Nas regiões remotas de nosso país, ou mesmo naquelas em que existe dificuldade em se receber sinais da TV convencional terrestre, o uso da antena parabólica ainda é o mais recomendado. Então, o profissional deve saber como orientar essas ante- nas no sentido de obter a melhor recepção e assim atender satisfatoriamente seus clientes. Neste artigo damos algumas informações importantes para os profissionais que ainda não estão familiarizados com a orientação de antenas parabólicas.

Nota: Artigo da Revista Eletrônica Total 146 de 2010.

A venda e instalação de antenas parabólicas em regiões em que essa modalidade de recepção ainda é a mais recomendada como zonas rurais, ou locais muito afastados dos grandes centros, pode ser uma atividade bastante lucrativa para o profissional que souber explorá-la.

A vantagem dessa atividade é que ela não exige equipamento excessiva- mente caro ou difícil de usar e, além disso, não requer um conhecimento técnico muito profundo. Evidentemente, o profissional deve conhecer o princípio de funcionamento do sistema para poder saber como resolver problemas de instalação ou de funcionamento de maneira apropriada quando eles surgirem.

Outra atividade relacionada com a instalação de antenas é a de se representar alguma fornecedora de sinais de TV por assinatura na sua região, instalando as antenas, os receptores e depois fazendo a habilitação dos novos assinantes. Existem muitas pequenas localidades que ainda não possuem representantes para este tipo de serviço, que poderia ser uma fonte de renda interessante para os nossos leitores que estão procurando alguma atividade neste campo.

 

 

A Orientação da Antena

Tomamos como exemplo uma antena comum para a recepção dos canais abertos, e que podem ser adquiridas em kits até mesmo em supermercados. É claro que esses procedimentos também são válidos, com pequenas variações, para os sistemas por assinatura, bastando as dimensões e o peso da antena e a posição do satélite.

Os satélites usados nos serviços de telecomunicações para a transmissão dos sinais de TV ficam numa órbita geoestacionária, conforme mostra a figura 1.


 

 

Para captar os sinais de um satélite a antena deverá ficar apontada diretamente para o local em que ele se encontra. Isso deverá ser feito com precisão, o que significa que sua orientação, ou posição em relação ao horizonte e mesmo norte/sul, dependerá do local em que ela for instalada.

Para uma antena perto do equador, por exemplo em Belém do Pará, na orientação ela ficará praticamente apontada para cima, enquanto que uma antena que fique longe do equador, por exemplo em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, ficará apontada para um ângulo mais baixo, conforme ilustra a figura 2.


 

 

Quem instala antenas deve, portanto, saber exatamente para onde deve apontar a antena, tanto na sua localidade quanto nas localidades próximas. Para duas localidades que não sejam separadas por distância maior que 50 km, a diferença de ângulo para a orientação será muito pequena.

A maioria dos kits é acompanhada de informações sobre os ângulos de orientação para as diversas localidades do país. Entretanto, para um ajuste final da antena na posição certa será preciso conhecer os procedimentos básicos. As antenas possuem suportes que permitem sua movimentação de duas formas: no sentido horizontal, ou "azimute", e no sentido vertical, ou "elevação". A figura 3 exibe esses dois movimentos.


 

 

Os ajustes de azimute e elevação são obtidos a partir de ângulos, e esses ângulos têm como referência alguma linha a partir da qual possam ser feitas suas medidas. Para o azimute utiliza-se como referência uma linha imaginária no sentido norte/sul, observe a figura 4. O ponto 0° coincide com o Norte geográfico.


 

 

Dessa maneira se em determinada localidade a antena deve ter um azimute de 30 graus, isso significa que ela deve ser apontada para um ponto a 30 graus à direita da linha que aponta para o norte, conforme indica a figura 5.


 

 

 

Perceba que, para instalar antenas em sua região é preciso saber onde é o norte. Para essa finalidade existem diversos recursos práticos. Podemos saber onde é o norte pelo movimento do Sol, que se faz no sentido leste/ oeste. Ficando de frente para o poente e abrindo os braços, a nossa mão direita vai apontar para o norte, veja a figura 6.


 

 

 

Outra maneira de sabermos onde é o norte é através da observação da constelação do Cruzeiro do Sul: prolongando de forma imaginária o braço maior da cruz, teremos a posição do polo sul celeste. A figura 7 mostra este procedimento. Finalmente, de modo mais simples e preciso, podemos fazer uso de uma bússola.

 


 

 

 

Uma bússola consiste numa agulha magnetizada que pode girar sobre um eixo. Essa agulha tende a se orientar segundo as linhas de força do campo magnético da Terra que estão no sentido norte/sul. Observe a figura 8.

 


 

 

 

Na verdade, ocorrem pequenas variações de posição de local para local dessas linhas em relação ao Norte/Sul verdadeiro, mas os fabricantes de antenas fornecem tabelas de correção para as indicações das bússolas de modo a se obter a posição correta do polo Norte.

Para usar uma bússola, basta colocá-la na palma da mão e observar que a agulha apontará para o norte, depois de estabilizada. Fazendo com que a posição norte da escala coincida com o norte apontado pela agulha, teremos com precisão todos os ângulos que precisarmos para a orientação de uma antena.

 

Importante: A bússola deve usada longe de objetos de metal magnetizados ou de grande porte. A presença de um relógio, um carro, uma estrutura de metal podem afetar os resultados com indicações erradas. De posse do azimute do local e posicionada a antena conforme o seu ângulo, o próximo ajuste é o da elevação. Inicialmente, podemos tomar como referência uma linha que define o plano horizontal do lugar, conforme indica a figura 9.


 

 

 

 

 

 

Usamos para obter essa linha um fio de prumo, que é uma "ferramenta❞ utilizada por construtores e pedreiros, podendo ser adquirida em casas de materiais de construção ou ferramentas. Isso significa que, se a elevação de uma antena for de 20 graus em relação ao horizonte, devemos considerar um valor complementar em relação à vertical de 70 graus, ou seja, um ângulo que é obtido subtraindo-se 20 de 90 graus.

Para medir este ângulo podemos usar um transferidor. O transferidor é uma espécie de régua em forma de meia lua graduada em ângulos, veja a figura 10.

 


 

 

Para utilizá-lo coloca-se sua parte central no ponto de confluência das linhas que formam o ângulo. O zero deverá ficar coincidente com a linha que serve de referência para a medida do ângulo. A outra linha que delimita o ângulo passará pelo valor correspondente da estaca do transferidor. Na figura 11 mostramos como usar o transferidor para medir a elevação de 20 graus exigida para a antena que tomamos como exemplo.

 


 

 

Uma vez feita a orientação, conforme os procedimentos indicados, o sinal já poderá ser captado com certa intensidade. Pequenos retoques no ajuste devem então ser feitos de modo a se conseguir a maior intensidade de sinal. Esses retoques são feitos movimentando-se suavemente a antena para os lados, para cima e para baixo, acompanhando-se a qualidade da imagem obtida.

É importante que o profissional instalador disponha de um modo prático de fazer a verificação da imagem. Um ajudante com um intercomunicador sem fio (walkie-talkie), principalmente se a antena ficar muito longe do receptor, é um bom recurso. Se a antena ficar próxima do receptor, a comunicação pode ser feita falando-se um pouco mais alto.

Se o volume de serviço de instalação que o profissional esperar em sua área for elevado, compensará fazer um investimento em um instrumento que pode ser de grande utilidade neste trabalho. Trata-se do "medidor de intensidade de campo". Este aparelho é ligado na antena e permite medir a intensidade do sinal que está chegando.

Outro ponto importante a ser considerado na instalação é o local em que a antena ficaria. Não deverá haver nenhum obstáculo entre a antena e a posição do satélite, observe a figura 12.


 

 

 

Conseguindo-se uma boa recepção, é só fixar definitivamente a antena de modo que ela não saia da posição de funcionamento, quer seja pela ação do vento, quer seja pelo toque acidental de alguém, de algum pássaro ou mesmo linhas de pipas empinadas por crianças.

 

 

Completando a Instalação

 

Na figura 13 temos o restante do circuito a ser instalado.


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O sistema visto nesta figura é o básico utilizado para fornecer sinais para apenas um televisor. Para um sistema mais complexo, existe a possibilidade de se utilizar uma única antena para alimentar mais de um televisor, em um sistema comunitário (condomínio, por exemplo), ou ainda numa residência com diversos televisores.

Na verdade, em muitos casos temos a combinação de sistemas de recepção em que, além da antena parabólica, ainda temos antenas para a recepção dos canais normais e até de mesmo de estações de FM locais.

Na passagem dos cabos deve-se evitar a proximidade da linha de trans- missão de energia elétrica, que é uma fonte de interferências a ser evitada. Por este motivo os canos por onde passam os fios da rede de energia não devem ser utilizados para se passar os cabos de sinal da TV.

Devem igualmente ser evitadas curvas acentuadas que, além de forçar mecanicamente o cabo, podem ser responsáveis por indutâncias parasitas que afetam a passagem do sinal. As curvas devem ser feitas conforme indica a figura 14.


 

 

 

 

 

 

Um simples deslocamento da malha de um cabo de alta frequência numa curva acentuada pode modificar sua impedância, causando com isso reflexões de sinais capazes de provocar fantasmas. Para testes, outros instrumentos empregados no trabalho com cabos como, por exemplo, geradores de sinais e até mesmo um receptor de TV portátil alimentado por pilhas ou baterias, serão de grande utilidade.

O receptor de satélite deve ficar junto ao televisor, independentemente do fato de ter ou não controle remoto. Isso é importante porque os cabos de saída de RF ou vídeo/ áudio do receptor devem ser os mais curtos quanto seja possível. A maioria dos televisores modernos possuem entradas de áudio e vídeo, sendo por isso também chamados de monitores de vídeo.

 

 

 

 

 

Lembre-se de que os cabos de áudio e vídeo são diferentes, e se for feita a sua troca, poderão ocorrer problemas como perdas de definição da imagem e até alterações nas cores.

 

 

Orientação para o Usuário

Para receptores com controle remoto, a sintonia pode ser feita de modo digital ou linear no painel. Existem também os receptores de sintonia contínua onde haverá a necessidade da comutação manual da polarização, ou seja, quando passamos de um canal H para um V. Os receptores de sintonia contínua são os mais antigos e, portanto, mais simples. O profissional não vai trabalhar com sua instalação, mas eventualmente poderá receber esses tipos para reparos em sua oficina.

Outro fato que deve ser comentado: utilizando um receptor via satélite para os canais abertos, o usuário passará a captar o sinal gerado diretamente pela estação mestre que comanda a rede. Esta estação normalmente corta os anúncios nos intervalos dos programas para que sejam inseridos anúncios de TVs locais que transmitem os sinais. Isso significa que, em determinados momentos, a transmissão fica "em branco", ou seja, apenas temos o sinal correspondente a uma tela limpa.

 

 

Problemas de Recepção

O principal problema que pode afetar a recepção de sinais via satélite é a interferência dos links terrestres. Os sistemas de telecomunicações de micro-ondas usam estações retransmissoras de distância em distância, de modo a levar sinais por longos percursos, observe a figura 15.

 


 

 

 

Os sinais com que estas estações trabalham estão numa faixa de frequências muito próxima das utilizadas pelos sistemas de TV via satélite. Como os receptores de satélites são extremamente sensíveis, qualquer pequeno sinal de outra origem pode facilmente se sobrepor ao sinal desejado, causando problemas.

Basta um pequeno "escape" do sistema de micro-ondas local para que um sinal entre lateralmente pela antena parabólica com intensidade suficiente para causar problemas de recepção, tais como faixas na imagem, ondulações, instabilidades, etc.

Na figura 16 mostramos o que pode ocorrer.

 


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A resolução deste problema estará na mudança de posição da antena que coloque um obstáculo natural para o sinal interferente. Por exemplo, se a antena for colocada por trás de uma casa em relação à fonte de sinal interferente, os problemas poderão ser eliminados, conforme mostra a figura 17.

 


 

 

 

Será interessante experimentar a recepção em um local antes de fazer a fixação definitiva da antena, principal- mente se já existirem antecedentes de interferências no lugar visado.

A instalação de uma antena em um vale pode ser mais vantajosa do que num local alto, onde ela poderá ficar sujeita à entrada de sinais interferentes. Uma antena muito próxima de uma parede poderá ser origem de problemas, se sinais indesejáveis refletirem nessa parede chegando à antena. A figura 18 ilustra o que acontece.

 


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É preciso considerar também os problemas mecânicos de instalação como, por exemplo, a dificuldade em se encontrar em um telhado um local que possa sustentar o peso da antena. Diferentemente das antenas comuns de TV, as antenas da faixa C pesam muito, o que exige um método de fixação bastante forte.

Para a instalação das antenas de menores dimensões dos sistemas por assinatura, que não têm mais do que uns 40 cm de diâmetro e são muito leves, não se exige os mesmos cuidados.

No telhado, deverá ser previsto um sistema que fixe a antena na própria estrutura que o sustenta. O vento lateral, batendo na antena, multiplica o esforço na sua base por um efeito de alavanca e isso pode causar sérios estragos, não só derrubando a antena como até causando danos ao telhado da casa em que ela estiver instalada. Conectores mal instalados também são a origem de diversos tipos de problemas.

Para o leitor que pretende se especializar na instalação de antenas parabólicas sugerimos que sejam adquiridas obras complementares sobre o assunto.

 

 

 

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