, o principal problema que o leitor vai ter em seguida é com a antena: como este rádio não tem etapa amplificadora, o volume no fone depende totalmente da intensidade que a estação chega em sua antena.

Esta antena deve então ser a maior possível e muito bem isolada para "pegar" mais sinal. Um pedaço de fio nu ou encapado, preso pelos extremos com isoladores de porcelana é o ideal. Este fio deve ter pelo menos 10 metros de comprimento, para se poder ouvir alguma coisa no fone.

Do mesmo modo, a ligação à terra é importante. Esta ligação pode ser feita no encanamento de água (desde que seja metálico) ou num objeto grande de metal que fique em contacto com o solo como, por exemplo, uma janela com cantoneira de alumínio.

Outra possibilidade é usar o polo neutro da tomada, caso em que a ligação deve ser feita através de um capacitor de 10 nF, como mostra a figura 7.

 

Figura 7 – Neutro da tomada como terra
Figura 7 – Neutro da tomada como terra | Clique na imagem para ampliar |

 

Terminando a montagem e feitas as ligações, vamos tentar ouvir alguma coisa.

 

AJUSTE E USO

Faça a ligação da antena e da terra. Coloque as pilhas no suporte e o potenciômetro todo para esquerda, ou seja, como se estivesse no mínimo de volume.

Coloque o fone no ouvido.

Em seguida, abra todo o variável, ou seja, coloque-o todo para a esquerda, como se estivesse ouvindo as estações mais altas.

Apoie a grafite no Bombril de modo que ela faça contacto levemente. Neste momento você deve ouvir um estalido no fone.

Ajuste o variável até ouvir alguma coisa, uma estação bem baixinho.

Conseguindo captar alguma estação, gire o potenciômetro até que seu volume chegue ao máximo.

Se nada conseguir repita a operação começando por apoiar novamente, em outro ponto do Bombril, a grafite. Cada vez que fizer isso, volte o potenciômetro ao mínimo.

Depois de algumas tentativas o leitor encontrará o ponto de maior sensibilidade e ouvirá as estações locais claramente.

O volume será baixo, pois, conforme já dissemos, trata-se de um rádio experimental sem qualquer amplificação. Vale a curiosidade de se fazer um rádio funcionar com Bombril...

 

X1 - detector de Bombril (ver texto)

L1 - bobina de antena (ver texto)

Cv - capacitor variável para AM (ver texto)

C1 - 100 pF - capacitor cerâmico

P1 – 470 k - potenciômetro

R1 - 2M7 x 1/8 W - resistor (vermelho, violeta, verde)

XTAL.- fone de cristal ou piezoelétrico

B1 – 3 V - 2 pilhas pequenas

Diversos: 10 a 50 metros de fio para a antena, base de montagem, Bombril, grafite de lápis, suporte para 2 pilhas pequenas, etc.

 


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