Este artigo faz parte de um antigo livro que fizemos (década de 70) cujo tema central era o uso do osciloscópio em equipamentos de TV e vídeo analógico da época. O livro não tem mais grande utilidade atualmente, a não ser para os leitores que desejam recuperar um equipamento antigo como um televisor, VCR ou câmera para poderem usar em alguma aplicação específica. Também é importante pela finalidade didática, pois analisa os circuitos de vídeo analógico daqueles equipamentos.

Nota: o primeiro artigo da série está em SER491 continuando até o SER497.

 

 

AJUSTE EM TELEVISORES

 

Para o ajuste devem ser usados os circuitos de acoplamento da lição anterior.

O televisor tomado como referência para estes ajustes é o Sanyo CTP 4801 chassi série TC.

Inicialmente vamos ajustar o trap de 4,5 MHz e o estágio de saída de FI de vídeo.

O diagrama parcial dos estágios que serão ajustados, para identificação dos componentes é mostrado na figura 1.

 

Figura 1 – Diagrama parcial do televisor
Figura 1 – Diagrama parcial do televisor | Clique na imagem para ampliar |

 

 

- Ajuste do trap

O gerador de marcas deve ser ajustado na frequência de 41,25 MHz enquanto que o gerador de varredura deve ser sintonizado para varrer a faixa de 40 a 50 MHz.

O seletor deve ser colocado no canal 3, e a chave AFF deverá estar na posição manual.

A chave normal-serviço deve estar na posição "serviço".

Um sinal de +24 V deve ser aplicado ao pino 8 do conector AA na placa de sinal e croma.

Uma tensão de polarização de +5,8 V deve ser usada para polarizar a FI no ponto TP-IA na placa de sinal e croma e uma tensão de -2,0 V deve ser usada para a polarização do CAG do seletor.

Inicialmente ajusta-se T105 para que haja a mínima resposta em 41,25 MHZ (atuação máxima do trap).

Na figura 2 mostramos a forma de sinal visualizada no osciloscópio.

 

Figura 2 – Visualização do sinal no osciloscópio
Figura 2 – Visualização do sinal no osciloscópio | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A ligação do gerador de varredura, do osciloscópio e do televisor para este ajuste é mostrada na figura 3.

 

Figura 3 – ligação do gerador e do osciloscópio para o ajuste
Figura 3 – ligação do gerador e do osciloscópio para o ajuste | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Para ajustar o estágio de saída, inicialmente colocamos o gerador de marcas em 41,25 MHz e ajustamos T104 pelo núcleo superior.

Ajustamos em seguida VR103 para a mínima resposta em 41,25 MHz. Passamos o gerador de marcas para 42,17 MHz e depois ajustamos o núcleo inferior e superior de T104 para obter a forma de onda indicada.

Finalmente, com o gerador de marcas em 45,75 MHz, ajustamos novamente o núcleo inferior de T104 para obter os níveis da figura já indicada.

 

 

ANÁLISE DO SINAL DE VÍDEO

 

Sem a necessidade de um gerador de varredura/marcas, o osciloscópio pode ser utilizado para analisar os sinais de vídeo das etapas de Fl, facilitando a detecção de falhas.

Conforme já salientamos muitos diagramas já apresentam as formas de onda que devem ser encontradas facilitando assim o trabalho do técnico reparador.

O sinal tomado como referência pode ser disponível tanto de um canal local como de um gerador de barras coloridas, se bem que este último caso seja preferível dada sua estabilidade e também ao fato de conhecermos seu nível de saída.

O osciloscópio deve ser conectado ao televisor com uma ponta demoduladora.

Nos televisores transistorizados os pontos chaves serão as bases e os coletores dos transistores.

Nos circuitos valvulados serão as grades quantidades de controle e anodos das válvulas.

Para os televisores dotados de circuitos integrados, as entradas e saídas dos sinais acessíveis e que serão tomadas como referência.

Os diagramas podem servir de orientação para estes casos.

Tomamos como exemplo o televisor Philco TV-389 que é bastante comum e cujo diagrama parcial, contendo as etapas de FI de vídeo, é mostrado na figura 4.

 

Figura 4 – Televisor tomado como exemplo
Figura 4 – Televisor tomado como exemplo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Este circuito funciona da seguinte maneira:

O circuito amplificador de FI recebe o sinal de vídeo do seletor de canais já numa faixa de frequências com 6 MHz de largura e que contém as seguintes frequências;

41,25 MHz - FI de som

42,17 MHz - FI de croma

45,75 MHZ '- FI de vídeo

Através de um cabo coaxial com capacitância controlada o sinal é aplicado a base de T201 via C208 (amplificador de RF).

Os sinais amplificados por T201 aparecem em seu coletor e são aplicados em L202 (primeira FI) que sintoniza toda a faixa de frequências. Depois, via C207 os sinais são levados a L203 (segunda FI) que novamente deixa passar toda a faixa.

Após esta segunda sintonia os sinais passam por uma armadilha de 47,25 MHz que é formada por L207, C218 e C219, e por uma armadilha (trap) de 39,75 MHz que corresponde à aos componentes L204, C215 e C216, e um circuito atenuador de 41,25 MHz que corresponde à FI de som.

Este circuito é formado por L205 e C220.

Passando por um C221 os sinais são aplicados em L208 que faz a sintonia dos sinais e os aplica aos pinos 1 e 16 do circuito integrado C1202.

A função de C1202 é de amplificador de FI de vídeo, e este integrado contém os estágios do controle automático de ganho (chave, compensador térmico e retardo para o seletor).

Os pulsos negativos de 15 750 kHz que provém de PT 403 no flyback são levados ao pino 7 do circuito integrado C1202 através de R449 e C232 de modo a haver o acionamento da chave do CAG.

No pino 10 do circuito integrado temos o sinal de vídeo negativo que serve como referência para a obtenção da tensão do CAG.

A intensidade do sinal que chega ao pino 10 do CI é ajustada com a ajuda de P202.

Este componente está ligado ao pino 6 do circuito integrado do CI202.

No pino 4 do C1202 encontramos um circuito RC (R213 e C228) cuja finalidade é atuar como filtro de tensão do CAG.

Entre os pinos 2 e 15 há um desacoplamento DC por meio de C227 a tensão de retardo do CAG que sai pelo pino 5 é levada ao diodo de retardo D201 via R213-A, havendo a filtragem feita por C229.

No pino 13 do CI, via L206 aplica-se a tensão de polarização B6 que evita a introdução de RF via linha de alimentação DC.

As formas de onda que damos a seguir foram obtidas com um sinal de barras coloridas para produção de uma imagem normal.

Na figura 5 temos a forma de onda obtida no ponto 10 que corresponde ao pino 12 do CI202.

 

Figura 5 – Forma de onda no ponto 10
Figura 5 – Forma de onda no ponto 10

 

 

O sinal obtido corresponde á componente de som.

Para calibração de TR301 e L301 deve ser ligado um capacitor de 10 nF entre o pino 12 e a massa, e deve ser injetado um sinal de 4,5 MHz modulado em frequência com 400 Hz no ponto PT-301.

Na figura 6 temos a forma de sinal obtido no ponto 11 do diagrama.

 

Figura 6 – Forma de onda no ponto 11
Figura 6 – Forma de onda no ponto 11

 

 

O sinal deste ponto corresponde à FI de vídeo e é usado para a calibração deste estágio com atuação sobre o núcleo de L204.

O osciloscópio deve ser ligado neste ponto através de um resistor de 10 kg na entrada do circuito injeta-se um sinal de 39,75 MHz modulado em 400 Hz (50%).

Na figura 7 temos a forma de onda no ponto 13 do circuito.

 

Figura 7 – Forma de onda no ponto 13
Figura 7 – Forma de onda no ponto 13

 

 

Na figura 8 temos a forma de onda obtida no ponto 16 do diagrama.

 

Figura 8 – Forma de onda no ponto 16
Figura 8 – Forma de onda no ponto 16

 

 

Este sinal permite ajustar o "trap" de 4,5 MHz, se bem que este ajuste também possa ser feito somente com base na imagem gerada por um gerador de barras coloridas e som.

 

 

 

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