Um aparelho para incrementar o painel de seu carro, para lembrar os distraídos que a seta está ligada ou, simplesmente, para dar um toque diferente à sua máquina. Um LED piscará e dois diferentes tons o avisarão se a seta está ligada, dando indicação de direção para a direita ou esquerda.
Obs. Este artigo é de 1983.
Alguns leitores podem pensar que este aparelho não tem muita utilidade, mas outros certamente não. Para os distraídos, por exemplo, que se esquecem de desativar o indicador de seta após uma conversão, quando o retorno é insuficiente para que o mecanismo automático o faça, trata-se de um aparelho de utilidade.
Os que gostam de ter os painéis de seus carros cheios de indicadores também acharão este aparelho “um barato" e finalmente aqueles que querem ser diferentes, ou que gostam de “sentir" cada manobra ou operação que fazem com o carro, terão nesta montagem algo que vale à pena analisar.
O que propomos é muito simples: um aparelhinho indicador sonoro que será ligado ao sistema de seta de seu carro, mas que ficará no seu painel interno.
Quando você aciona a seta para a direita o aparelho dá uma indicação sonora, emitindo bips de uma frequência, ao mesmo tempo em que um LED pisca.
Quando você dá a seta para a esquerda, o aparelhinho também emite bips, mas de outra tonalidade, ao mesmo tempo em que o LED pisca. (figura 1)

O circuito é muito simples de montar e de instalar e, além disso, o som produzido é agradável. Na verdade, você pode perfeitamente escolher, pelos componentes usados, o volume do som desses bips.
A alimentação do aparelho vem diretamente do circuito elétrico de seu carro, ou seja, é feita com 12 V, o que facilita muito sua instalação.
COMO FUNCIONA
A base do circuito é um capacitor de relaxação que emprega um transistor unijunção. Já temos usado esta configuração em muitas de nossas montagens e sempre que fazemos isso explicamos seu funcionamento, pois, como sempre existem leitores novos, nunca será demais repetir isso.
Na figura 2 temos o circuito de um oscilador de relaxação.
Quando se estabelece a alimentação neste circuito, o capacitor carrega-se pelo resistor, de modo que sua tensão sobe até o ponto em que o transistor “liga". Quando isso acontece, sua resistência diminui consideravelmente, permitindo assim que o capacitor se descarregue.
Terminada a descarga, o transistor desliga e um novo ciclo começa.
Dizemos então que, nesta subida e descida da tensão no capacitor, o circuito “oscila” produzindo um sinal cuja forma de onda é mostrada na figura 3.
O transistor unijunção funciona como uma chave que liga quando a tensão em seu emissor atinge um determinado valor, em torno de 2/3 da tensão de alimentação, conforme os valores usados nas duas bases (B1 e B2).
A tensão de disparo vem de um circuito RC, ou seja, um circuito formado por um resistor e um capacitor.
No emissor do transistor temos então uma forma de onda “dente de serra", enquanto que na base B1, que é a nossa saída, temos pulsos.
A frequência do circuito é o número de vezes, em cada segundo, em que o transistor liga e desliga. Se este número tiver uma frequência entre 15 e 15 000, dizemos que oscilações na faixa de áudio ocorrem e, se um alto-falante for ligado ao circuito, o resultado será a produção de som.
Quanto maior for a frequência, mais agudo será o som.
No oscilador em questão quem determina basicamente a frequência é o capacitor C em conjunto com R. Se mantivermos C fixo e alterarmos o valor de R, o que acontece é o seguinte: quanto menor o valor de R, mais agudo será o som.
Para obtermos dois tons em nosso indicador de seta, é muito simples se levarmos em conta isso. Ligamos o oscilador através de um resistor de um valor (22 k) numa das setas (direita) e através de um resistor de outro valor (27 k) na outra seta (esquerda).
Quando acionarmos um, a frequência produzida será uma, e acionando outro, a frequência mudará.
Como o transistor unijunção não tem muita potência, ele não pode alimentar diretamente, com bom volume, um alto-falante. Por este motivo, o sinal produzido neste oscilador deve ser amplificado, sendo utilizado um transistor, conforme mostra a figura 4.
Temos um transistor de potência que aciona diretamente o alto-falante de pequenas dimensões. A intensidade do som depende da resistência ligada entre sua base e a terra, que no caso pode variar entre 100 e 330 ohms.
O leitor pode escolher esta resistência levando em conta que o maior valor resulta em maior volume.
Como a alimentação de todo o circuito é tirada da seta, vinda da bateria do carro, um sistema de dois diodos evita que os sons se “misturem" e que uma seta interfira no funcionamento da outra.
Este mesmo sistema faz com que o LED pisque, qualquer que seja a seta acionada, acompanhando a emissão dos sinais.
OS COMPONENTES
Todos os componentes usados são de baixo custo e fáceis de serem conseguidos.
Começamos pela caixa, que pode ser adaptada ao painel e cuja sugestão é dada na figura 5. Se o leitor preferir, pode dispensar a caixa e adaptar os componentes no painel.
Do aparelho sairão apenas 3 fios, dois que serão ligados aos fios das lâmpadas indicadoras de direção e o outro em qualquer ponto do chassi.
As possíveis técnicas de montagem que sugerimos são em placa de circuito impresso, para os que possuem o laboratório, e em ponte de terminais, para os principiantes.
Os componentes eletrônicos usados são os seguintes:
O transistor unijunção é o 2N2646 que é o mais conhecido, mas equivalentes podem ser experimentados.
O transistor Q2 é um NPN de potência. Experimentamos o BD135, mas equivalentes diretos, como o BD137 e o BD139, também servem.
Outra alternativa é o uso do TIP29 e do TIP31, mas estes têm disposição de terminais diferente. O coletor coincide, mas as bases e emissores são trocados em relação aos BD.
D1 e D2 são diodos de silício de uso geral. Originalmente foram usados os1N4002, mas equivalentes, como os 1N4004, 1N4007 e BY127, servem.
Para o LED não há restrições. Qualquer um serve.
Os resistores são todos da 1/8 ou ¼ W e o único capacitor pode ser tanto cerâmico, como de poliéster, do valor indicado ou mesmo próximo. Um valor maior resultará num som mais grave e um valor menor num som mais agudo.
Finalmente temos o alto-falante que é pequeno, de 5 cm, para facilitar sua colocação na caixa ou sob o painel.
Material adicional é a placa de circuito impresso ou ponte de terminais, fios, solda, etc.
MONTAGEM
Na figura 6 temos o diagrama completo do “set-car", com os componentes representados por seus símbolos.
Na figura 7 temos a versão para principiantes, feita em ponte de terminais.
Esta ponte deverá ser fixada em base de material isolante.
Para os mais avançados damos a versão em placa de circuito impresso, que é mostrada na figura 8.
Para que a montagem saia perfeita, sugerimos que o leitor siga a seguinte sequência:
a) Solde, em primeiro lugar, o transistor unijunção, prestando o máximo de atenção em sua posição. Veja que, na ponte, o ressalto fica para cima e para a esquerda. Se houver inversão o aparelho não funciona. Solde o transistor rapidamente, pois o excesso de calor o afeta.
b) Solde depois o transistor Q2, observando também, nas duas versões, sua posição.
c) Solde os diodos D1 e D2. Veja que estes componentes são polarizados e que sua polaridade é dada pelos anéis. Veja sua posição pelos desenhos.
d) Para soldar os resistores siga apenas os valores, que são dados pelas faixas coloridas. Na montagem em ponte, corte os terminais e dobre-os de acordo com a separação dos pontos de ligação.
e) Solde o capacitor C1. Observe o seu valor e cuidado com o excesso de calor que pode danificá-lo.
f) Se sua montagem for em ponte de terminais, faça as interligações, que são realizadas com pedaços de fio comum. Estas interligações são duas.
g) Depois disso, faça a conexão do LED, usando pedaços de fio em comprimento de acordo com sua posição na caixa ou painel. Cuidado com a polaridade deste componente, que é dada pela sua parte achatada.
h) O próximo componente a ser ligado é o alto-falante, sendo usados para isso dois pedaços de fio comum. Seu comprimento depende da posição do alto-falante na caixa.
Complete a montagem com a colocação de três pedaços de fios para as conexões externas. Use fios de cores diferentes: preto para o terra (T), verde para o da seta direita (D) e vermelho para a seta esquerda (E).
Depois disso é só experimentar o aparelho.
PROVA E INSTALAÇÃO
A prova pode ser feita fora do carro, com a utilização de uma fonte de 6 a 12 V ou mesmo 4 pilhas pequenas.
Ligue ao polo negativo da fonte o fio terra (T). Depois encoste no polo positivo primeiro o fio E e depois o fio D. (figura 9)
Encostando um dos fios, o alto-falante emite um som contínuo, e o mesmo acontece com o outro, mas com tonalidade diferente.
Ocorrendo isso, é só instalar o sistema no carro.
Fixe a caixa no painel, ou instale o aparelho no seu interior. O fio T será conectado em qualquer ponto do chassi.
O fio D irá até o ponto em que passa o fio que alimenta as lâmpadas de seta da direita e o fio E irá para o ponto em que passar o fio para as lâmpadas da esquerda, conforme mostra a figura 10.
Experimente o aparelho no carro e, se quiser, pode alterar o som, mudando R1 ou R2.
LISTA DE MATERIAL
Q1 - 2N2646 - transistor unijunção
Q2 - BD135 ou equivalente - transistor NPN
D1, D2 - 1N4002 ou equivalentes - diodos de silício
LED1 - LED vermelho comum
R1 – 27 k x 1/8 W - resistor (vermelho, violeta, laranja)
R2 – 22 k x 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, laranja)
R3 – 330 R x 1/8 W - resistor (laranja, laranja, marrom)
R4 - 100 a 330 R x 1/8 W - resistor (ver texto)
R5 – 680 R x 1/8 W - resistor (azul, cinza, marrom)
C1 – 47 nF ou 0,05 uF - capacitor de poliéster ou cerâmica
FTE ~ alto-falante comum de 8 ohms x 5 cm
Diversos: ponte de terminais ou placa de circuito impresso, caixa para montagem, fios, solda, parafusos, porcas, etc.
























