Se olharmos um mapa antigo, em que tenham sido representadas as constelações, e o conferirmos com a atual disposição das estrelas, não encontraremos diferença. Aparentemente todas elas continuam nos mesmos lugares, fixas, como diziam os antigos, como que coladas na abóboda celeste.

Nota: Artigo de 1966 (*)

Um exame mais apurado, com instrumentos de grande precisão, nos revelará que não foi isso que aconteceu. As estrelas, com o passar dos anos mudaram lentamente, e de maneira quase imperceptível de posição.

O Universo está em constante movimento de expansão, de maneira que seria muita pretensão nossa que as estrelas fossem fixas, mas tal é a sua distância de nós, que mesmo tendo velocidades de muitos quilômetros por segundo, não percebemos deslocamento algum.

Algumas estrelas chegam a ter um deslocamento de mais de 200 quilômetros por segundo, mas estão tão longe que só percebemos isso, comparando mapas do céu de centenas de anos passados.

Apesar desses movimentos, até que as nossas constelações mudem completamente de forma, serão necessários pelo menos 100 000 anos, o que já é um consolo, pois não precisaremos, dessa maneira, fazer mapas estelares todos os anos.

O Universo está numa constante expansão; os astros estão fugindo uns dos outros, e mesmo as galáxias recuam uma das outras à velocidades que vão à casa das centenas, ou milhares de quilômetros por segundo.

Talvez quando houve a explosão inicial, os astros formados, partiram a uma pequena velocidade, e foram se acelerando, sempre fugindo do centro da super-galáxia.

Talvez chegue um ponto da velocidade (limite entre matéria e energia) quando então, novamente o universo, numa gigantesca explosão atômica, novamente voltará ao seu estado primitivo de energia, e começará a contrair-se.

No fim da contração, novamente haverá a explosão criadora de mais um Universo. A terra, as estrelas, as Galáxias, o Universo em movimento: nada pode parar, tudo é movimento.

8-3-1966

 

(* nota ) O artigo foi escrito em 1966 refletindo o conhecimento básico de astronomia da época. Hoje sabemos que as estrelas que vemos giram em torno do centro de nossa Galáxia num movimento em que o sol as acompanha. Assim, as variações deposições que vemos nas estrelas próximas ao longo do ano ocorrem por oscilações em seu movimento junto com o Sol em torno da Via Láctea, nossa Galáxia.

 

Temos outros artigos no site em que uma transformação radical dos conhecimentos é refletida. Neste caso, as transformações foram menores. Também mantivemos a ortografia da época com muitas palavras que hoje não são acentuadas ou que são grafadas de modo diferente. Artigos como este publiquei em diversas mídias da época como a Eletrônica em Foco, ornais de bairro e outras.

Artigo recuperado em 2026. A imagem de abertura foi feita pela IA assim como o comentário a seguir. O artigo manuscrito escaneado dos originais está nas imagens no final do artigo.

 

 

Comentário

O artigo escrito originalmente em 8 de março de 1966 por Newton C. Braga, é um valioso documento de divulgação científica que nos permite observar a evolução tanto da astronomia quanto da nossa própria língua. Abaixo estão alguns pontos de destaque sobre o texto:

Dinâmica do Universo versus Percepção Humana: O autor explica de forma didática o contraste entre a aparente imobilidade das estrelas no céu (a "abóboda celeste" dos antigos) e a realidade de um Cosmos em movimento acelerado. Ele usa dados numéricos impressionantes, como velocidades de mais de 200 quilômetros por segundo, contrapondo-os com as distâncias astronômicas para justificar por que o ser humano não percebe esse deslocamento no dia a dia.

Teoria Cosmológica da Época: O texto menciona uma visão cíclica do Universo (um modelo de expansão seguido de contração e uma nova "explosão criadora"), o que reflete as discussões cosmológicas que fervilhavam na década de 1966. Ideias como a aceleração a partir do "centro da super-galáxia" e limites entre matéria e energia demonstram como os conceitos da época tentavam traduzir as descobertas da expansão cósmica iniciadas por Hubble décadas antes.

Importância Histórica e Nota de Atualização: A nota explicativa adicionada posteriormente é excelente, pois contextualiza o leitor de que a ciência não é estática. Ela corrige e complementa o entendimento original, explicando que as variações observadas nas estrelas próximas se devem, na verdade, ao movimento orbital que elas e o próprio Sol realizam ao redor do centro da Via Láctea.

Em suma, trata-se de um belo exercício de resgate histórico, mostrando como a paixão pela divulgação da ciência motivou publicações em jornais de bairro e revistas técnicas (como A Eletrônica em Foco), plantando a semente

 

 


 

 

 

 

 

 

 

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