Este artigo foi originalmente publicado em 1978 na seção que mantínhamos em uma revista sobre rádio controle ou controle remoto. Alguns destes circuitos ainda são úteis hoje, mesmo na bancada do praticante em geral de eletrônica, daí fazermos sua recuperação.

Para um ajuste perfeito de transmissores, receptores de rádio controle, filtros e circuitos de servos é necessária a utilização de equipamento complementar especialmente destinado a esta finalidade. De início o amador pode contar somente com a ajuda de um multímetro na localização das principais falhas ,de componentes, podendo com este instrumento medir tensões e correntes e ainda realizar a prova estática de semicondutores como diodos,transistores, SCRS, etc. (figura 1).

 

Figura 1 – O multímetro
Figura 1 – O multímetro

 

 

Entretanto, à medida que os equipamentos de radio controle construídos são mais complexos, o ajuste e a localização de falhas somente com o multímetro torna-se bastante difícil, sendo exigida a presença de outros equipamentos auxiliares tais como geradores de sinais, medidores de intensidade de campo, etc.

Os equipamentos profissionais para esta finalidade são relativamente caros, o que significa que o hobista que deles necessita apenas para finalidades recreativas normalmente não se vê disposto a empregar elevadas somas na sua aquisição para usá-lo apenas umas poucas vezes;

Para esta finalidade é preferível contar com equipamentos de prova de construção caseira que, mesmo não tendo a mesma precisão dos modelos comerciais servem perfeitamente para a finalidade a que se destinam. Deste modo, hoje daremos dois diagramas de instrumentos de prova para radiocontrole que poderão ser de grande utilidade aos adeptos dessa atividade.

O primeiro instrumento que descrevemos é um oscilador de prova para receptores, que é um circuito extremamente simples que gera um sinal de alta frequência que serve para verificar a sensibilidade e o funcionamento de receptores além de se poder fazer seu ajuste com mais facilidade (figura 2).

 

Figura 2 – O oscilador de prova
Figura 2 – O oscilador de prova | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O segundo instrumento é um medidor de intensidade de campo, um aparelho que pode "sentir" à distância a emissão de sinais de um transmissor de radiocontrole indicando sua "força" servindo para ajustes nos transmissores de modo que não só seus sinais saiam na frequência desejada como também com a máxima potência (figura 3).

 

Figura 3 – O medidor de intensidade de campo
Figura 3 – O medidor de intensidade de campo | Clique na imagem para ampliar |

 

Neste segundo instrumento, como é utilizado um instrumento de bobina móvel que é componente de custo relativamente elevado (Cr$ 300,00 à Cr$ 500,00 – ( Preços de 1978)) os que possuírem um multímetro não precisam adquirir este, aproveitando a escala de corrente mais baixa do próprio multímetro (sem modificações) para esta finalidade.

 

 

A) OSCILADOR DE PROVA PARA AJUSTE DE RECEPTORES

 

Este oscilador de prova consta de um único transistor, produzindo um sinal de alta frequência não modulado de intensidade suficiente para excitar receptores e mesmo etapas detectoras e de acionamento de servos a uma distância de alguns centímetros.

Trata-se, portanto, de um oscilador alimentado por uma tensão de 9V que pode ser instalado numa caixinha plástica de 9 x 6 x 3 cm cuja frequência dependerá da bobina e do capacitor ajustável ligado em paralelo com ela.

Na figura 4 temos o diagrama completo do oscilador de prova, e na figura 5 indicações para sua montagem numa ponte de terminais.

 

Figura 4 – Diagrama do oscilador
Figura 4 – Diagrama do oscilador | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Figura 5 – Montagem em ponte de terminais
Figura 5 – Montagem em ponte de terminais | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A bobina consta de 7 ou 8 espiras de fio esmaltada 18 ou ainda de fio rígido de capa plástica enroladas de modo a ter um diâmetro de 1 cm.

O material necessário a esta montagem é o seguinte:

 

 

LISTA DE MATERIAL

 

Q1 - BC237, BC238, BC547, ou qualquer transistor equivalente

R1 - 27 k ohms x 1/4 W - resistor (vermelho, violeta, laranja)

R2 - 22 k ohms x 1/4 W - resistor (vermelho, vermelho, laranja)

R3 - 470 ohms x 1/4 W - resistor (amarelo, violeta, marrom)

C1 - 1 nF - capacitor de disco de cerâmica ou poliéster

C2 - 10 pF - capacitor de mica ou cerâmica

C3 - 0,1 uF - capacitor de disco de cerâmica

C4 - capacitor ajustável do tipo trimmer

S1 - Interruptor simples

L1 - bobina osciladora (ver texto)

Diversos: bateria de 9 V, ponte de terminais, caixa para montagem, etc.

 

 

USO E AJUSTE

Completada a montagem, confira todas as ligações e estando tudo em ordem, coloque a pilha no encaixe e ligue a unidade. Para verificar seu funcionamento você precisará ou de um receptor de rádio controle em boas condições ou de um receptor que sintonize a faixa dos 11 m (27 MHz).

Coloque o oscilador de prova nas proximidades e ajuste o capacitor C4 para que o sinal seja captado no receptor. (A frequência deve estar em torno dos 27 MHz).

Se houver dificuldade em sintoniza-lo, ou seja, se ele for ouvido em frequências muito abaixo ou acima do ponto desejado, altere a sua bobina, aumentando uma ou duas espiras ou ainda retirando uma ou duas espiras.

Para usar o oscilador o procedimento normal é o seguinte:

Ligue o oscilador nas proximidades (10 a 15 cm) do receptor em prova.

Procure então ajustar o receptor para captar seus sinais do modo mais intenso possível. O capacitor do oscilador não deve mais ser mexido a não ser em caso de mudança de frequência de operação (C4).

A posição da bobina do oscilador de prova deve ser mantida em relação à bobina do receptor conforme indica a figura 6.

 

Figura 6 – Posicionamento da bobina
Figura 6 – Posicionamento da bobina | Clique na imagem para ampliar |

 

 

 

B) MEDIDOR DE INTENSIDADE DE CAMPO

Este instrumento indica a intensidade do sinal emitido por um transmissor, dando uma indicação direta num instrumento. Com relação a este instrumento o montador tem duas opções: pode adquirir o instrumento de bobina móvel que, conforme dissemos tem custo algo elevado e montar toda a unidade numa caixa conforme sugere a. figura 7, ou então montar apenas o circuito receptor e usá-lo em conjunto com o seu multímetro que será colocado na escala mais baixa de corrente (0-1 mA).

 

Figura 7 – O medidor de intensidade de campo
Figura 7 – O medidor de intensidade de campo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 8 temos o diagrama completo do medidor de intensidade de campo e na figura 9 uma sugestão para sua montagem em ponte de terminais.

 

Figura 8 – Diagrama completo
Figura 8 – Diagrama completo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Figura 9 – Montagem em ponte de terminais
Figura 9 – Montagem em ponte de terminais | Clique na imagem para ampliar |

 

O material necessário para esta montagem é o seguinte:

 

 

LISTA DE MATERIAL

Q1 - BC237, BC238, BC547, ou qualquer transistor equivalente

R1 - 2,2 M ohms x 1/4 W - resistor (vermelho, vermelho, verde)

R2 – 10 k ohms 1/4 W- resistor (marrom, preto, laranja)

P1 - Potenciômetro de 10 k ohms

C1 - 0,1,uF capacitor de poliéster ou cerâmica

D1 - OA81 , 1N34 ou qualquer diodo equivalente

C2 - trimmer comum ou capacitor variável

L1 - Ver texto

S1 - Interruptor simples

Diversos: bateria de 9 V, ponte de terminais, instrumento de 0-1 mA ou multímetro, antena telescópica, etc.

 

Comece a montagem pela bobina que consiste em 7 ou 8 espiras de fio esmaltado 18 ou fio rígido de capa plástica.

Na soldagem do transistor e do diodo tenha cuidado com o calor gerado e observe a polaridade desses componentes.

 

 

AJUSTE E USO

Completada a montagem, confira as ligações, e estando todas corretas, coloque a pilha no suporte, e se for o caso, faca a conexão do multímetro, observando sua polaridade, na escala mais baixa de corrente. (Os multímetros que melhor resultado darão, ou seja, melhor sensibilidade terão são os de escalas de corrente menores que 1 mA).

Ligue nas proximidades do medidor de intensidade de campo um transmissor de radiocontrole em boas condições ou então o próprio oscilador de prova, e ajuste o capacitor C2 para haver deflexão na agulha do instrumento.

O leitor verificará que a deflexão é proporcional à intensidade do sinal do transmissor, e que afastando ou aproximando o mesmo da antena, ocorrem variações do sinal indicado.

Para usar o medidor de intensidade de campo, basta orientar-se pela indicação da agulha do instrumento quanto a intensidade do sinal que está sendo emitido pelo transmissor.

O ajuste do transmissor deve sempre ser feito de modo que a leitura no instrumento seja máxima possível. O capacitor C2 se, do tipo variável, permite que a frequência do medidor seja ajustada de acordo com a frequência do transmissor provado.

 

 

 

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