Um projeto para o hobista que dá suas “pontadas” em outros setores, como a carpintaria, serralheria ou reparação de veículos. Trata-se de um controle de velocidade para furadeiras, que tornará seu serviço muito mais agradável.

Um dos problemas das furadeiras elétricas para a rede de 110 V ou 220 V, é a sua velocidade única.

Como para cada tipo de trabalho existe uma velocidade ideal de operação, podemos dizer que nem sempre a utilização desta útil ferramenta se faz de acordo com o que seria exigido para um trabalho perfeito.

O que propomos neste artigo é um controle de velocidade para furadeiras comuns de pequena porte (3/4") para a rede local, tanto de 110 V como de 220 V.

O controle atuará numa faixa que permite obter velocidades bastante reduzidas, o que pode ser muito interessante para os trabalhos mais delicados.

A montagem do aparelho é muito simples e poucos componentes são usados.

Podemos recomendar este circuito para os hobistas ainda iniciantes na eletrônica e que desejam aprender com uma realização simples, porém de grande utilidade.

 

COMO FUNCIONA

Este controle tem a configuração tradicional.

Trata-se de um controle por retardo de fase, com um triac do tipo TIC226.

O triac é ligado em série com a furadeira, de modo a fornecer sua alimentação.

Na comporta do triac é ligado um circuito de disparo, formado por uma lâmpada neon, dois resistores, um potenciômetro e um capacitor (marcados por NE-1, R1, R2, P1 e C1).

Conforme a resistência apresentada pelo potenciômetro, a carga do capacitor pode ser mais rápida ou mais lenta, demorando então mais ou menos para ser atingida a tensão de disparo da lâmpada neon, em torno de 80 volts.

Somente quando a tensão da lâmpada neon atinge o ponto -do disparo, é que o triac liga, conduzindo a corrente para o motor.

Deste modo, em função da alimentação de corrente alternada da rede local, podemos, pela regulagem de P1, fazer o disparo do triac no início ou no final de cada semiciclo.

Se o disparo for no início, na posição de menor resistência do potenciômetro, a condução será quase que total e a potência do motor será quase que máxima (dizemos quase, pois sempre existe um pequeno retardo).

Se o disparo for no final do semiciclo, pouca corrente é conduzida e a potência será mínima.

Um gráfico para demonstrar o que ocorre é mostrado na figura 1.

 

Figura 1 – Os disparos do triac
Figura 1 – Os disparos do triac | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Entre o máximo e o mínimo de resistência do potenciômetro P1, podemos obter qualquer velocidade do motor.

Um ponto importante deste tipo de circuito é que o controle é feito por pulsos, o que significa que o motor nas velocidades menores praticamente não tem o problema da inércia.

O torque do motor é mantido mesmo nas menores velocidades. A velocidade varia muito, mas o torque se mantém.

O aparelho é montado de modo a permitir sua utilização com outros tipos de ferramentas, tais como lixadeiras, serras tico-tico e até mesmo lâmpadas comuns (não usar lâmpadas fluorescentes).

Uma chave permite a ligação direta, caso em que o controle é retirado do circuito, com a alimentação de toda a tensão disponível.

 

 

MONTAGEM

O circuito completo do controle de velocidade é mostrado na figura 2.

 

Figura 2 – Circuito completo do controle
Figura 2 – Circuito completo do controle | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A realização do aparelho numa pequena ponte de terminais, que será fixada numa base isolante e depois dentro da caixa, é dada na figura 3.

 

Figura 3 – Montagem usando ponte de terminais
Figura 3 – Montagem usando ponte de terminais | Clique na imagem para ampliar |

 

 

São os seguintes os principais cuidados com a montagem e obtenção dos componentes:

O triac é do tipo TIC226 (não use equivalente!), que deve ser dotado de um pequeno radiador de calor, principalmente se sua furadeira exigir mais de 200 W de potência.

O triac deve ter uma tensão de trabalho de 200 V se sua rede for de 110 V e de 400 V se sua rede for de 220 V.

A lâmpada neon é do tipo comum NE-2H ou equivalente, com terminais paralelos, conforme podemos ver pelo desenho em ponte.

O potenciômetro é de 220 k, linear ou log.

Observe a ordem de ligação para que o controle não atue ao contrário.

Os dois capacitores devem ter alta tensão de trabalho. Sugerimos os tipos de poliéster, com pelo menos 450 V de tensão de trabalho se sua rede for de 110 V e pelo menos 600 V se sua rede for de 220 V.

Os resistores são comuns. O resistor R1 deve ser de ½ W ou 1 W, pois aquece-se ligeiramente nas altas velocidades.

O fusível F1 é de 5 A, servindo para proteger o aparelho.

O restante do material pode ser escolhido conforme a vontade de cada um. Cabo de alimentação, tomada de saída e caixa, são estes componentes.

 

PROVA

Para provar o aparelho você pode ligar provisoriamente uma lâmpada incandescente de 40 a 100 W na saída.

Ligue o aparelho na rede de alimentação e gire P1. A lâmpada deve aumentar gradualmente de brilho, indicando o funcionamento do controle.

Depois, é só experimentar a sua ferramenta e usar!

Obs.: todos os controles que usam triacs e SCRs podem gerar pequenas rádio-interferências em aparelhos próximos. Se este for o seu caso, veja no ART2485 (Filtro Contra Interferências) como evitar este problema.

 

 

Lista de Material

Triac - TIC226 - triac para a sua rede de alimentação

NE-1- lâmpada neon NE-2H ou equivalente

P1 – 220 k - potenciômetro

S1 - interruptor simples

C1, C2 - 100 nF x 450 V - capacitores de poliéster

R1 - 8k2 x ½ W - resistor (cinza, vermelho , vermelho)

R2 - 820 ohms x ¼ W - resistor (cinza, vermelho, marrom)

R3 - 330 ohms x ¼ W - resistor (laranja, laranja, marrom)

F1 - fusível de 5 A

X1 - tomada de alimentação

Diversos: caixa para montagem, ponte de terminais, cabo de alimentação, fios, solda, etc.

 

Atenção: para a rede de 220 V pode ser necessário usar para C1 um capacitor de 220 nF para se obter maior faixa de controle.

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