Em nossos dias, grandes foguetes atingem alturas de milhares de quilômetros, viajam milhões de quilômetros pelo espaço para atingirem Marte ou Vênus, coisas jamais sonhadas há 20 anos atrás. Como teria a ciência conseguido tamanho avanço na pesquisa espacial? Quais teriam sido as maravilhosas descobertas que permitiram ao homem enviar naves a tamanhas distâncias dos nossos planetas.
Nota: Artigo de 1966 (*)
Von Braun criou o engenho mecânico capaz de levar cargas enormes ao espaço, mas de que adiantaria tamanha energia se o foguete não pudesse ser controlado?
Todo o controle de um foguete é feito por meio de equipamento eletrônico que recebe ordens da terra, e não é só; todo o equipamento de pesquisa usado é eletrônico: termostatos olhos foto-elétricos; detectores de raios térmicos,
São memórias eletrônicas que armazenam as informações obtidas e as ordens das tarefas que o satélite deverá fazer em sua corrida espacial.
Em terra, novamente a eletrônica toma parte da experiência, ocupando um posto importante: estações de radar seguem os foguetes, satélites e naves espaciais em todas as suas jornadas; nas centrais de controle, instrumentos eletrônicos de todas as espécies mostram o comportamento da nave. Bastará que um parafuso entre os milhares se solte, para que uma agulha salte anunciando talvez, o malogro total da experiência.
Sabendo dessa importância da eletrônica na pesquisa, é que os países interessados em explorar o cosmos, gastam milhões no desenvolvimento de novos equipamentos, cada vez mais perfeitos que possam resistir às duras condições climáticas reinantes no espaço.
Graças a esse intenso aperfeiçoamento, através da pesquisa, entretanto, não é só a exploração espacial que se beneficia, pois as descobertas feitas, muitas vezes vem melhorar também a eletrônica comercial, através do aperfeiçoamento e da criação de novos componentes.
Da grande importância econômica que tem o peso dos instrumentos que são levados por um satélite devido ao preço do combustível assim como a quantidade em que ele é necessário, surgiu a evolução dos equipamentos eletrônicos rumo a componentes cada vez menores e mais leves.
Graças a essa pesquisa, criando os circuitos impressos e os circuitos integrados é que hoje podemos ter rádios, gravadores e televisores portáteis pesando quase nada.
Uma vez em órbita, antes, a única fonte de energia disponível era a luz do sol. O envio de baterias, além de anti-econômico era insuficiente para alimentar o equipamento eletrônico.
Produto da necessidade que surgiu de se eliminar esses problemas, surgiram equipamentos com cada vez menor consumo de energia, sem perda de rendimento.
Todos os componentes dos satélites, atualmente, são semicondutores; não há energia disponível para o aquecimento de filamentos.
Por outro lado, a necessidade de equipamentos perfeitos, levou-os à criação de materiais e circuitos praticamente livres de falhas.
Quando milhões de dólares estão em jogo, assim como o trabalho de milhares de pessoas, uma exigência como essa é perfeitamente compreensível, pois uma vez no espaço, torna-se impossível qualquer reparação.
Naturalmente, muitos dessas descobertas são aplicadas em equipamentos comerciais.
Nesse caso está a ausência quase total de fio em circuitos, que seriam motivo para falhas.
É claro que, para que todas as necessidades da pesquisa espacial sejam satisfeitas, muitos componentes têm que ser criados.
No futuro, graças à criação desses novos componentes, o público terá à sua disposição equipamentos inéditos, como rádios portáteis de pulso, computadores de bolsos, e até mesmo televisores nos próprios óculos.
Um dos setores, talvez mais beneficiado pela pesquisa espacial, seja o que trata das telecomunicações.
Satélites colocados em órbita permitem um aumento da quantidade de canais telefônicos, colocando pontos diferentes da terra em contato quaisquer que sejam as condições atmosféricas, o que antes não era possível.
A própria troca de conhecimentos, essencial ao progresso da humanidade é favorecida por esses satélites que possibilitam a transmissão de imagens para pontos até então inatingíveis pela televisão.
Para E em Foco 31-1-1967
(*) O artigo para A Eletrônica em Foco de janeiro de 1967, reflete o estado da eletrônica da época sob a visão de um estudante, como eu.
Foi mantida a ortografia original, com diversas palavras que hoje não têm mais acento e outras escritas de modo diferente. O artigo anterior AST053 é uma versão anterior do mesmo tema, que serviu de base para preparação desta.
A Ilustração foi criada pela IA com uma visão da época com válvulas ainda e tecnologias antigas mescladas com modernas. Abaixo, as páginas manuscritas com minha caneta azul-lavável originais. O comentário foi feito pela IA.
É fascinante ler um artigo escrito em 1967 que, com tanta precisão, antecipou o futuro da tecnologia. O texto não apenas contextualiza perfeitamente o otimismo e os desafios da Era Espacial, mas também demonstra uma visão profética sobre a miniaturização e a popularização da eletrônica comercial.
Comentário
Aqui estão alguns pontos de destaque que tornam o seu artigo um documento histórico e visionário:
Previsões certeiras: A sua menção ao surgimento de "computadores de bolso" e "rádios portáteis de pulso" descreve perfeitamente o que hoje conhecemos como smartphones e smartwatches. Essa capacidade de ligar a altíssima tecnologia da NASA e da corrida espacial ao cotidiano do cidadão comum foi um grande acerto.
A transição tecnológica: O texto captura o momento exato da transição das válvulas para os semicondutores e circuitos integrados. Destacar a eliminação do "aquecimento de filamentos" mostra como a eficiência energética — crucial no espaço — moldou a engenharia dos aparelhos que usamos hoje.
A importância da redundância e confiabilidade: Ao escrever que "uma vez no espaço, torna-se impossível qualquer reparação" e que os circuitos precisavam ser "praticamente livres de falhas", você resumiu a base da engenharia aeroespacial moderna, que acabou elevando o padrão de qualidade de toda a indústria de consumo.
Um belíssimo registro histórico que mostra como a curiosidade e a ciência de décadas atrás pavimentou o mundo hiperconectado em que vivemos. Parabéns pelo texto memorável!

















