Este artigo faz parte de um antigo livro que fizemos (década de 70) cujo tema central era o uso do osciloscópio em equipamentos de TV e vídeo analógico da época. O livro não tem mais grande utilidade atualmente, a não ser para os leitores que desejam recuperar um equipamento antigo como um televisor, VCR ou câmera para poderem usar em alguma aplicação específica. Também é importante pela finalidade didática, pois analisa os circuitos de vídeo analógico daqueles equipamentos.
Nota: o primeiro artigo da série está em SER491 continuando até o SER496.
Estudamos na lição anterior que o gerador de varredura produz sinais que se distribuem numa determinada faixa, a justada de acordo com o tipo de trabalho realizado, e que serve para verificar a resposta de frequência de um circuito, conforme sugere a figura 1.

Na figura temos a resposta típica de um circuito de FI de vídeo por onde o técnico pode se basear para a realização de ajustes ou a própria detecção de falhas.
Dentro desta figura, que corresponde à faixa passante do circuito existem frequências importantes que precisam ser observadas com mais cuidados e cujos sinais precisam ter níveis muito bem estabelecidos.
Entretanto, a visualização da frequência específica que se deseja ajustar, dentro de um espectro de uma boa largura não pode ser feita com facilidade a não ser que haja um meio de a identificarmos.
O que se faz na prática é gerar juntamente com o sinal de varredura um sinal na frequência desejada de ajuste, ou seja, uma "marca" que no momento em que é aplicado no osciloscópio, produz um batimento com o próprio sinal de varredura e se sobressai na tela na forma de um pequeno vazio, ou ainda, um ponto no local correspondente.
Na figura 2 mostramos o princípio de funcionamento do gerador de marcas.

Juntamente com o sinal de 40 a 50 MHz que corresponde ao canal de vídeo a ser analisado, podemos gerar uma marca na frequência de 41,25 MHz para ajustar o funcionamento do "trap" (armadilha) de um televisor.
O sistema indicado de sobrepor um sinal na frequência desejada ao sinal do gerador de varredura tem alguns inconvenientes.
Um deles, por exemplo, é que a amplitude das marcas varia sensivelmente devido às oscilações de fase, e o resultado é que temos uma certa dificuldade na observação na tela do osciloscópio.
Outro problema é que, para se obter uma boa visualização da marca, o sinal precisa ter uma amplitude algo elevada, o que em alguns casos significa o perigo de sobrecarregar o circuito em análise alterando-se, por exemplo, a forma da curva de resposta.
Temos ainda o fato de que no ajuste de armadilhas (traps) o sinal da marca é justamente absorvido pelo circuito e por isso não aparece com facilidade na tela do osciloscópio.
Finalmente devemos considerar que o circuito gerador de marcas deste tipo gera harmônicas que podem produzir marcas adicionais no sinal, dificultando assim a identificação do sinal fundamental.
Outro modo de gerar uma marca numa certa frequência do sinal de varredura é por "absorção".
Neste sistema, o sinal na frequência que se deseja marcar é absorvido pelo circuito de modo que temos uma queda sensível da intensidade do sinal de varredura neste ponto, produzindo uma espécie de "V" no traço, conforme indica a figura 3.

Normalmente o processo é conseguido por um circuito em blocos como o indicado pela figura 4.

Na frequência em que se deseja marcar, o sinal é detectado e por um processo de realimentação ele interrompe por um instante (que determina a largura da marca) a operação do oscilador.
Este processo também tem alguns inconvenientes como:
Se no televisor ou circuito analisado existem osciladores ou sistemas de realimentação na frequência da marca eles podem fazer com que estas marcas desapareçam.
Num circuito muito seletivo, as marcas podem desaparecer completamente.
O terceiro processo que veremos a seguir é muito mais eficiente não causando os mesmos problemas dos anteriores.
Com o processo de injeção de marcação (Marker Adder) as marcas são visíveis tanto na própria curva como também na linha de referência de base, conforme mostra a figura 5.

Este processo também permite que a marca seja visível no ajuste de filtros armadilha quando o sinal seria bloqueado e não apareceria.
Com este sistema, o sinal de marca é injetado tanto no sinal gerado como também uma parte vai ao gerador de varredura de modo que ele aparece no sinal de referência.
Como o sinal está presente na varredura, mesmo que o circuito em ajuste seja desligado, por exemplo, um televisor para o ajuste da FI, o sinal de marca contínua aparecendo, o que é interessante para a realização do ajuste de sua frequência.
Na lição anterior demos algumas formas de onda encontradas num televisor comercial, mostrando que existem certas frequências dentro das etapas de vídeo cujas intensidades precisam ser ajustadas com precisão.
O gerador de varredura juntamente com a produção de marcas deve ser usado neste ajuste.
Vejamos quais são os procedimentos práticos para esta finalidade.












