Este interessante projeto de equalizador foi publicado numa revista de 1982. Se bem que este tipo de circuito quase não mais seja utilizado atualmente, principalmente no carro que conta com recursos digitais em nossos dias, o projeto é interessante se imaginadas outras aplicações. Os componentes utilizados são todos comuns em nossos dias o que viabiliza completamente sua montagem.
A introdução que damos a este artigo fala de algo que muitos leitores talvez não levem em conta ao abordar um projeto de áudio, quer seja ele um amplificador, um pré-amplificador, um mixer ou um equalizador. Este “algo" é a finalidade para a qual o projeto se destina e que determina basicamente o seu circuito, sua montagem, seu custo e o seu modo de operação.
Isso quer dizer que um equalizador não é “simplesmente um equalizador", se bem que esta seja a maneira como a maioria o aborda. Um equalizador tem de ser algo mais, tem de ser um equalizador para uma determinada aplicação, apresentando determinadas características.
Um equalizador para operar com um sistema de som doméstico não é igual a um equalizador para carro. E, se um projeto tiver de atender às duas aplicações, o que é possível como demonstraremos, suas características também devem ser diferentes.
Do mesmo modo, o tipo de circuito e a montagem estão também determinados pelo poder aquisitivo do montador, ou seja, por quanto ele pode gastar na sua montagem.
Reunir as características que o leitor deseja para um equalizador é, portanto, uma tarefa que exige muitos cuidados e, se bem feita, certamente levará a um projeto incomum, algo mais que um simples equalizador.
O equalizador Slim Equalizer, que apresentamos aos leitores, tem as características exigidas por um projeto feito com cuidado.
Podemos resumir no seguinte o que ele Ihe oferece:
Baixo custo, sendo acessível aos que desejam fazer uma montagem eficiente e econômica. Utilizando a solução simplificada de empregar potenciômetros comuns, seu custo é reduzido.
Pode ser usado tanto em casa, no sistema doméstico de som, como no carro, melhorando o desempenho do seu toca-fitas/amplificador.
Tamanho reduzido, facilitando sua colocação no carro ou junto ao amplificador doméstico.
Quatro frequências de ajuste atendendo à sensibilidade normal do ouvido de bom gosto do leitor.
Instalação fácil e montagem simples.
Pois bem, se o leitor deseja um equalizador para completar seu som, qualquer que seja, aqui vai o projeto melhor explicado.
COMO FUNCIONA
Por que equalizar o som de um amplificador ou toca-fitas? Já tivemos a oportunidade de abordar este problema em outros artigos em que descrevemos equalizadores, mas nunca é demais uma nova lição.
Cada ambiente é um ambiente, e ele “reage" aos sons de um amplificador ou qualquer outro sistema de som de modo diferente.
Em outras palavras, o ambiente pode ser responsável pela absorção de determinadas frequências da faixa sonora, prejudicando com isso a fidelidade de reprodução. (figura 1)
A absorção de frequências altas por objetos de uma sala, ou pelos materiais de forração de um carro, pode fazer com que a música fique pobre em agudos.
Do mesmo modo, a absorção dos sons de baixas frequências em objetos ou materiais de forração afetará aos sons agudos, que ficarão "pobres".
A finalidade do equalizador é justamente adaptar o som do amplificador às condições do meio ambiente. Se o ambiente absorve graves, então com a ajuda do equalizador podemos reforçá-los de modo a haver a compensação.
O equalizador deve então ser ajustado de acordo com o ambiente, tendo como base a sensibilidade do ouvinte.
Na figura 2 mostramos um gráfico em que aparecem as 4 faixas de frequências de atuação de nosso equalizador.
A primeira, de 200 Hz, corresponde aos graves; a segunda e terceira de 1k e 4 kHz corresponde aos médios e, finalmente, a quarta de 10 kHz corresponde aos agudos.
O equalizador pode ser ajustado de dois modos: para reforçar determinada faixa de frequências ou para atenuá-la, ou seja, diminuir a sua intensidade.
Assim, se todos os controles do atenuador foram mantidos na posição central, não teremos nem reforço, nem atenuação.
O sinal que entra, sai do mesmo modo. Esta seria a posição ideal do equalizador para um ambiente também ideal, ou seja, que não influísse no som reproduzido. (figura 3)
Se os potenciômetros forem levados para a direita, teremos um reforço da frequência correspondente, o que significa que o som correspondente sairá “mais forte".
Do mesmo modo, se os potenciômetros forem levados para a esquerda, teremos uma atenuação do som correspondente que sairá mais fraco.
A combinação de reforço e atenuação permite obter a reprodução ideal de cada ambiente, determinada pela sensibilidade do ouvido de cada um.
Na figura 4 temos os circuitos usados na equalização de cada frequência.
Os capacitores determinam a frequência central da equalização.
São usados três transistores como elementos ativos do circuito.
O primeiro é um pré-amplificador de áudio, que tem por finalidade aumentar a intensidade do sinal de modo que ele possa excitar convenientemente os circuitos de filtro dos potenciômetros de equalização.
O segundo é formado por dois transistores que formam um amplificador, onde a realimentação negativa é justamente dada pela rede de equalização.
Esta realimentação determina o ganho desta etapa em cada frequência, obtendo-se com isso o reforço ou atenuação desejados.
Veja o leitor que os potenciômetros usados são de 100 k, valor muito comum que facilita tremendamente a montagem.
No projeto original são usados potenciômetros duplos deste valor.
O uso de potenciômetros duplos é justificado pelo fato de termos de equalizar do mesmo modo os dois canais de um sistema estéreo, o que quer dizer que o circuito deve ser montado em duplicata.
A placa que damos para os leitores já prevê isso, ou seja, já contém os componentes para a versão estéreo.
Importante neste tipo de montagem é a manutenção de ligações curtas e diretas para que zumbidos ou oscilações não prejudiquem o som reproduzido.
A alimentação do circuito é feita com uma tensão de 12 V, que pode vir do próprio carro ou então de uma fonte, em se tratando de um sistema doméstico.
Importante, neste segundo caso, é a sua filtragem que deve ser bem feita para que não ocorram problemas de zumbidos.
Os transistores do tipo BCS48 proporcionam bom ganho para a finalidade proposta.
OS COMPONENTES
Uma das características deste equalizador está na utilização de componentes comuns de baixo custo, o que o torna diferente dos sistemas mais sofisticados.
Nem por isso, seu desempenho deixa de ser tão bom como o dos demais, pois as soluções simples não implicam necessariamente em perda de qualidade.
Outra característica está na caixa de reduzidas dimensões, conforme mostra figura 5.
Esta caixa tem um formato que permite sua fácil instalação no carro e também no sistema de som doméstico.
Com relação aos componentes eletrônicos, são as seguintes as principais observações a serem feitas:
Os transistores podem ser do tipo BC548 ou BC238. Tipos de menor nível de ruído podem também ser experimentados, principalmente para o caso de Q1.
Como exemplo citamos os tipos BC239 e BCS49.
Os potenciômetros são comuns duplos lineares de 100 k. Dada a montagem em placa de circuito impresso são usados os tipos miniatura com terminais para fixação direta na placa.
Os resistores são todos de valores comuns com 1/8 ou mesmo ¼ W, não havendo restrições quanto à tolerância.
Os capacitores eletrolíticos são especificados para uma tensão de trabalho de 16 ou 25 V, enquanto que os menores podem ser cerâmicos, tipo plate ou disco com tensão de trabalho de pelo menos 25 V.
O leitor deve ter os recursos para a realização da placa de circuito impresso segundo o nosso padrão.
Veja que na placa também existe uma chave comutadora de 4 polos x 2 posições tipo pressão para desligar o equalizador fazendo o sinal passar “direto" ao amplificador.
Veja que o equalizador é intercalado entre a fonte de sinal, que pode ser o toca--fitas, sintonizador, rádio FM, etc. e o amplificador. (figura 6)
Material adicional pode ser conseguido com facilidade. Temos então os fios, parafusos e porcas, separadores para montagem da placa, knobs para os potenciômetros, etc.
MONTAGEM
Soldagens bem feitas e colocação correta dos componentes são essenciais para uma montagem bem feita. Use um soldador de boa qualidade e pequena potência e as ferramentas certas para cada operação.
Na figura 7 temos o circuito completo de um dos canais do equalizador.
Na figura 8 temos a placa de circuito impresso, agora para os dois canais.
Na montagem, o seguinte procedimento é o mais recomendável para uma realização perfeita.
a) Solde em primeiro lugar os transistores observando sua posição que é dada em função da parte achatada de seu invólucro. Seja rápido na soldagem, pois estes componentes são delicados.
b) Solde em seguida os resistores, observando seus valores que são dados pelas faixas coloridas em seu invólucro. Não é preciso observar sua polaridade. Seja rápido nesta operação.
c) O leitor deverá soldar agora os capacitores pelos de menor valor, ou seja, os cerâmicos. Veja seus valores que são marcados em seus invólucros e seja rápido em vista de sua sensibilidade ao colar.
d) Para soldar os capacitores eletrolíticos é preciso tomar cuidado com a polaridade marcada em seu invólucro, a qual deve acompanhar a disposição dada na placa de circuito impresso.
e) Agora o leitor deve soldar os "jumpers", que são pedaços de fios encapados ou mesmo sem capa, interligando diversos pontos da placa. São 8 os jumpers usados nesta montagem
f) Para soldar os potenciômetros basta encaixá-los nos furos apropriados. Veja bem o comprimento do eixo antes de fazer a soldagem, pois ele determinará a posição da placa no interior da caixa.
g) Complete esta fase da montagem com a soldagem da chave comutadora, segundo mostra o desenho.
Com a placa pronta o leitor deve passar à fase seguinte que corresponde às ligações externas.
São 6 as ligações que devem ser feitas na placa sendo elas:
a) Duas correspondentes à alimentação
b) Duas correspondentes às entradas (canal direito e esquerdo).
c) Duas correspondentes às saídas (canal direito e esquerdo).
Veja que o polo neutro correspondente tanto à entrada e saída são comuns ao negativo da alimentação.
Terminada a montagem, confira tudo, e se constatar que não há nenhum problema aparente, pode passar à prova de funcionamento.
PROVA E USO
Na figura 9 temos a maneira de se fazer a ligação do equalizador entre o aparelho básico (toca-fitas, rádio/FM, etc.) e o amplificador.
Ligue o amplificador e o toca-fitas ou receptor de FM.
Ligue o equalizador, pressionando a chave.
Coloque todos os potenciômetros na posição normal, ou seja, no meio de seu pressionando a chave e leve o cursor, que corresponde ao zero da escala (ao fixar os knobs veja para que a marcação de zero coincida com o meio do giro do potenciômetro).
Ajuste o volume do toca-fitas ou sintonizador e do amplificador para que haja reprodução normal.
A seguir, atue sobre cada potenciômetro verificando o corte ou reforço das frequências determinadas.
Desligando o equalizador, o amplificador e o toca-fitas ou receptor de FM devem funcionar normalmente.
Para usar o equalizador basta ajustar os potenciômetros para haver reforço das faixas de frequências que o bom ouvido de cada um perceber que não estão sendo reproduzidas convenientemente.
Para cada tipo de música, para cada tipo de ambiente, haverá uma equalização ideal.
Lista de Material
Q1 a Q6 - BC548 ou BC238 – transistores NPN de silício
P1 a P4 – 100 k - potenciômetros duplos sem chave, para circuito impresso
CH1 - chave de 4 polos x 2 posições com trava
C1, C14 – 100 nF ou 0,1uF - capacitores cerâmicos
C2, C3, C9, C12, C15, C16, C22, C23 - 4,7 uFx x 25 V - capacitores eletrolíticos
C4, C17 – 68 nF ou 684 - capacitores cerâmicos
C5, C8, C15, C19 - 4n7 - capacitores cerâmicos
C6, C20- 22 nF ou 223 - capacitores cerâmicos
C7, C21 – 15 nF ou 154 - capacitores cerâmicos
C10, C24 – 100 pF - capacitores cerâmicos
C11, C25 – 220 uF x 25 V - capacitores eletrolíticos
C13, C26 – 10 uF x 25 V - capacitores eletrolíticos
R1, R20, R25, R26 – 180 k x 1/8 W – resistores (marrom, cinza, amarelo)
R2, R27 – 220 k x 1/8 W - resistores (vermelho, vermelho, amarelo)
R3, R28 – 68 k x 1/8 W - resistores (azul, cinza, laranja)
R4, R29 – 47 k x 1/8 W - resistores (amarelo, violeta, laranja)
R5, R11, R16, R30, R31, R32 - 1k5 x 1/8 W resistores (marrom, verde, vermelho)
R6, R22, R33, R34 – 330 R x 1/8 W - resistores (laranja, laranja, marrom)
R7, R10, R15, R35, R36, R37 - 2k2 x 1/8 W resistores (vermelho, vermelho, vermelho)
R8, R12, R13, R38, R39, R40 – 10 k x 1/8 W resistores (marrom, preto, laranja)
R9, R14, R4I, R42 - 3k3 x 1/8 W – resistores (laranja, laranja, vermelho)
R17, R18, R43, R44 - 33k x 1/8 W – resistores (laranja, laranja, laranja)
R19, R45 - 1k2 x 1/8 W - resistores (marrom, vermelho, vermelho)
R21, R46 - 4k7x 1/8 W - resistores (amarelo, violeta, vermelho)
R23, R47 – 150 R x 1/8 W - resistores (marrom, verde, marrom)
R24 – 82 R x ¼ W - resistor (cinza, vermelho, preto)
R48 – 1 k x 1/8 W - resistor (marrom, preto, vermelho)
LED1 - LED vermelho comum
Diversos: placa de circuito impresso, fios, solda, parafusos e separadores, botões para os potenciômetros, caixa, etc.






















