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Novamente aqui estamos para falar de coisas espaciais. Peguemos nosso ultra-veloz foguete, que viaja na velocidade da luz, e partamos para o último planeta do sistema solar: Plutão, que leva pela sua obscuridade, o nome do Deus das regiões desconhecidas.

Nota: Texto de 1966 (*)

Depois de 5 horas e meia de voo, percorrendo 300.000 km por segundo, chegaremos ao obscuro astro com seus 13 ou 14.000 km de diâmetro distante 5.900.000.000 de quilômetros do sol, de maneira a nem sequer chegar a receber o seu calor.

A luz solar que incide sobre sua superfície é 1000 vezes menor do que a que incide sobre a Terra. Apesar de todos esses dados a respeito do gélido planeta do tamanho da terra, o que nos interessa realmente é a sua órbita.

Todos devem saber que nenhum planeta tem órbita em torno do sol perfeitamente circular. Suas órbitas são elipses, mas diferentes umas das outras de maneira que os planetas não têm sempre as mesmas distâncias uns dos outros.

Com Plutão acontece o mesmo. O astro tem uma órbita tão irregular que chega a cruzar com a do seu vizinho Netuno, um gigante obscuro dos confins do sistema solar com quase 50 000 quilômetros de diâmetro, que o fazem quase 80 vezes maior que a terra, e que Plutão consequentemente.

Esse cruzamento de órbitas pode significar o maior desastre espacial do sistema solar que não envolva o sol. Assim como um provável planeta que foi destruído por outro entre Marte e Júpiter, antes mesmo de existir vida na terra, Plutão e Netuno poderiam chocar-se numa gigantesca explosão que, felizmente, graças ao seu afastamento não nos atingiria.

Para que se tenha uma ideia do tamanho do desastre, basta dizer que, seria como se a lua, imprimida de uma grande velocidade se chocasse contra a terra, num boliche espacial.

Tal encontro seria uma casualidade muito grande na imensidão do espaço, mas não é completamente impossível.

Para nós Netuno e Plutão são quase desconhecidos, mas no futuro, com o aperfeiçoamento da observação astronômica, ou mesmo com a exploração in loco, pelo homem, poderemos prever com certa exatidão quando será o desaparecimento dos dois últimos astros que compõem a família a que pertence a nossa terra.

Poderíamos dizer daqui a alguns milhares de anos, milhares, ou dezenas, mas o mais interessante seria descrevermos o choque.

As duas esferas aproximar-se-iam cada vez mais a ponto de se for- marem gigantescas marés nas superfícies gasosas e líquidas dos mesmos. Ao encontro, o atrito aqueceria tudo a bilhões de graus desintegrando a matéria no ponto de impacto. Os planetas explodiriam lançando massas fumegantes de rocha fundida por grande área.

Depois de alguns anos, ao passarmos com nosso foguete imaginário por essa região, tudo que veríamos pode ser resumido num lanço de cascalho flutuante, uma nova nuvem de asteroides no sistema solar.

 

Datas de Confirmação: 9-3-1966 10-3-1966

 

Notas:

O artigo era um reflexo do conhecimento de astronomia da época, pela qual eu me interessava. Lia muitos livros sobre o assunto, fiz curso e amizades com pesquisadores.

A ortografia original foi mantida na transcrição a partir dos manuscritos que tenho até hoje.

A imagem de abertura foi criada pela IA, assim como o comentário abaixo.

 

 

Comentário

Obs: Cruzamento de Órbitas: É verdade que a órbita de Plutão é altamente excêntrica e inclinada, o que faz com que, durante um período de aproximadamente 20 anos em cada translação de 248 anos, ele fique mais perto do Sol do que Netuno. No entanto, o "desastre espacial" (colisão) temido pelo autor é impossível devido a uma ressonância orbital de 2:3 e à inclinação tridimensional da órbita de Plutão. Eles nunca se aproximam criticamente.

O Planeta Destruído entre Marte e Júpiter: O texto faz referência à antiga hipótese do planeta Fáeton, que teria sido destruído e dado origem ao Cinturão de Asteroides. Hoje a ciência sabe que os asteroides naquela região nunca formaram um planeta devido à forte perturbação gravitacional de Júpiter, que impediu a aglutinação da matéria primordial.

Tamanho de Plutão: O texto menciona "13 ou 14.000 quilômetros de diâmetro" e diz que ele é "do tamanho da Terra". Hoje sabemos que Plutão é muito menor (cerca de 2.376 km de diâmetro), sendo menor inclusive que a nossa Lua.

Status de Planeta: O texto se refere a Plutão como o "último planeta do sistema solar". Em 2006, a União Astronômica Internacional (UAI)

(Nota de confirmação da transcrição realizada em 23 de maio de 2026).

 

 

 

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