Um problema para muitos leitores que pretendem montar um sistema de rádio controle está no circuito crítico do receptor. Se quisermos ter um sistema de boa confiabilidade e sensibilidade, precisamos de circuitos especiais que exigem ajustes críticos e não são simples de montar. Levando em conta isso, damos aos leitores uma alternativa interessante neste artigo: por que não usar um rádio comum de AM ou FM como receptor de controle remoto?

Se examinarmos um circuito receptor de rádio comum, AM ou FM, e o compararmos com um receptor equivalente de rádio controle, veremos que as diferenças estruturais são poucas.

Tão poucas são estas diferenças que podemos perfeitamente adaptar um para exercer a função do outro, e isso com relativa facilidade. Em certos casos, essas adaptações são tão poucas que podem ser externas e não exigem modificações ou alterações no circuito do aparelho adaptado.

Neste artigo mostraremos justamente como fazer uma adaptação deste tipo, uma adaptação sem a necessidade de alterações internas, mas somente de acréscimo de componentes externos, para usar um rádio comum, de AM ou FM, como receptor de controle remoto.

O sistema básico proposto é de um canal apenas, mas sua simplicidade é muito grande e, igualmente, sua gama de aplicações muito ampla.

Dentre as possíveis aplicações, damos as seguintes:

a) Abertura de portas de garagem.

b) Brincadeiras com o acendimento de lâmpadas ou toque de campainhas por controle remoto.

c) Rádio alarme.

O mais importante é que a adaptação não é permanente, mas sim momentânea.

Quando o leitor não estiver usando o rádio como receptor de controle remoto, pode utilizá-lo na sua função normal, simplesmente desconectando o jaque adaptador. (figura 1)

 

Figura 1 – A adaptação
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FUNCIONAMENTO

 

Na figura 2 temos a estrutura de um receptor super-heteródino de AM ou FM comum comparada a um receptor super-heteródino de rádio controle.

 

Figura 2 – Comparação de estruturas de receptores
Figura 2 – Comparação de estruturas de receptores | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Conforme o leitor pode perceber, as diferenças principais estão nas etapas finais, após a detecção do sinal. Enquanto no rádio comum temos um sinal de áudio que é amplificado para ser levado a um alto-falante, no receptor de rádio controle de um canal, temos um circuito que amplifica o sinal para ser aplicado a um relê ou outro dispositivo de controle.

A adaptação que sugerimos no nosso artigo, consiste em usar o circuito completo do receptor comum de AM ou FM, mas em lugar de aplicar o sinal detectado e amplificado num alto-falante, o aplicamos a uma etapa apropriada para excitação de um relê, conforme mostra a figura 3.

 

Figura 3 – A adaptação
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Sendo este sinal um tom de áudio, ele pode ser retificado e amplificado, podendo com isso excitar um relê comum com apenas um transistor.

Tudo que temos de fazer para isso é adaptar a impedância de saída do receptor, normalmente baixa por causa do alto--falante, através de um transformador, depois retificar o sinal para levá-lo a um transistor amplificador.

Na figura 4 temos o simples circuito que pode fazer tudo isso.

 

Figura 4 – Circuito adaptador
Figura 4 – Circuito adaptador | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O capacitor C1 deste circuito elimina a vibração dos contatos do relê e evita seu disparo com pulsos de curta duração como, por exemplo, os que podem ser produzidos por interferências, ruídos, etc.

Com um capacitor pequeno a ação do relê é rápida. Podemos reduzir a prontidão do sistema aumentando o valor de C1.

O diodo D2 protege o transistor das altas tensões induzidas na bobina do relê quando de sua desativação.

Veja que este circuito não precisa de nenhum ajuste ou controle, pois tudo isso é feito no próprio rádio.

A frequência do sistema será então ajustada no receptor e a sensibilidade no potenciômetro de volume.

Importante para que este sistema funcione é que o sinal do transmissor deve ser modulado em tom.

 

 

OPÇÕES

 

Conforme sugerimos, o sistema pode ser usado tanto em rádios de AM como de FM.

Os receptores de FM permitem uma atuação melhor, pois com menos potência no transmissor pode-se ir “mais longe". Com um transmissor típico de menos de 20 mW, pode-se chegar até 50 metros, o que está dentro dos limites legais.

Por outro lado, com esta mesma potência no transmissor, no sistema AM o alcance não será maior do que 5 m. Assim, para obter pelo menos uns 15 m de alcance no caso de AM, já precisamos de um transmissor relativamente grande.

Para o caso de FM, sugerimos o transmissor publicado neste sita (ART2522), com pequena alteração na bobina L1 que, em lugar de 5 espiras, passa a ter 3 ou 4 para cair na faixa de FM.

O circuito deste transmissor é dado novamente para os leitores que não estão conseguindo acessar o artigo.

Para o caso de AM, temos um circuito relativamente simples, que pode funcionar em aplicações de curto alcance, mostrado na figura 5.

 

Figura 5 – O transmissor
Figura 5 – O transmissor | Clique na imagem para ampliar |

 

O receptor de FM pode ser de qualquer tipo, assim como o de AM.

 

 

MONTAGEM

Todos os componentes usados na montagem são comuns, não sendo motivo de qualquer preocupação para o leitor. Para a soldagem o leitor deve usar as ferramentas convencionais e existem duas opções quanto à realização prática: em ponte de terminais ou em placa de circuito impresso.

Dado o número reduzido de componentes, qualquer das duas versões é acessível aos montadores que não sejam muito experientes.

Na figura 6 temos então o circuito completo do "Adaptador de Rádio Controle".

 

Figura 6 – Circuito completo do adaptador
Figura 6 – Circuito completo do adaptador | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A versão em ponte de terminais, que é a mais simples, é mostrada na figura 7.

Figura 7 – Versão em ponte de terminais
Figura 7 – Versão em ponte de terminais | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Damos nesta versão, assim como no esquema, o acionamento de uma lâmpada piloto de 6 V, mas o leitor pode, na realidade, ligará distância outros dispositivos, pois ensinaremos como fazer isso.

A versão em placa de circuito impresso é mostrada na figura 8.

 

Figura 8 – Placa para a montagem
Figura 8 – Placa para a montagem | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na montagem observe os seguintes pontos:

A) Ao soldar o transistor observe sua posição dada em função da parte achatada. O transistor pode ser o BC548 ou qualquer equivalente, como o BC237, BC238 ou BC547.

b) O relê é do tipo sensível de 6 V. Pode ser usado o Schrack RU 101006 ou ainda o Metaltex OP1RCTR400.(*) Estes relês podem controlar correntes de 6 e 15 A, respectivamente.

(*) O artigo é de 1983. Use equivalentes modernos.

c) O transformador T1 é do tipo de saída para transistores com impedâncias de primário entre 200 e 2 000 ohms e secundário de 8 ohms. A sensibilidade do circuito depende, de certo modo, deste componente.

d) D1 e D2 são diodos se silício de uso geral. Os tipos que podem ser usados são os 1N4148, 1N914, 1N4002, 1N4004, 1N4007, etc. Observe sua polaridade ao fazer sua soldagem.

e) C1 pode ter valores entre 100 nF e 4,7 uF. Se o valor for inferior a 1 uF use tipos cerâmicos ou de poliéster. Se for maior que 1uF, use eletrolíticos para 12 ou 16V. Observe, neste caso, a polaridade para fazer a soldagem.

f) B1 é uma bateria de 6 ou 9 V. Para obter 6 V use 4 pilhas pequenas, e para obter 9 V o leitor pode usar 6 pilhas pequenas ou então uma bateria única. Atualmente, entretanto, sai mais barato usar 6 pilhas pequenas em lugar de uma única bateria, se bem que o volume ocupado seja maior. Observe a polaridade do suporte das pilhas ao fazer sua ligação.

g) S1 é um interruptor simples que é optativo, já que na condição de falta de sinal de excitação do relê o consumo de corrente é mínimo.

h) Na versão dada como exemplo fazemos o relê acionar uma pequena lâmpada de 6 V x 50 mA. Esta lâmpada pode ser do tipo Phílips 7121D (*). Se o leitor quiser o controle de outros dispositivos faça a ligação do relê a uma barra de terminais com parafusos, conforme mostra a figura 9.

(*) Use um LED em série com um resistor de 470 ohms.

 

Conexão da carga controlada
Conexão da carga controlada | Clique na imagem para ampliar |

 

 

i)A conexão ao receptor é feita por um plugue (J1) de acordo com o jaque de saída de som. Nos rádios comuns, a conexão do fone desliga automaticamente o alto-falante, pois é usado um jaque do tipo circuito-fechado. Se seu rádio não tiver este adaptá-lo, jaque você pode conforme mostra a figura abaixo.

 

Adaptação do jaque
Adaptação do jaque | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Terminada sua montagem, antes de instalar o aparelho numa caixa apropriada, será conveniente verificar se ele funciona.

Para isso você não precisará ter seu transmissor montado, pois a prova pode ser feita sintonizando uma estação comum.

 

 

PROVA

 

Sintonize seu receptor de FM ou AM numa estação qualquer à médio volume inicialmente. Depois de feita a sintonia, abaixe totalmente o volume, mas mantenha o aparelho ligado e na posição inicial de melhor recepção.

Coloque as pilhas no sistema de acionamento do relê e conecte o jaque na saída do fone do receptor.

Ligue o sistema de acionamento, acionando S1. O relê deve manter-se desativado com a lâmpada apagada.

Vá agora aumentando vagarosamente o volume do receptor de rádio. Em dado momento o relê será acionado, acompanhando os picos de áudio, ou seja, a voz do locutor ou a música, quando então a lâmpada piscará. Ocorrendo conforme o descrito é porque o aparelho está bom.

Se o acionamento só ocorrer no máximo do volume ou não ocorrer, reduza inicialmente o valor de C1. Se ainda assim nada acontecer, então o transformador deve ser trocado por outro de maior impedância de primário.

Obs.: o sistema só deve ser usado com radinhos portáteis, portanto, de pequena potência.

 

 

USO

 

Conforme sugerimos na introdução, existem diversas possibilidades de uso para este sistema.

a) Controle simples de um canal

Este pode ser usado na abertura de portas de garagens, no acionamento remoto de projetores de slides, etc.

Para controlar o aparelho desejado a ligação é mostrada na figura abaixo, respeitando-se o limite de corrente dos contatos do relê.

 

Composição do sistema
Composição do sistema | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Basta ajustar o receptor para uma frequência livre e o transmissor para a mesma.

O alcance depende da sensibilidade do receptor e da faixa usada.

 

b) Lâmpada mágica

Esta é uma brincadeira que você pode fazer usando uma lâmpada oculta numa “bola de cristal" com o aparelho igualmente escondido. Combinando com um amigo para acionar o transmissor você pode fazer a lâmpada responder às suas perguntas. (figura)

 

A lâmpada mágica
A lâmpada mágica | Clique na imagem para ampliar |

 

 

c) Rádio alarme

O transmissor pode ser instalado no seu carro, sendo acionado pela abertura da porta ou por outro sistema de segurança. O sinal disparará uma campainha ligada ao relê na sua cabeceira.

O rádio ficará permanentemente ligado, utilizando-se para maior economia uma fonte, conforme sugere a figura abaixo.

 

Rádio alarme
Rádio alarme | Clique na imagem para ampliar |

 

 

d) Controle de modelos

Barcos e carros, pelas suas dimensões, admitem a colocação de rádios portáteis, que podem ser usados como receptores de controle. Na nossa versão damos apenas a possibilidade de ligação de um canal, mas analisaremos futuramente a expansão do sistema para maior número de canais.

 

 

Lista de Material

 

Q1 - BC548 ou equivalente - transmissor NPN de silício

D1, D2 - 1N4148 - diodos de silício

T1 - transformador de saída miniatura com primário de 200 a 2 000 ohms e secundário de 8 ohms

C1 - 100 nF a 4,7uF - capacitor de poliéster, cerâmico ou eletrolítico, conforme o valor

K1 - relê sensível de 6 V - ver texto

B1 - 6 ou 9 V - 4 ou 6 pilhas pequenas - bateria

L1 - 7121D - lâmpada de 6 V (Philips) (ou LED – ver texto)

J1 - plugue de acordo com 0 jaque do rádio

S1 - interruptor simples

Diversos: placa de circuito impresso ou ponte de terminais, suporte para pilhas, fios, solda, etc.

 

 

 

Obs. Nos grandes centros, o nível de interferência é bastante elevado, principalmente na faixa de AM dificultando a utilização deste circuito.

 

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