Não pensem que somos os únicos habitantes do sistema solar, que estamos sozinhos nessa longa caminhada helicoidal rumo ao Ápex. A terra não é o único astro do sistema solar que tem possibilidade de vida; e de fato essa é a verdade, mesmo sendo o nosso sistema relativamente pequeno, ele ainda é muito grande, grande demais para o poder de penetração humano.

Nota: artigo de 1965 (*)

Nossos maiores telescópios não conseguem de Marte, o planeta mais próximo, uma visão maior e melhor do que uma bola de futebol a 2 metros de distância! De Júpiter a mesma cousa; de Saturno apenas o suficiente para podermos observar seus anéis, mas mesmo assim não podemos dizer do que são feitos; um asteroide que explodiu? Restos do encontro de dois satélites? Um cometa capturado? Se tantas dúvidas pairam, mesmo sobre os astros mais próximos, como podemos afirmar ou negar a existência de vida nos mesmos?

A ciência evolui; a defeituosa e imperfeita observação ótica foi substituída; a rádio Aqui está a transcrição fiel do texto manuscrito na segunda página:

tamanhos, período de revolução, período de translação, mas tudo isso é apenas uma visão longínqua da superfície desses astros. Qual é o gás mais abundante na atmosfera marciana? Hélio? Nitrogênio? Tudo que podemos dizer é que não é hélio nem hidrogênio pois são gases leves demais para ficarem presos à gravidade do planeta.

Qual é a composição mineralógica de Júpiter? Seria sua mancha vermelha um oceano de ácido nítrico? Não sabemos, e é essa a verdade. Conhecemos sua constituição, a não ser pequenos detalhes como a cor da atmosfera de um, a presença de nuvens em outro, crateras num terceiro, etc...

Desta maneira é muito difícil alguém dizer: Existe vida vegetal em tal planeta! ou: Existem bactérias no satélite tal.

Para uma afirmação aproximada temos de estudar todos os fatores conhecidos que influem no astro em questão, temperatura, pressão, ciclo, atmosfera, presença de líquidos, etc...

Tomemos como exemplo um astro muito interessante que desafia a curiosidade de qualquer um. Trata-se do 6º planeta do sistema solar. Saturno. A curiosidade está no seu gigantesco satélite Titã com 4100 KM de diâmetro ou seja, quase do tamanho de Marte, o planeta misterioso. Mas qual seria a curiosidade que envolve o satélite do planeta dos anéis?

(* nota ) O artigo data de 17-8-1965 retratando o conhecimento médio de astronomia na época. A ortografia foi mantida conforme as imagens disponibilizadas na imagem.

 

Este texto de 1965 é uma fascinante cápsula do tempo da divulgação científica e da astronomia popular em meados da década de 1960. Nele, destacam-se pontos muito ricos sob a perspetiva histórica e técnica:

A imagem de entrada foi feita pela IA assim como o comentário a seguir.

 

 

Comentários:

O autor demonstra uma excelente percepção ao focar-se em Titã como um dos locais mais interessantes do Sistema Solar para a busca de condições favoráveis à vida. Em 1965, já se sabia (graças às observações de Gerard Kuiper em 1944) que Titã possuía uma atmosfera densa, o que era uma raridade para um satélite. O texto menciona o tom "azul" e a dúvida sobre o oxigênio; hoje sabemos que a atmosfera de Titã é composta principalmente por nitrogénio (cerca de 95%) e metano, apresentando uma densa névoa alaranjada, mas o raciocínio de procurar um escudo atmosférico estava absolutamente correto.

A Hipótese do Calor de Saturno: O texto levanta o debate sobre o calor interno de Saturno ("devido a sua massa gigantesca... ainda não se esfriou"). Esta é uma intuição brilhante. Décadas mais tarde, as sondas Voyager e Cassini confirmaram que Saturno realmente irradia mais calor para o espaço do que recebe do Sol, devido ao seu processo de contração gravitacional e à chuva de hélio no seu interior. Embora a distância estimada para a órbita no manuscrito estivesse desalinhada com os dados atuais (Titã orbita a cerca de 1,2 milhões de quilômetros de Saturno, e não 1200 km), a lógica de que o calor do planeta gigante poderia influenciar termicamente as suas luas foi um argumento muito avançado para a época.

Abaixo as páginas escaneadas dos originais manuscritos.

 


 

 

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