O custo de um sistema de rádio controle, a necessidade de equipamentos especiais para o ajuste e a montagem, é um obstáculo de dimensões consideráveis para a maioria dos leitores. Entretanto, com um pouco de imaginação e improvisação pode-se conseguir muita Um simples radinho portátil, por exemplo, pode ser usado como receptor de rádio controle.
Obs. Este artigo é de 1981.
A eficiência de um sistema de rádio controle depende tanto da potência do transmissor e de sua estabilidade como da sensibilidade e seletividade do receptor.
Os melhores sistemas são os que usam cristais no controle da frequência emitida e recebida e que empregam receptores super-heteródinos de elevado número de transistores.
Entretanto, estes equipamentos apresentam um sério inconveniente para os principiantes: possuem um grande número de pontos de ajustes que exigem o emprego de equipamento especial (figura 1).
Os sistemas que usam receptores super-regenerativos que temos em nossos artigos são bem mais simples e também econômicos usando poucos componentes e não necessitando de muitos pontos de ajuste, mas por outro lado, não apresentam o mesmo desempenho de um sistema super-regenerativo.
O resultado é que os sistemas de rádio controle que temos apresentado, pela sua simplicidade e não necessidade de equipamentos especiais se prestam muito mais à brinquedos sem sério compromisso de confiabilidade.
É por este motivo que não temos recomendado sua utilização em aviões, onde uma pequena falha é suficiente para colocar em risco a integridade do modelo (figura 2).
Os modelos simples que podem ser controlados a uma distância razoável que propomos são os barcos, os carros, portas de garagem, projetores de slides, etc.
Mas, para muitos leitores mesmo os controles remotos simples de um ou mais canais com receptores super-regenerativos são complicados e apresentam problemas tanto na obtenção dos componentes como nos ajustes.
Tendo por recurso básico apenas um jogo de ferramentas, muitos leitores não sabem como fazer para colocar na mesma frequência um transmissor e um receptor e não são raros os casos em que isso os desanima completamente.
Para os que estão começando agora, e que desejam montar o mínimo,mas obtendo um funcionamento razoável, existem soluções que podem ser experimentadas e neste artigo propomos uma delas.
Por que não montar um sistema de rádio controle aproveitando como receptor um rádio portátil comum?
AS CONSIDERAÇÕES QUE DEVEM SER FEITAS
A principal dificuldade no uso de um receptor de AM comum como rádio controle está na sua frequência de operação. Enquanto que os sistemas de rádio controle comuns operam na faixa dos 27 MHz, os rádios comuns de AM sintonizam a faixa dos 550 kHz aos 1600 kHz.
Se tentarmos alterar a faixa de sintonia do rádio para 27 MHz teremos de fazer modificações em seu circuito que exigem o uso de instrumentos especiais de ajuste além de muito cuidado, o que não é conveniente, pois é justamente isso que queremos evitar (figura 3).
Por outro lado, se fizermos o transmissor operar na faixa dos 550 kHz aos 1600 kHz, não poderemos com a potência normal usada nestes casos obter um bom alcance.
Isso significa que, nas configurações normais usando um rádio comum de AM para receptor e um transmissor de dois transistores o alcance que pode ser obtido dificilmente passará dos 20 metros, sendo o normal 10 metros.
É claro que, um sistema deste tipo se torna eficiente apenas em aplicações como o controle de barcos, carrinhos de brinquedo, robôs, projetores de slides e eventualmente na abertura de portas de garagem.
Na figura 4, ilustramos algumas aplicações possíveis para este sistema.
E que rádio o leitor pode usar? O receptor ideal para esta aplicação é o de 2 pilhas, pequeno, aproximadamente do tamanho de um maço de cigarros que pode ser instalado com facilidade em qualquer lugar e que normalmente apresenta pequeno consumo de pilhas.
O Circuito
A ideia básica do projeto é usar um receptor comum de rádio AM na recepção dos sinais de um transmissor modulado em tom. Na saída do alto falante é então ligado um circuito amplificador transistorizado com um relê.
Neste relê pode então ser controlado o circuito externo de potência muito maior como uma lâmpada, um motor, um servo, etc. (figura 5)
O transmissor usado é comum modulado em amplitude por um sinal de áudio sendo o seu circuito mostrado na figura 6.
Temos então um oscilador de áudio com transistor unijunção cuja frequência pode ser ajustada no trimpot e depende também do capacitor ligado ao emissor deste transistor.
A saída deste sinal modulador é levada ao oscilador de RF que utiliza também um único transistor. A frequência deste oscilador é determinada pela bobina de carga e pelo capacitor em paralelo.
O capacitor ajustável permite encontrar uma frequência livre para a operação na faixa de ondas médias.
Na montagem em ponte de terminais, mostrada na figura 7 o leitor deve tomar os seguintes cuidados:
Ao soldar os transistores observar sua posição e evitar o excesso de calor.
Observar os valores dos resistores e dos capacitores.
Fazer as ligações as mais curtas possíveis.
A bobina osciladora é formada por 80 voltas de fio esmaltado 26 ou 28 AWG numa forma de ferrite (bastão) de 0,8 à 1 cm de diâmetro por 10 à 12 cm de comprimento. Pode ser partido um bastão maior.
A fonte de alimentação consiste numa única bateria de 9 V e a antena deve ser telescópica com pelo menos 50 cm de comprimento.
O interruptor S1 é de pressão, do tipo botão de campainha. Não é preciso usar interruptor geral.
Na figura 8 temos o circuito completo do atuador do relê e o seu modo de ligação no rádio portátil.
A montagem em ponte deste atuador é mostrada na figura 9 sendo as seguintes as principais observações a serem feitas.
O transformador T1 usado nesta montagem é do tipo "saída" para rádios portáteis com enrolamento primário de 500 ohms a 1 k e secundário de 8 ohms.
O enrolamento secundário de 8 ohms será ligado em lugar do alto-falante do radinho. Se o radinho tiver um jaque para fone de ouvido, este transformador terá sua ligação feita diretamente nele por um plugue apropriado.
O relê é do tipo Schrack RU 101 009, ou seja, que fecha seus contactos com uma tensão de 9 V.
O transistor é do tipo BC548 os seus equivalentes diretos neste caso como o BC547, BC237 ou BC238.
A bateria será ligada ao circuito por meio de um conector apropriado sendo optativo o uso de um interruptor geral.
PROVA E USO
Para provar em primeiro lugar o transmissor, proceda do seguinte modo: ligue o receptor de ondas médias (radinho) numa frequência em torno de 700 kHz em que não haja nenhuma estação operando.
A seguir pressione o interruptor do transmissor que deve estar a uma distância de aproximadamente 2 metros do rádio, e vá ajustando o seu trimmer até ouvir no rádio um apito.
Veja se o apito não é captado em outros pontos do mostrador do rádio com maior intensidade. Se assim for, escolha o de maior intensidade.
Se não alcançar um ajuste, retire algumas espiras da bobina do transmissor e teste-o novamente.
Comprovado o funcionamento do transmissor, com seu sinal sendo captado pelo receptor, ligue ao receptor a unidade de acionamento do relê.
Para verificar o funcionamento desta unidade você pode conectar ao relê uma lâmpada de baixa tensão ligada à pilhas, conforme mostra a figura 10.
Se a lâmpada for de 6V você deve usar 4 pilhas na fonte.
Apertando então o botão do transmissor, com o receptor ajustado para receber sua frequência, deve ocorrer o acionamento do relê com o acendimento da lâmpada.
Verifique qual é o alcance do sistema afastando-se do receptor até perder o contacto.
Ao mesmo tempo em que você vai se afastando peça para alguém fazer um ajuste fino de frequência no receptor de modo a obter o máximo de sensibilidade.
Se o alcance for muito pequeno (inferior a 5 m) procure ver se o receptor está sintonizando uma frequência múltipla do transmissor (harmônica), refazendo sua sintonia.
Se nada conseguir, altere o número de espiras de sua bobina osciladora.
Para melhorar o alcance do sistema pode ser usada uma antena externa no receptor que pode ser ligada de diversas maneiras ao circuito como, por exemplo, através de uma espira de indução de um capacitor ao circuito de sintonia, etc.
Lista de Material
a) Transmissor
Q1 - 2N2646 - transistor unijunção
Q2 - BC548 - transistor NPN para uso geral poliéster
P1 - trimpot de 100 k
R1 – 10 k x 1/8 W - resistor (marrom, preto, laranja)
R2 – 470 R x 1/8 W - resistor (amarelo, violeta, marrom)
R3 – 100 R x 1/8 W - resistor (marrom, preto, marrom)
R4 - 4k7 x 1/8 W- resistor (amarelo, violeta, vermelho)
C1 - 33 nF - capacitor de poliéster (laranja, laranja, laranja)
C2 - 10 nF - capacitor de poliéster (marrom, preto, laranja)
C3 - 4n7 - capacitor de cerâmica
C4 - trimmer comum
C5 - 10 pF - capacitor cerâmico
C6 - 100 nF - capacitor cerâmico ou de
S1 - Interruptor de pressão
L1 - Bobina osciladora - ver texto
B1 - bateria de 9 V
Diversos: caixa, ponte de terminais, antena telescópica, fios, solda, etc.
b) Atuador
Q1 - BC547 - transistor NPN para uso geral
K1 - relê RU 101 009
D1 - diodo 1N914 ou 1N4148
T1 - transformador de saída com primário de 1 k e secundário de 8 ohms
B1 - bateria de 9 V
Diversos: caixa para montagem, fios, solda, conector para bateria, etc.






















