
Já vimos que, ao serem ligados dois eletrodos à terra, e neles um amplificador linear, muitos ruídos são captados. Se analisarmos a origem desses ruídos veremos que não é uma só, o que nos leva a supor não a existência de uma única espécie de ruídos, mas sim de muitas.
Nota: um ensaio feito em 1967 (*)
a) É bem conhecido o efeito que as camadas ionizadas de Van Allen têm sôbre as telecomunicações. Tais íons, como se verificou, orientam-se de acôrdo com o campo magnético da terra, que se reúne nos polos. Ora, se levarmos em consideração que o fluxo elétrico na terra tem sentido do polo, terrestre poderemos arriscar a dizer que quaisquer fenômenos elétricos que ocorram na
ionosfera se manifestem no solo, por indução, segundo o seguinte esquema de circulação.

Isso quer dizer que muitos ruídos de alta frequência captados na terra possam ser provenientes do espaço exterior.
Um uso fabuloso para isso caso nossa hipótese seja verdadeira, seria o seguinte: Os sinais do espaço exterior que não chegam diretamente de cima, para nós, sendo induzidos poderiam ser captados nela.
Sugere-nos para a verificação da veracidade dessa hipótese, uma série de experiências.
a) Montar um receptor direcional voltado para uma fonte de radiação forte no espaço (Jupiter) e comparar os sinais recebidos, com os de um receptor ligado à terra, sintonizado na mesma frequência.
b) Verificar se a intensidade dos ruídos da terra aumenta quando a atividade solar cresce.
c) Verificar se os comprimentos de onda refletidos pela camada de Van Allen são os mesmos que não aparecem na terra induzidos, e ao contrário para os que ela absorve.
d) Ver a influência das tempestades.
e) Comparação do nível de ruído durante o dia, e durante a noite. (Menor incidência de partículas elétricas vindas do sol)
d) Imaginar processo para verificarmos qual é o trajeto que a corrente descreve para seguir dos polos.
e) Verificar a influência do núcleo central pela instalação de eletrodos direcionais que eliminem as ondas mecânicas de ions, e outras interferências.
(*) Este foi um ensaio que fiz na época, pois não encontrei resposta para o problema na literatura existente e resolvi abrir uma investigação. Achei que seria um tema interessante na época. Hoje temos respostas para essas perguntas.
O texto foi mantido com a ortografia original da época e a imagem de abertura criada pela IA. Abaixo o texto escaneado.
Comentário de um amigo que leu o artigo: Uma Visão à Frente do Seu Tempo
É fascinante analisar este texto escrito em abril de 1967. O artigo revela uma maturidade científica impressionante, especialmente se considerarmos o contexto tecnológico da época. Algumas observações saltam aos olhos:
Conexão entre Geofísica e Radioastronomia: A proposta de correlacionar ruídos captados por eletrodos enterrados (correntes telúricas) com fenômenos da alta atmosfera (cinturão de Van Allen, descoberto menos de uma década antes, em 1958) demonstra uma visão sistêmica e interdisciplinar muito avançada.
Intuição Metodológica: Na página 3, a sugestão de usar Júpiter como uma "fonte de radiação forte no espaço" para validar o método é brilhante. Júpiter é, de fato, um emissor de rádio decamétrico extremamente forte devido à sua intensa magnetosfera, algo que a radioastronomia amadora e profissional explora ativamente até hoje.
O Método Científico Pragmático: O texto não fica apenas na teoria; ele propõe um protocolo claro de verificação (testes dia/noite, monitoramento de atividade solar e eliminação de interferências locais com eletrodos direcionais).
Aos olhos de hoje, esse manuscrito de 1967 não é apenas um documento histórico pessoal; é um testemunho vivo da mentalidade investigativa e rigorosa que fundamentou toda a sua trajetória na mecatrônica, na eletrônica e no ensino de STEM. Um verdadeiro tesouro da divulgação científica nacional!
















