Monte sua própria Brake Light (a terceira luz de freio) sequencial, com um efeito que ajuda a evitar acidentes em casos de freadas bruscas e que serve, ainda, como excelente aparelho de decoração para o carro. O circuito descrito é muito simples e utiliza poucos componentes.
Obs. O artigo é de 1986 quando a Brake Light era novidade. O projeto usado usa lâmpadas, mas podemos facilmente substituí-las por LEDs com resistores de 470 ohms em série.
No Brasil a terceira luz de freio ainda não foi indicada como equipamento obrigatório de veículos, havendo inclusive algumas controvérsias com relação a sua utilização.
A terceira luz de freio, para os que não sabem, consiste num sistema auxiliar de luz que é colocado junto ao vidro traseiro do veículo e que acende quando se pisa no freio.
A alegação para o posicionamento é que as luzes de freio junto as lanternas nem sempre são visíveis e correspondem a uma simples alteração de brilho no caso das lanternas estarem acesas.
Este fato pode ser responsável pela incapacidade do motorista que vai atrás, noutro veículo, perceber o momento de uma freada brusca não podendo evitar uma colisão. (figura 1)

Colocada junto ao vidro traseiro do veículo, a luz de freio pode ser melhor vista.
A maioria dos sistemas que vemos nos carros consiste numa simples lâmpada vermelha que acende no momento em que se pisa no freio.
O que propomos neste artigo é um sistema diferente: são usadas diversas lâmpadas que acendem em sequência, num efeito dinâmico que simula uma seta.
Colocadas (as lâmpadas) conforme mostra a figura 2, a seta converge para o centro, chamando muito mais a atenção do motorista do veículo que vem atrás.
O sistema proposto pode ser construído com 5 ou 7 lâmpadas e é muito Simples de ser instalado, já que existe apenas um fio de ligação à luz de freio já existente e um à massa (chassi) do carro.
Os ajustes de funcionamento são simples e, uma vez feitos, não há necessidade de retoques.
COMO FUNCIONA
Para fazer as lâmpadas acenderem em sequência a partir de uma alimentação de 6 ou 12 V precisamos levar em conta os seguintes fatores:
- Tempo do ciclo completo de acendimento;
- O Número de lâmpadas que deve acender e o tempo em que cada uma deve ficar acesa;
- Potência de cada lâmpada que depende do modo como é instalada.
Obtemos os efeitos desejados utilizando 3 SCRs que são ligados um após outro, tendo na interligação um sistema de retardo formado por um resistor (ajustável) e um capacitor. (figura 3)
No momento em que o motorista pisa no freio a lâmpada L1 do circuito recebe alimentação e, ao mesmo tempo, a primeira rede de retardo formada pelo resistor R1, o trimpot P1 e o capacitor C2.
O capacitor C2 começa então a carregar-se até o instante em que se obtém a tensão que dispara o primeiro SCR do circuito que é o SCR1.
Neste instante, este SCR liga e a lâmpada L2 acende.
O acendimento da lâmpada L2 também significa que o segundo circuito de retardo entra em ação.
O capacitor C3 começa então a carregar-se através do resistor R2 e do trimpot P2 até ser atingida a tensão de disparo do SCR2.
Com o disparo do SCR2 acende a lâmpada L3 e ao mesmo tempo entra em ação o terceiro circuito de tempo que é formado por R3, P3 e C4.
O capacitor C4 carrega-se, então, até ser atingida a tensão de disparo do último SCR que é SCR3, quando então acende a lâmpada L4.
Com um correto ajuste dos três trimpots podemos fazer com que o ciclo completo de acendimento dure de 1,5 a 3 segundos, o que é suficiente para se conseguir o efeito de seta.
Na figura 4 temos uma representação gráfica do que ocorre.
Veja que, mantido o pé no freio, todas as lâmpadas se mantém acesas.
Se o pé for retirado do freio todas as lâmpadas apagam e ao pisar novamente no freio temos a repetição do processo.
Veja também que temos lâmpadas montadas em dobro em alguns SCRs para que obtenhamos o efeito de seta convergente ou divergente, conforme sugere a figura 5.
Num caso temos a abertura das luzes e no outro o seu fechamento.
A instalação do aparelho pode ser feita com facilidade numa pequena caixa de relógio digital aproveitando-se seu painel acrílico vermelho para dar passagem à luz de lâmpadas comuns de sinalização ou mesmo interior de carros.
MONTAGEM
Na figura 6 temos o diagrama completo do nosso aparelho.
Na figura 7 temos a montagem realizada numa placa de circuito impresso.
Para potências de lâmpadas acima de 12 W será necessário dotar o SCR de radiador de calor.
Para lâmpadas pequenas (200 mA, por exemplo) não será preciso usar o radiador de calor.
Na figura 8 damos uma sugestão de montagem em ponte de terminais.
Esta versão exige o emprego de uma caixa mais espaçosa que a de um relógio digital compacto.
Os resistores são de 1/8 ou ¼ W com qualquer tolerância e os capacitores eletrolíticos têm uma tensão de trabalho de12 V ou mais.
Os trimpots devem ser montados em posição que facilite o ajuste, se bem que ele só tenha de ser feito uma única vez.
Para a conexão à alimentação recomendamos a utilização de fio grosso (do tipo usado em instalações de carro), e com a ligação em série de um fusível de 5 A, pois quando todas as lâmpadas estão acesas, dependendo de sua potência, temos uma corrente considerável no circuito.
Para as lâmpadas use soquete tipo baioneta ou de acordo com sua rosca.
Recomendamos em especial o uso de lâmpadas de 200 mA x 12 V do tipo empregado em interior de carros (GE-56 por exemplo).
AJUSTE E INSTALAÇÃO
A prova de funcionamento pode ser feita na bancada com uma fonte de 12 V que forneça pelo menos 1 A se as lâmpadas usadas forem as de 200 mA.
No momento em que se estabelecer a alimentação do aparelho as lâmpadas devem acender em sequência.
Ajuste os trimpots para que a sequência ocorra na velocidade desejada para um bom efeito visual.
Comprovado o funcionamento, instale a unidade na sua caixa e depois no carro.
O fio X (+) vai ao positivo da luz de freio já existente, podendo ser ligado numa das lanternas.
O fio (-) ou 0 V vai ao chassi do carro em qualquer ponto.
Fixe bem a caixa na parte traseira do vidro (pelo lado de dentro) e depois
Verifique se o efeito ocorre normalmente quando se pisa no freio.
LISTA DE MATERIAL
SCR1, SCR2, SCR3 - TIC106 ou MCR106 - SCRs comuns para 50 V ou mais com pequeno radiador para lâmpadas de mais de 500 mA
C1 – 100 uF x 16 V - capacitor eletrolítico
C2, C3, C4 - 10,uF x 12 V – capacitores eletrolíticos
R1, R2, R3 - 1ok - resistores (marrom, preto, laranja)
L1 a L7 – 200 mA x 12V - lâmpadas
F1 - fusível de 5A
Diversos: caixa para montagem, placa de circuito impresso, ponte de terminais, suporte para fusível, soquetes para lâmpadas, radiadores para os SCRs, fios, solda etc.






















