Este projeto de rádio experimental AM é de 1978, mas pela sua simplicidade e pelos componentes usados, pode ser montado com facilidade ainda hoje. Trata-se de montagem ideal para os iniciantes, se bem que as emissões de AM logo sejam encerradas.
Com este radinho extremamente simples de apenas três transistores você pode ter uma perfeita escuta das estações de ondas médias locais, sem a necessidade de antenas externas. A simplicidade e a utilidade desta montagem tornam-na ideal para os estudantes e principalmente da eletrônica.
Para se ter um radinho de boa sensibilidade não é preciso um número muito grande de componentes nem a utilização de técnicas sofisticadas.
Principalmente no caso de se desejar apenas a escuta das estações locais em volume não muito elevado, três transistores são o mais do que suficiente, e neste artigo mostramos até que ponto isso é válido.
Descrevemos a montagem de um receptor simples de três transistores que pode ser alimentado por tensões de 6 ou 9 V (4 ou 6 pilhas pequenas) e que, instalado numa caixinha plástica, como sugere a figura 1, pode ser usado na sua mesa de trabalho, na sua bancada ou ainda como radinho de cabeceira.
Sua Sensibilidade e seletividade permitem a captação com bom volume das estações locais utilizando como antena nada mais do que um pedaço de fio de 1,5 m estendido solto na sua parte de trás.
O consumo muito pequeno de sua bateria, inferior a 8 mA permitem que as pilhas durem muito mais do que nos radinhos comuns, e é claro, sempre existe a possibilidade de sua alimentação ser feita por uma fonte, que também sugerimos neste artigo, a qual poderá ser instalada na sua própria caixa.
Como se trata de montagem bastante simples até mesmo os dotados de pouca experiência poderão se atrever a realiza-la bastando para isso que disponham das ferramentas básicas (um bom soldador, alicates de corte e ponta) e sigam com atenção nossas explicações.
COMO FUNCIONA
Para entender o princípio de funcionamento deste simples receptor vamos dividi-lo em diversas etapas, analisando a função de cada uma separadamente.
As estações de rádio de ondas médias emitem ondas eletromagnéticas de determinada frequência, ou seja, número de vibrações que transportam a informação correspondente ao som que queremos ouvir.
Como em cada instante, em nosso ambiente podemos dizer que estão presentes em maior intensidade todas as ondas de todas as estações próximas e mesmo de algumas mais distantes, a nossa primeira preocupação consiste em elaborar um sistema capaz de captar todas essas ondas e depois por meio de um circuito apropriado, separar de todas elas apenas a que corresponde a estação que queremos ouvir.
Isso é feito por meio de uma antena e de um circuito sintonizado, conforme mostra a figura 2.
As ondas de rádio que incidem na antena induzem nela uma corrente elétrica de frequência correspondente a qual é levada ao restante do circuito. Antes de chegar ao rádio nas suas etapas seguintes, a corrente induzida que é uma mistura dos sinais de todas as estações passa pelo circuito sintonizado formado por uma bobina e um capacitor variável.
Pelo capacitor variável pode-se então ajustar o circuito para que as correntes de todas as estações, menos a da que queremos ouvir sejam desviadas para a terra (figura 3).
Somente a corrente que traz o sinal da nossa estação é então levada para a etapa seguinte.
A etapa seguinte tem por base um diodo detector, ou seja, um dispositivo que “retifica" o sinal ou a corrente de alta frequência da estação sintonizada de modo a se poder extrair o som ou seja, uma corrente de baixa frequência que queremos transformar em sinais audíveis. O diodo detecta, portanto, a corrente de alta frequência (figura 4).
A corrente de baixa frequência correspondente ao som que queremos ouvir da estação sintonizada obtida do diodo é muito fraca, mesmo no caso das estações mais fortes, o que significa que, antes de podermos aplicá-la a um alto-falante devemos amplificá-la.
A amplificação do sinal de baixa frequência obtido é feita por três etapas amplificadoras tendo por base três transistores. (figura 5)
O primeiro transistor tira o sinal diretamente do diodo por meio de um capacitor e após uma primeira amplificação, por meio de um outro capacitor aplica-o ao segundo transistor, em sua base.
Este segundo transistor amplifica novamente o sinal e aplica-o ao último transistor diretamente. Isso pode ser feito deste modo porque o último transistor é complementar do segundo, ou seja, enquanto um é NPN o outro é PNP.
Da saída deste último é tirado o sinal amplificado que pode ser transformado em som por um alto-falante. Como a impedância de saída do transistor é muito maior que a do alto-falante, devemos usar entre eles um transformador. Trata-se de um transformador que é pelo mesmo motivo usado em quase todos os radinhos portáteis conhecidos.
Na figura temos a aparência deste transformador que nesta montagem não é crítico. (figura 6).
Praticamente qualquer transformador de saída do tipo usado em radinhos portáteis pode ser usado sem problemas neste circuito.
MONTAGEM
Como se trata de montagem dirigida ao principiante, damos a versão em ponte de terminais que é a mais simples. Entretanto, o leitor que tiver habilidade para tanto, poderá confeccionar uma placa de circuito impresso para este circuito e montar sua versão de modo muito mais compacto. (figura 7)
É importante que nesta montagem todas as ligações entre componentes sigam ao máximo a disposição da figura sugerida, já que fios mais compridos podem causar realimentações que afetam o funcionamento do aparelho.
O circuito completo é dado na figura 8 com a fonte de alimentação na figura 9.
Na figura 10 temos a disposição dos componentes na ponte de terminais.
Para uma montagem bem feita deve-se optar pelas pontes de terminais miniatura que tem uma distância entre terminais da ordem de 0,8 cm.
A montagem do aparelho deve ser iniciada pelo enrolamento da bobina ou sua escolha. No caso tem-se duas opções: a bobina pode ser enrolada com fio esmaltado 28 ou então pode ser adquirida pronta juntamente, com seu núcleo de ferrite.
Para o caso da bobina ser adquirida pronta, pode ser escolhido um tipo cilíndrico ou chato de bobina de antena para ondas médias com núcleo de ferrite, cuja aparência é mostrada na figura 11, a qual normalmente é usada em rádios portáteis comuns.
Este tipo de bobina pode ser encontrado com facilidade nas casas de componentes e reparação de rádios.
Para o caso do leitor enrolar a bobina esta deve constar de 120 espiras de fio esmaltado 28 enroladas num bastão cilíndrico de ferrite de 10 ou 15 cm de comprimento e diâmetro de 0,8 a 1,2 cm.
A tomada correspondente ao número 2 na figura é feita contando-se 20 ou 30 espiras a partir do terminal 3 da mesma.
O número de espiras escolhido até a tomada depende do número de estações de sua localidade, ou seja, da seletividade desejada. Quanto menos espiras forem deixadas entre os terminais 2 e 3, maior será a seletividade do radinho, ou seja, sua capacidade de separar estações próximas, mas ao mesmo tempo, menor será sua sensibilidade, ou seja, capacidade de pegar estações fracas.
O variável deve ser do tipo usado na sintonia de estações de ondas médias, ou seja, com uma capacitância entre 165 e 310 pF aproximadamente.
Explicamos que se forem usados capacitores de tipos de menor capacitância não haverá cobertura total da faixa de ondas médias e as estações do extremo inferior não poderão ser sintonizadas. O leitor se quiser poderá usar um variável do tipo grande de 365 ou 410 pF para rádios maiores, conforme mostra a figura 12.
Estes variáveis devem ser de eixo fino, para a colocação do botão de sintonia, e no caso de ser apenas encontrado o tipo de duas seções, apenas uma deve ser ligada.
Na montagem dos demais componentes observe cuidadosamente a posição dos transistores, a polaridade do diodo detector e dos capacitores eletrolíticos.
O alto-falante deve ter uma impedância de 8 ohms devendo ser escolhido um tipo de tamanho de acordo com as dimensões da caixa em que será instalado o radinho.
A fonte de alimentação, no caso de pilhas, consta de um conjunto de 4 ou 6 pilhas pequenas que são colocadas em suporte apropriado.
No caso de fonte a partir da rede, pode ser usado um potenciômetro com chave para o controle de volume o qual servirá para ligar e desligar a corrente da própria rede, conforme sugere a figura 13.
USO E AJUSTES
Completada a montagem, confira todas as ligações e antes de proceder a sua instalação em definitivo numa caixa, faça uma prova como se segue:
Ligue a fonte de alimentação e use como antena um pedaço de fio de 1,5 a 5 m de comprimento, conforme a intensidade das estações que deseja ouvir.
Gire o eixo do variável até ouvir o sinal da, estação desejada. O controle de volume deve estar totalmente aberto.
Se houver dificuldade em se obter bom volume devido ao fato das estações locais serem fracas ou estarem um pouco distantes, será necessário providenciar uma ligação à terra. Essa ligação é feita a partir do extremo inferior da bobina (3) ao polo negativo da tomada (neutro) por meio de um capacitor de 100 pF, conforme mostra a figura 14.
Nas cidades como São Paulo e Rio, que possuem muitas estações de boa potência o leitor não terá dificuldades em ouvi-las todas. Nos casos de locais afastados, o número de estações ouvidas dependerá eventualmente da utilização de uma boa antena externa.
Lista de Material
Q1, Q2 - BC237 ou BC547 - transistores NPN de silício
Q3 - BC307 ou BC557 - transistor PNP de silício
D1 - 1N34, 1N60 - diodo de germânio para uso geral
R1 - 2,7 M ohms x 1/4 W - resistor (vermelho, violeta, verde)
R2 - 4,7 K ohms - potenciômetro com chave
R3 - 2,2 M ohms x 1/4 W - resistor (vermelho, vermelho, verde)
R4 - 100 ohms x 1/4 W - resistor (marrom, preto, marrom)
R5 - 330 ohms x 1/4 W - resistor (laranja, laranja, marrom)
C1 - variável (ver texto)
C2 - 4,7 uF x 12 V - capacitor eletrolítico
C3 - 22 uF x 12 V - capacitor eletrolítico
C4 - 22 uF x 12 V - capacitor eletrolítico
C5 – 1 nF - capacitor de cerâmica ou poliéster
C6 - 50 uF (47 uF) x 12 V - capacitor eletrolítico
L1 - ver texto
T1 - ver texto
Diversos: alto-falante, ponta de terminais, suporte de pilhas, ferrite para a bobina, porcas, fios, parafusos, etc.
Observação: a tensão dos eletrolíticos de 12 V é um valor mínimo. Na verdade, mantendo o valor em UF correto, a tensão pode ser de qualquer valor a partir de 12 V, ou seja 16, 25 etc.
LISTA DE MATERIAL (FONTE)
T1 - transformador de 110/220 V de primário com 6 + 6 V de secundário com 250 mA ou mais.
01, DZ - diodos retificadores 1N4002 ou qualquer equivalente.
C1 - 1.000 uF x 12 V ou 16 V - capacitor eletrolítico
F1 - Fusível de 1A com suporte
Diversos - cabo de alimentação, fios, solda, ponte de terminais, parafusos, etc.


























