Um circuito de controle remoto por pulso luminoso, que pode ter muitas utilidades, é o que apresentamos aqui. os que gostam de fotografia podem usá-lo como elemento de disparo para um flash auxiliar ou na obtenção de instantâneos de raios ou explosões. os que queiram aplicá-lo em sistemas de alarme, ou controle à distância por feixe de luz, também terão esta possibilidade.

No nosso artigo deste mês sobre controle remoto apresentamos um módulo de controle por flash de luz, cuja aplicação básica sugerida é em conjunto com flashes de máquinas fotográficas ou mesmo somente com as máquinas fotográficas.

As duas aplicações básicas são ilustradas a seguir.

Na primeira, mostrada na figura 1, temos a utilização do aparelho no disparo de um flash auxiliar pela luz de um flash ligado à máquina. Podemos, com este sistema, iluminar o objeto fotografado de dois ângulos diferentes, eliminando assim as sombras.

 

Figura 1 – Flash auxiliar
Figura 1 – Flash auxiliar | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Outra possibilidade é mostrada na figura 2 e consiste no disparo da máquina a partir da luz de uma explosão ou de um relâmpago durante uma tempestade para se obter a sua foto.

 

Figura 2 – Fotografando relâmpagos e raios
Figura 2 – Fotografando relâmpagos e raios | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Além das aplicações em fotografa, pode o leitor utilizar o módulo para disparar alarmes a distância, a partir de um feixe de luz ou para outro tipo de controle.

 

 

COMO FUNCIONA

 

Na figura 3 temos o diagrama simplificado do nosso sistema disparado por luz que tem por elementos principais um SCR e um foto-transistor.

O elemento sensível à luz é um foto-transistor comum que tem a corrente entre seu coletor e o seu emissor alterada pela luz incidente. A luz neste elemento sensor provoca a liberação de portadores de carga nas junções semicondutoras, diminuindo sua resistência. (figura 4)

 

Figura 4 – O Foto-transistor
Figura 4 – O Foto-transistor | Clique na imagem para ampliar |

 

Com um pulso luminoso atuando sobre o transistor, a variação de corrente é muito rápida, passando, via um capacitor, para uma etapa amplificadora de dois transistores, conforme mostra a figura 5.

 

Figura 5 – Funcionamento do foto-transistor
Figura 5 – Funcionamento do foto-transistor | Clique na imagem para ampliar |

 

 

São usados dois transistores complementares em acoplamento direto, obtendo-se no coletor do segundo uma corrente de intensidade suficiente para disparar o elemento final do circuito que é um sensível SCR.

Este SCR pode ser usado tanto para disparar um relê como para disparar diretamente um circuito de flash. Temos então duas possíveis configurações para o circuito.

A primeira é mostrada na figura 6 e é usada para controlar um relê.

 

Figura 6 – Disparo de relé
Figura 6 – Disparo de relé | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Neste caso, a alimentação do circuito é feita com uma tensão de 9 V, ficando o relé em série com o SCR. Veja que, nesta configuração, o relê uma vez disparado assim permanece até ser rearmado, o que é possível pressionando-se o interruptor em paralelo com o SCR.

A segunda versão é mostrada na figura 7.

 

Figura 7 – Segunda versão
Figura 7 – Segunda versão | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Nesta o SCR controla diretamente a alta tensão dos flashes comuns de máquinas fotográficas que podem superar os 300 V. (O SCR deve ser capaz de suportar esta tensão)

Um sistema redutor da alta tensão do flash para 10 V é usado, tendo por base um diodo zener.

Na figura 8 temos um circuito típico de flash com lâmpada de xenônio, sem a parte osciladora, para que o leitor tenha uma ideia de seu modo de funcionamento.

 

Figura 8 – Flash comum
Figura 8 – Flash comum | Clique na imagem para ampliar |

 

Um oscilador alimenta um transformador de onde se obtém a alta tensão para a carga do capacitor. O sistema de disparo acopla o capacitor carregado (alguns microfarads ou mais com centenas de volts) à lâmpada de gás xenônio.

No ponto X e Y do circuito é que ligamos o nosso controle remoto para ter seu disparo pelo sistema auxiliar.

 

 

MONTAGEM

 

A montagem do disparador remoto é relativamente simples, podendo ser feita em placa de circuito impresso ou mesmo em ponte de terminais.

O circuito completo da primeira versão é mostrado na figura 9.

 

Figura 9 – Primeira versão
Figura 9 – Primeira versão | Clique na imagem para ampliar |

 

A segunda versão é mostrada na figura 10.

 

Figura 10 – Segunda versão
Figura 10 – Segunda versão | Clique na imagem para ampliar |

 

 

As placas de circuito impresso são dadas nasfiguras11 e 12.

 

Figura 11 – Placa para a versão 1
Figura 11 – Placa para a versão 1 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

 

Figura 12 – Placa para a versão 2
Figura 12 – Placa para a versão 2 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 13 temos uma das versões em ponte de terminais.

 

Figura 13 – Primeira versão em ponte de terminais
Figura 13 – Primeira versão em ponte de terminais

 

 

Os principais cuidados que devem ser tomados com a montagem são:

a) Observe a polaridade do foto-transistor, já que os terminais de emissor e coletor apenas são usados. O terminal da base deve ficar livre. O foto-transistor deve ser montado na caixa de modo a poder receber a luz do flash auxiliar ou da fonte de disparo.

b) Cuidado para não confundir os dois transistores, já que um é NPN e o outro é PNP. Cuidado ao soldá-los, pois são sensíveis ao calor. Observe também sua polaridade dada pela parte achatada.

c) Observe a polaridade ou posição do SCR que pode ser qualquer um da série 106 para 300 V se sua versão for a direta para flash. Se for disparar relê pode ser um SCR 106 para 50 V.

d) Os diodos também são componentes polarizados, isso tanto no caso dos diodos retificadores como do diodo zener. A faixa no invólucro indica a posição em que devem ser montados. O excesso de calor na soldagem é perigoso à integridade destes componentes.

e) Na soldagem do capacitor eletrolítico, deve-se tomar cuidado com sua polaridade. Este capacitor deve ter uma tensão de trabalho de pelo menos 12 V.

f) O capacitor menor pode ser de poliéster ou cerâmica, com valores entre 47 nF e 220 nF. Veja que este capacitor dá a velocidade de resposta do circuito, devendo ser obtido após certa experimentação.

g) Os resistores são todos de 1/8 ou ¼ W com tolerância de 10% ou 20%.

h) Se sua versão usa relê, a ligação da bobina deve ser feita com cuidado, identificando-se os terminais usados. Os terminais dos contatos vão ao circuito controlado utilizando-se para isso fios de acordo com a potência.

Se sua versão é a direta para disparo do flash, deve-se usar conector apropriado, conforme sugere o próprio desenho, devendo o montador verificar com antecedência a polaridade dos fios. Tome por base o circuito de flash dado como exemplo.

i) Na versão com relê o montador deve observar com cuidado a polaridade da fonte de alimentação.

j) O trimpot de 10 k é um ajuste de sensibilidade que eventualmente pode ser eliminado, sendo substituído por um resistor fixo de 2k7 em série com um de 4k7, ficando o de 2k7 do lado da terra.

 

 

PROVA E USO

 

A prova depende da versão. Se sua versão usar relê, ligue entre os contatos uma lâmpada pequena alimentada pela rede ou por pilhas, conforme quiser.

Se sua versão for para o controle de flash, faça a sua conexão num flash comum.

A seguir, use um segundo flash de prova, disparando-o próximo do foto-transistor.

Veja se ocorre o disparo. Se não ocorrer, ajuste o trimpot e tente novamente até conseguir o disparo.

 

 

LISTA DE MATERIAL

 

 

Versão 1

 

Q1 - qualquer foto-transistor

Q2 - BC547, BC548 ou equivalente

Q3 - BC557, BC558 ou equivalente

SCR – MCR106 ou equivalente

VZ – 10 V x 400 mW - diodo zener

P1 – 10 k - trimpot

C1 - 100 nF « capacitor cerâmico (ver texto)

C2 - 10 uF x 12 V - capacitor eletrolítico

R1 – 220 k x 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, amarelo)

R2 – 100 k x 1/8 W - resistor (marrom, preto, amarelo)

R3 – 27 k x 1/8 W - resistor (vermelho, violeta, laranja)

R4 – 1 k x 1/8 W - resistor (marrom, preto, vermelho)

R5 - 2M2 x 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, verde)

D1 - IN4004 - diodo retificador

Diversos: caixa de montagem, placa de circuito impresso, conector, fios, solda, etc.

 

Versão II

 

SCR – MCR106 - diodo controlado de silício

Q1 - qualquer foto-transistor

Q2 - BC54 7, BC548 ou equivalente

Q3 - BC55 7, BC558 ou equivalente

D1 ~ 1N914 - diodo de silício

CI - 100 nF - capacitor cerâmico (ver texto)

C2 - 100 uF x 12 V - capacitor eletrolítico

R1 – 220 k x 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, amarelo)

R2 – 100 k x 1/8 W - resistor (marrom, preto, amarelo)

R3 – 27 k x 1/8 W - resistor (vermelho, violeta, laranja)

R4 – 1 k x 1/8W - resistor (marrom, preto, vermelho)

P1 – 10 k - trimpot

K1 - relê de 6 ou 9V(RU101 006 ou equivalente)

Diversos: placa de circuito impresso, conector para bateria, fios, caixa para montagem, etc.

 

 

 

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