Você já teve a desagradável surpresa de encontrar a bateria de seu carro descarregada. depois de deixá-lo uma noite inteira (ou dia inteiro) com algum aparelho ligado ou mesmo as lanternas acesas? Se você é do tipo distraído, que costuma deixar as coisas ligadas quando sai do carro, por que não montar um ultra-simples aparelho que, ligado aos dispositivos que podem ser esquecidos acionados, lhe avisará, com um sinal sonoro, se isso acontecer?

 

Obs. Este artigo e de 1982.

 

Se você já passou pela experiência de ficar sem partida no carro, após ter esquecido algum dispositivo ligado por longo tempo, sem dúvida, vai se interessar por este projeto.

Trata-se de um aparelho que emitirá um som alto de aviso, sempre que você desligar a chave de partida do carro e deixar lanternas ou outros aparelhos (que não costumam ser percebidos quando ligados) acionados.

O apito contínuo do aparelho fará com que você se preocupe em desligar rapidamente estes dispositivos, evitando assim um desgaste desnecessário da bateria (figura 1).

 

Figura 1 – Alertando sobre lanternas ligadas
Figura 1 – Alertando sobre lanternas ligadas | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Veja que dispositivos importantes (como a luz.de alerta) ou aparelhos cujo funcionamento pode ser facilmente percebido (como o rádio ou toca-fitas), não são ligados ao nosso circuito e, portanto, continuam com funcionamento independente, mesmo que a ignição esteja desligada.

Simples de montar, e de instalar, este aparelho pode “vigiar" diversos dispositivos simultaneamente como, por exemplo: lanternas, luz de cortesia, aparelho de ar condicionado, sistema de aquecimento, etc.

 

 

COMO FUNCIONA

 

Basicamente este circuito consiste num oscilador de áudio que só funciona na condição da chave de partida ser desligada e algum dispositivo protegido ser mantido ligado.

Na figura 2 temos o circuito básico do oscilador, que leva dois transistores, um PNP e outro NPN.

 

Figura 2 – Circuito básico
Figura 2 – Circuito básico | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Estes dois transistores são ligados de modo a formar um amplificador.

A entrada do amplificador corresponde à base do transistor NPN, enquanto que sua saída corresponde ao coletor do transistor PNP. Na saída do amplificador é ligado um pequeno alto-falante, e retirado um sinal de realimentação através de um capacitor em série com um resistor.

Reaplicado à entrada, este sinal faz com que o circuito produza oscilações cuja frequência depende basicamente do valor do capacitor e do ajuste da polarização de base do primeiro transistor, que é feita com a ajuda de um potenciômetro (ou trimpot).

A alimentação do oscilador é obtida das chaves que ligam os dispositivos que podem ser esquecidos acionados no carro.

Um resistor e um capacitor formam um circuito redutor de tensão e de filtragem para alimentar o aparelho.

O consumo de corrente do oscilador em acionamento é da ordem de 40 mA, o que é suficiente para se obter um bom volume no alto-falante.

Para inibir a ação do oscilador nas condições em que necessitamos dos aparelhos vigiados, ou seja, nas condições de funcionamento do motor, existe um transistor adicional que é ligado entre a base do primeiro transistor do oscilador e a terra.

Conforme mostra a figura 3, com a presença de sinal na sua base, sinal que vem da chave de partida na condição de motor funcionando, este transistor impede a realimentação responsável pela oscilação e, portanto. a emissão de som pelo alto-falante.

 

Figura 3 – O transistor de controle
Figura 3 – O transistor de controle | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Nesta condição o consumo do aparelho é ainda reduzido, da ordem de 10 mA ou menos, o que significa que não há possibilidade de qualquer sobrecarga ao circuito normal do carro.

Quando a chave de partida é desligada, mas qualquer dos aparelhos vigiados mantido ligado, o transistor deixa de inibir a oscilação ocorrendo então a produção do som.

Para parar o som é preciso desligar todos os aparelhos que estão sendo vigiados. Qualquer aparelho esquecido ligado fará com que a emissão de som aconteça, alertando o proprietário do veículo.

 

 

MATERIAL

 

Todos os componentes para esta montagem podem ser conseguidos com facilidade, pois são todos comuns.

A caixa pode ser de metal ou plástico, medindo 60 x 80 x120 mm e pode ser fixada em qualquer lugar sob o painel do veículo.

Veja que não é preciso colocar interruptor no aparelho, já que ele é desligado juntamente com os dispositivos que ele vigia.

Isso facilita a sua instalação, pois não é necessário que ele fique perto do motorista.

Para o transistor PNP pode ser usado o BC557 ou qualquer de seus equivalentes, como o BC3O7, BC3O8 ou BC558. Para o NPN pode ser usado o BC547 ou seus equivalentes como o BC237 BC238 ou BC548.

Os diodos são do tipo retificador de silício tendo sido empregados os mais comuns que são os 1N4002, mas seus equivalentes como o1N4004, BY127 ou mesmo 1N914 servem.

O capacitor C1 que determina a frequência do som é de poliéster metalizado de 56 nF, mas valores próximos podem ser usados como, por exemplo, de 47 nF ou 39 nF para sons mais agudos, ou ainda de 68 ou 82 nF para sons mais graves.

O controle ou ajuste de tom é um trimpot ou potenciômetro de 100 k. Os resistores R1, RZ e R3 são de 1/8 W, mas R4 deve ser de 1/4 ou ½ W, pois pode se aquecer um pouco mais.

C2 é um capacitor eletrolítico cujo valor pode situar-se entre 47 pF e 220 pF.

Sua tensão de trabalho deve ser de 16 V ou mais.

O alto-falante é de 8 ohms e suas dimensões dependem do tamanho da caixa que o montador usar.

Como material adicional o leitor deve dispor de uma ponte de terminais ou placa de circuito impresso, uma barra de 4 terminais com parafusos para as ligações aos aparelhos a vigiar, e além disso, fios, knob para o potenciômetro, etc.

 

 

MONTAGEM

 

Para a soldagem dos componentes deve ser usado um ferro de pequena potência, no máximo 30 W, e solda de boa qualidade. Além disso, o montador deve ter as ferramentas comuns para trabalhos eletrônicos, para montagem da caixa e para sua ligação no carro.

Na figura 4 temos então o circuito completo do aparelho, com os valores dos componentes.

 

Figura 4 – Circuito completo
Figura 4 – Circuito completo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os montadores devem procurar seguir este diagrama para se acostumarem com a simbologia adotada.

Na figura 5 temos a montagem em ponte de terminais recomendada para os dotados de menos recursos técnicos.

 

Figura 5 – Montagem em ponte de terminais
Figura 5 – Montagem em ponte de terminais | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 6 temos a versão em placa de circuito impresso.

 

Figura 6 – Montagem em placa de circuito impresso
Figura 6 – Montagem em placa de circuito impresso | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Alguns cuidados devem ser tomados para a montagem. Damos então uma sequência de operações para que os leitores a sigam:

a) Solde em primeiro lugar os transistores observando o tipo (veja que Q3 é diferente de Q1 e Q2), como também a sua posição que é dada pelo lado chato do invólucro. A soldagem dos transistores deve ser feita rapidamente, pois estes componentes são sensíveis ao calor.

b) Solde os diodos. Dobre e corte seus terminais de acordo com o desenho, e veja que eles têm uma polaridade certa para montagem que é dada pela posição do anel. Solde os resistores. Dobre e corte seus terminais de acordo com sua posição. Veja seus valores pelos anéis coloridos.

d) Solde os capacitores. Para o caso do eletrolítico (C2), observe sua polaridade. A soldagem do capacitor de poliéster deve ser feita rapidamente, pois este componente é sensível ao calor.

e) Fala as interligações a ponte de terminais usando pedaços de fio.

f) Fixe na caixa o potenciômetro, o alto-falante, a ponte de terminais ou placa e a ponte de parafusos.

g) Faça a ligação destes elementos todos. Veja que a ligação do negativo da alimentação, que é feita no chassi do carro, pode ser conseguida deixando-se um pedaço de fio de uns 50 ou 60 cm.

 

 

PROVA E INSTALAÇÃO

 

Use uma fonte de alimentação de 9 ou 12 V ligando o seu polo positivo em qualquer dos fios (1), (2) ou (3) e o polo negativo ao cabo que vai ser ligado ao chassi (figura 7).

 

Figura 7 – Ligação para teste
Figura 7 – Ligação para teste | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O aparelho deve apitar, sendo ajustada a tonalidade desejada no potenciômetro P1

Com um pedaço de fio interligue momentaneamente o fio X a qualquer um dos terminais (1), (2) ou (3) em que você tenha feito a alimentação do circuito.

O aparelho deve parar imediatamente de oscilar.

A ligação dos fios 1, 2 e 3 vai aos interruptores dos dispositivos que você costuma deixar ligados em seu carro.

O cabo vai à chave de partida e o fio ao chassi ou lataria do carro. O próprio parafuso de fixação da caixa do aparelho pode ser usado para esta finalidade.

 

 

LISTA DE MATERIAL

 

Q1, Q2 - BC547 ou equivalentes - transistores

Q3 - BC557 ou equivalente - transistor

D1, D2, D3 - 1N4002 ou equivalentes - díodos

P1 - potenciômetro ou trimpot de 100 k

R1 – 1 k x 1/8 W- resistor (marrom, preto, vermelho)

R2 – 10 k x 1/8 W - resistor (marrom, preto, laranja)

R3 - 1k5 x 1/8 W- resistor (marrom, verde, vermelho)

R4 – 220 R x 1/4 ou 1/2 W- resistor (vermelho, vermelho, marrom)

C1 - 56nF - capacitor de poliéster

C2 - 100 uF x 16V - capacitor eletrolítico

FTE – alto-falante de 8 ohms

Diversos: caixa para montagem, ponte de terminais ou placa de circuito impresso, ponte de parafusos, fios, solda, knob para o potenciômetro, parafusos, porcas, etc..

 

 

 

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