Um automóvel não é ambiente ideal para a instalação de qualquer equipamento de som. Pelo contrário, a presença de materiais refletivos e absorventes em disposição não controlada; a colocação dos passageiros em posições que prejudicam a livre propagação do som; a limitação de espaço e outros fatores são impedimentos para a obtenção da melhor qualidade de som. Mas, mesmo assim, utilizando componentes apropriados e uma instalação planejada, pode-se conseguir uma qualidade de som satisfatória. Veja como isso acontece neste artigo, feito com a colaboração da ROBERT BOSCH DO BRASIL LTDA.

Obs. Este artigo é de 1982. Tecnologias atuais melhoram em muito o som no carro.

Para se ter uma boa qualidade de som num ambiente, não dependemos somente do equipamento usado. De nada adianta ter o melhor equipamento de som do mundo se o ambiente em que ele for instalado é impróprio.

De fato, a presença de materiais absorventes ou refletores, de objetos de dimensões no percurso do som, ou a própria limitação de espaço deste ambiente, podem ser responsáveis por diversos tipos de fenômenos que alteram a qualidade do som.

Conforme mostra a figura 1, um som refletido indevidamente nas paredes de uma sala pode provocar o reforço ou a atenuação de certas frequências, prejudicando totalmente a linearidade de resposta de um aparelho de som.

 

Figura 1 – Reflexões indevidas
Figura 1 – Reflexões indevidas | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Nestas condições, existirão frequências que poderão aparecer mais e outras que poderão desaparecer completamente.

O ideal para se obter um som perfeito com um equipamento de som perfeito é o ambiente perfeito, ou seja, a câmara anecóica, onde não existem reflexões de som, nem a presença de objetos que possam impedir a livre propagação de todas as frequências.

Evidentemente, a sala de estar de cada um está muito longe de ser uma câmara anecóica, e muito mais o carro.

Na verdade, o automóvel, pelas suas dimensões internas reduzidas, pela dificuldade em se ter uma localização adequada dos alto-falantes e, ainda, por ter a presença de passageiros normalmente em posições prejudiciais à propagação do som, constitui-se num desafio para a obtenção de excelente qualidade de reprodução. (figura 2)

 

Figura 2 – O carro como ambiente acústico
Figura 2 – O carro como ambiente acústico

 

 

E, para piorar a situação, o carro em movimento por localidades em que existem problemas de interferências, absorção de sinais, etc., não permite que a recepção de FM seja sempre excelente.

Como obter o máximo do som de seu carro e a melhor recepção dos sinais de FM é o que o leitor verá neste artigo, baseado num manual da Bosch.

 

 

OS PROBLEMAS MAIS COMUNS

 

Os problemas começam com a recepção de sinais de FM, já que o veículo se movimenta em relação à estação, podendo passar por entre obstáculos e ainda esta sujeito à captação de sinais refletidos.

Diversos são os fenômenos que acontecem com a recepção dos sinais de FM.

O primeiro é o denominado "efeito de sombra", que consiste no aparecimento de um ruído flutuante quando a emissora está distante, ou ainda quando existe um grande obstáculo topográfico entre a emissora e o receptor.

O segundo é o denominado “efeito de cerca", que acontece quando o veículo se desloca por uma via em que existem muitos prédios, caso em que o som sofre variações de intensidade, parecendo ir e voltar.

Os reflexos consistem no terceiro problema. Trata-se da reflexão do sinal em obstáculos, provocando fenômeno semelhante aos fantasmas em TV (figura 3).

 

Figura 3 – Problemas de reflexões
Figura 3 – Problemas de reflexões

 

 

No FM o resultado dos fantasmas é a produção de assobios, distorções, batidas, variações da intensidade do som, etc.

Para estes problemas existe uma solução parcial relativamente simples que é o ajuste da altura da antena receptora. Para o caso de sinais de FM, a altura da antena deve ser ajustada entre 75 cm e 1 metro, enquanto que para AM se obtém a melhor recepção com o máximo de comprimento.

Mas, a solução mais técnica, consiste na utilização de um dispositivo de compensação acústica, ou seja, na utilização de um eficiente controle de tonalidade ou, de modo mais completo, na utilização de um equalizador gráfico.

Enquanto o controle de tonalidade pode "corrigir" as distorções e variações da reprodução no espectro mais amplo, o equalizador gráfico é mais eficiente por ser seletivo. Com ele podemos corrigir a reprodução das frequências específicas em que os problemas tornam-se mais graves,

Na figura 4 temos um exemplo de curva de atuação de um equalizador de 5 faixas de frequências.

 

Figura 4 – Equalizador de 5 faixas
Figura 4 – Equalizador de 5 faixas | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Com o equalizador gráfico pode-se “remixar" o som da estação, do modo como ele chega ao seu receptor, adaptando-a à acústica de seu carro, ou ainda realçando a voz ou um instrumento qualquer, conforme seu gosto.

Além da equalização correta, devemos contar com alto-falantes de excelente desempenho e tweeter com seus divisores de frequência.

Os divisores de frequência são necessários para que somente os sons agudos que os tweeters devem reproduzir cheguem até eles, evitando assim sua saturação, o que não só pode causar distorções como também sua própria queima. (figura 5)

 

Figura 5 – Usando um divisor para alto-falantes
Figura 5 – Usando um divisor para alto-falantes | Clique na imagem para ampliar |

 

 

 

OS ALTO-FALANTES

 

Os alto-falantes são parte importante do seu sistema de som no carro.

Você sabe exatamente o que deve ser “olhado" num bom alto-falante? Você é capaz de fazer um julgamento da qualidade de um alto-falante pelas suas características dadas num folheto informativo?

Para orientá-lo, leve em conta o seguinte:

a) A impedância, o peso do imã e o tamanho do cone, são muito importantes para o desempenho de um alto-falante. Quanto menor a impedância, melhor o rendimento. Imãs pesados suportam com menor distorção os altos volumes de som.

Cones maiores respondem melhor aos sons graves, enquanto os cones menores reproduzem os sons agudos.

b) A potência do alto-falante é a intensidade máxima que ele pode suportar sem se danificar. Ela deve ser sempre maior do que a potência de saída de seu equipamento. Um alto-falante de potência muito maior não implicará em melhor qualidade de som. Usar alto-falantes de 100 W em amplificadores de 20 W é apenas desperdiçar dinheiro. (figura 6)

 

Figura 6 – A potência do alto-falante deve ser de acordo com o amplificador (não excessiva)
Figura 6 – A potência do alto-falante deve ser de acordo com o amplificador (não excessiva) | Clique na imagem para ampliar |

 

 

c) Quando são usados 2 ou mais alto- -falantes no carro, é importante que eles estejam fasados, ou seja, deve-se obedecer a polaridade de sua ligação, conforme mostra a figura 7.

 

Figura 7 – Alto-falantes em fase
Figura 7 – Alto-falantes em fase

 

 

 

A RESERVA DE POTÊNCIA

 

Por que ter um equipamento de som de grande potência num carro? É claro que tem havido um certo exagero nas especificações de potência dos amplificadores de som utilizados nos carros.

Na verdade tem havido até uma propaganda enganosa em alguns casos, em que amplificadores que realmente fornecem potências da ordem de 20 ou 30 W têm sido anunciados como amplificadores de 100 ou mesmo mais watts.

Mas, por que ter uma boa potência do equipamento de som do carro?

A potência é importante por diversos motivos.

O primeiro motivo está na eventual existência de ruídos externos que podem prejudicar a audição de um programa.

O ruído do próprio carro em movimento, ou de carros num trânsito intenso, pode ser responsável por uma dificuldade de audição que só pode ser compensada pelo aumento de volume, ou seja, pelo aumento de potência.

Veja, entretanto, que para chegar ao ponto em que a audição se torna boa não deve nunca ser preciso "puxar” toda a potência de um amplificador, toca-fitas ou, ainda, rádio.

Deve-se ter sempre uma reserva boa de potência.

O motivo é que todos os amplificadores, por melhores que sejam, têm uma certa taxa de distorção (THD) no seu máximo volume, conforme mostra a figura 8.

 

Figura 8 – A faixa de distorções de um amplificador
Figura 8 – A faixa de distorções de um amplificador | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Devemos então ter a reserva de potência para chegar ao volume que queremos antes do ponto em que o aparelho comece realmente a distorcer.

Nenhum equipamento de som é feito para trabalhar “no último" volume, se bem que seja comum vermos o pessoal utilizar no carro os aparelhos de som sempre num volume em que a distorção se torna evidente.

A distorção de um aparelho de som é dada em forma de uma porcentagem (THD). Demonstra-se que, com distorções acima de 1%, o som torna-se desagradável aos nossos ouvidos, e mesmo cansativo.

 

 

OUTROS PROBLEMAS

 

Além do ruído externo, existem os ruídos de natureza elétrica, produzidos no próprio carro e que são captados por sua antena ou ainda pelo cabo de ligação da antena ao receptor de AM ou FM.

A maior parte das interferências que ocorrem nos auto-rádios vem do próprio motor do carro.

O distribuidor, as velas e a bobinas são responsáveis por ruídos que interferem na recepção.

Algumas recomendações são dadas para se evitar estes ruídos.

a) Instale a antena do lado contrário ao que se encontra o distribuidor e a bobina de ignição do carro (figura 9).

 

Figura 9 – Posicionamento correto da antena
Figura 9 – Posicionamento correto da antena | Clique na imagem para ampliar |

 

 

b) Em torno do furo de fixação da antena use graxa grafitada para garantir um bom contacto deste elemento com a lataria do carro e ainda impedir a sua oxidação.

c) O cabo da antena deve estar distante dos componentes do sistema de ignição do carro. Devem, eventualmente, usados supressores nas velas ou cabos resistivos.

 

 

A LINGUAGEM DO SOM

 

Os termos utilizados em áudio têm significado bem estabelecidos. Saiba quais são estes significados, falando corretamente a linguagem do som.

AFC - controle automático de frequência - este circuito é encontrado em receptores de FM e tem a finalidade de manter o aparelho automaticamente sintonizado, ou seja, impede que a estação “escape" da sintonia.

AIto-falante coaxial - é um alto-falante que possui um tweeter combinado.

AM - amplitude modulada - é um sistema de transmissão em que os sinais de áudio, que devem ser transmitidos, provocam variações na intensidade do sinal de rádio. Este processo de transmissão é utilizado pelas estações de ondas médias e curtas.

AVC - controle automático de volume - este circuito tem por finalidade manter o volume de uma estação, independentemente de variações da intensidade de seu sinal que podem ocorrer com a movimentação do receptor ou ainda por condições de propagação dos sinais.

Balance ou balanço - este controle equilibra o nível dos sinais entre os canais de um aparelho estereofônico.

Bass ou graves - é o controle dos sons de baixas frequências, ou seja, os sons graves (baixos).

Booster - reforçador - é um aparelho usado para ampliar os sinais de áudio ou de RF. Pode ser usado para aumentar a potência do som (booster de áudio) ou ainda para reforçar os sinais recebidos pela antena (booster de antena).

dB - decibel - é a unidade de relação entre dois níveis de potência, sendo definida por10 x Iog p1/p2.

Distorção - modificação dos sinais reproduzidos por um aparelho, que não correspondem ao original. Deve-se à presença de sinais à mais, que não fazem parte do sinal original, excluindo-se o ruído provocado pelo próprio aparelho.

Equalizer ou equalizador – circuito que subdivide a faixa de áudio em várias faixas menores, de modo a permitir o reforço ou atenuação de certas frequências.

Fader - nos sistemas de som estéreo para carros, é um controle que permite ajustar o nível entre os canais dianteiro e traseiro.

Fadíng ~ é o desvanecimento periódico dos sinais de rádio, dando a impressão de um “vai e vem" que ocorre com as estações distantes de ondas curtas, devido à reflexão nas camadas ionizadas da atmosfera.

FET - transistor de efeito de campo elemento semicondutor utilizado em circuitos receptores de alta qualidade.

FM - frequência modulada – sistema de transmissão em que o som transmitido provoca variações na frequência do sinal de rádio. Este sistema tem grande imunidade à ruídos e, por suas características, permite a emissão de programas em alta-fidelidade e com som estereofônico. Sua faixa de frequência situa-se entre 88 e 108 MHz.

Frequência - número de vibrações em cada segundo, medido normalmente em Hertz (Hz).

IC ou CI - circuito integrado - componente de pequenas dimensões que comporta um circuito completo ou com muitos elementos tais como diodos, transistores, resistores, etc.

IHF - instituto de alta-fidelidade - órgão constituído pelos fabricantes de aparelhos de alta-fidelidade nos Estados Unidos, com a finalidade de normalizar padrões e medidas. A sigla IHF é utilizada comumente para indicar potência de saída em aparelhos de som, lembrando-se que os Watts medidos desta maneira são muito maiores que os watts eficazes ou RMS.

Impedância - oposição ao fluxo de corrente alternada, medida em ohms.

Loudness - este circuito é utilizado para dar maior destaque aos graves e eventualmente aos agudos em baixos volumes. Sua finalidade é compensar as características do ouvido humano.

Mid-range - é um alto-falante destinado à reprodução dos sons de frequências médias, normalmente entre 400 e 3 500 Hz.

MPX - multiplex - é um sistema utilizado para transmitir vários sinais codificados através de uma única onda portadora ou emissão. Em FM é utilizado para se fazer a transmissão dos dois canais estereofônicos, com a utilização de uma única frequência portadora, ou seja, um único transmissor.

Overload - sobrecarga – indicador ou protetor de sobrecarga.

Receiver - denominação comum aos aparelhos que possuem, numa mesma unidade, um sintonizador (AM/FM ou FM) e um amplificador de áudio de alta-fidelidade.

RMS (valor efetivo para uma corrente alternada) - em termos de potência, indica quantos Watts (W) o aparelho de som pode fornecer constantemente, diferentemente da medida IHF, pico e musical, que dá valores instantâneos e comprovação complexa. Os números IHF, musical e de pico são maiores do que RMS, mas indicam a mesma “quantidade" de som.

Resposta de frequência - é a faixa de frequências de sons que um aparelho pode reproduzir.

Sintonia fina - é um dispositivo que permite encontrar uma estação com maior precisão.

Seletividade - é a capacidade de um receptor de separar estações de frequências próximas, evitando sua mistura ou a ocorrência de interferências.

Sensibilidade - é a capacidade de um receptor de captar sinais fracos, ou seja, estações fracas ou distantes.

THD - distorção harmônica total indica percentualmente as harmônicas geradas no aparelho, ou seja, as existentes na saída que não estavam presentes no sinal de entrada.

Tone ou tonalidade - controle para ajustar os graves e agudos.

Treble ou agudos - controle para ajustar o nível dos sons agudos.

Tuning ou sintonia - controle para mudar a frequência do sinal recebido, ou seja, fazer a escolha da estação.

Tweeter - alto-falante destinado à reprodução dos agudos.

Woofer - alto-falante destinado à reprodução dos graves.

 

 

 

NO YOUTUBE