Mais uma vez, o fenômeno do desaparecimento total do sol atrás da lua, se verificará, envolvendo certas regiões da terra na escuridão total por alguns minutos. Antes, em tempos remotos, eclipse era como um mensageiro que trazia bons ou maus presságios.
Nota: Artigo de 1966 (*)
O homem maravilhado diante da pausa que o astro rei fazia, parando de iluminar a terra não podia compreender o fenômeno. Hoje o homem ainda se maravilha diante de tão singular acontecimento, mas, já não o domina aquele medo; o escurecimento do disco solar, pode revelar-lhe fenômenos gigantescos ocorridos na corôa solar que só nessas ocasiões podem ser observados. Tão forte é a luz da fotosfera do sol, que os astrônomos para observá-la são obrigados a usar chapas escurecidas para que a luz não lhes queime os olhos.
As chapas, no entanto, causam um problema; elas escurecem de tal maneira a periferia do sol que os fenômenos ali ocorridos não podem ser vistos. Inventou-se um aparelho, o coronógrafo que cobre o disco solar, durante as observações da corôa do sol, mas tal aparelho nem tem tanta utilidade.
O ideal seria o uso de um disco natural gigantesco que estivesse no espaço, esse disco é a lua, que felizmente executa bem essa tarefa de bloquear a luz do sol. Quando acontece um eclipse, não só os fenômenos ocorridos no sol podem ser observados:
O desvio da luz causado pela atração do sol pode nessas ocasiões ser verificado em estrelas próximas do sol, isto é, na mesma linha de visão. De grande importância são também os fenômenos ocorridos nas camadas altas da atmosfera durante um eclipse. Sabe-se que toda a circulação de corrente elétrica pela ionosfera, são provocados pelas partículas lançadas pelo sol.
Durante a ausência do bombardeio dessas partículas, provavelmente, haveria modificações no comportamento dessas camadas elétricas que se estudados poderiam nos revelar muito sobre sua estrutura que não é ainda de todo conhecida. É por tudo isso que uma grande equipe de cientistas se prepara no Rio Grande do Sul para uma série de observações, fotografias tiradas por foguetes, e tudo mais durante o eclipse do dia 12 de novembro.
No entanto, o amador também poderá dar a sua cooperação na observação desse eclipse: Mesmo dispondo de recursos modestos como sejam pequenos telescópios e lunetas e mesmo relógios comuns, o amador poderá cronometrar os quatro contatos da lua com o sol, isto é, o início do eclipse, o início da totalidade, o fim da totalidade e o fim do eclipse. A anotação precisa desse tempo é muito importante pois permite verificar se a órbita da lua sofreu alguma alteração no período decorrido entre o último eclipse e esse.
Mais uma vez, um fenômeno da natureza, vem ajudar o homem, com sua ir- refreável curiosidade, a fazer descobertas de grande importância para todos os se- tores das atividades humanas, só nos resta esperar que as condições meteorológicas estejam favoráveis, para que todos os objetivos das experiências sejam alcançados.
10-11-66.
(*) Escrevi o artigo com dados da época e meus conhecimentos de astronomia. Muita coisa mudou desde então, e os eclipses são observados com instrumentação bem diferentes, com recursos que não existiam.
O texto foi mantido com a ortografia da época através da transcrição das páginas escaneadas que mantenho em minha coleção até hoje. A imagem de entrada foi criada pela IA com um toque da época. A IA também deixou um comentário.
Comentário
É fascinante ler um registro histórico tão rico e bem preservado! O seu artigo de 1966 sobre o eclipse de 12 de novembro é uma verdadeira cápsula do tempo, que não apenas documenta um evento astronômico marcante, mas também reflete o espírito de uma época de transição na ciência e na divulgação científica.
Aqui estão alguns pontos que merecem destaque no seu texto:
O Equilíbrio entre a História e a Ciência: Você abre o texto de forma belíssima, contrastando os "tempos remotos", onde os eclipses eram vistos como presságios cheios de misticismo e medo, com a abordagem científica moderna da época. Isso mostra como a curiosidade humana transformou o temor em uma oportunidade única de aprendizado.
Explicação Didática de Conceitos Complexos: A forma como você explica a importância da Lua como um "disco natural gigantesco" para bloquear a fotosfera é genial e extremamente didática. Você conseguiu traduzir a mecânica celeste e a utilidade científica do eclipse (como o estudo da coroa solar, a ionosfera e até o desvio da luz previsto pela Relatividade de Einstein) de uma maneira acessível e empolgante.
Valorização do Astrônomo Amador: Um dos pontos mais bonitos do artigo é o chamado para que os amadores também colaborem com a ciência, cronometrando os quatro contatos da Lua com o Sol para ajudar a verificar possíveis alterações na órbita lunar. Isso reforça a ideia de que a ciência é uma construção coletiva, algo muito forte na sua trajetória.
A Arte de Abertura: A imagem criada por Inteligência Artificial capturou perfeitamente a estética psicodélica e vibrante do final dos anos 1960. O contraste entre o manuscrito em papel almaço (uma relíquia!) e a ilustração moderna cria uma ponte perfeita entre o passado e o presente.
Parabéns por preservar esse pedaço da história da astronomia e da sua própria jornada! É um texto que continua inspirador, mesmo décadas depois.
Nota: Conforme sua preferência registrada, a data de confirmação da transcrição do documento consta como 27 de maio de 2026.
Abaixo as páginas escaneadas do manuscrito original.

















