O Brasil acelera o passo no desenvolvimento de tecnologias que prometem comunicações invioláveis, IA adaptada à nossa realidade e a proteção de uma nova geração digital. Com investimento de R$ 300 milhões e parcerias globais, o montante será destinado ao edital Mais Inovação Brasil.
Existe um universo invisível operando sob regras que atropelam tudo o que conhecemos sobre lógica e tempo. Na escala dos átomos, a física tradicional dá lugar a fenômenos onde partículas podem estar em dois lugares simultaneamente ou se comunicar no vazio de forma instantânea.
Com um aporte de R$ 300 milhões via Finep, o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) apoiará projetos que enfrentam o chamado "risco tecnológico", desde a fase inicial de pesquisa até a validação de produtos prontos para o mercado. O objetivo é reduzir a dependência externa e garantir que o país não seja apenas um consumidor, mas o arquiteto das soluções que protegerão nossos dados e otimizarão nossa indústria.
No universo quântico, diferentemente da computação binária, que escolhe entre 0 ou 1, o bit quântico, ou qubit, permite que a máquina explore múltiplos estados ao mesmo tempo. Essa capacidade já está saindo do papel com pesquisadores do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), que acessam remotamente um computador quântico de 200 qubits da IBM em Nova York. O intuito é desenvolver algoritmos para equações de propagação de ondas e simular moléculas para a captura de carbono, unindo a vanguarda da física à preservação ambiental na indústria do petróleo.
No campo da segurança, a física quântica atua como uma sentinela imbatível. Na criptografia comum, a barreira é um cálculo matemático; na quântica, a proteção baseia-se nas leis da física. Tentar interceptar uma informação protegida por essas leis alteraria o estado das partículas, tornando qualquer tentativa de espionagem detectável e inútil.
Mas a inovação brasileira não se tranca apenas em laboratórios de física; ela abraça desafios urgentes do nosso cotidiano digital através de eixos estratégicos, como a IA com Identidade Própria, que incentiva a busca de novos modelos de Inteligência Artificial Generativa em português, garantindo que a tecnologia entenda nossas nuances culturais e seja treinada com dados nacionais. Há também o eixo de Robótica e Modernização, cujo foco se estende a sistemas de robótica avançada com IA para saúde e indústria, além de infraestrutura em nuvem de alto desempenho (GPU Clouds).
Com o laboratório QuantumTec e o histórico do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Informação Quântica, o Brasil prova que tem "cérebros" e infraestrutura para encarar essa nova era. O investimento também assegura a descentralização do saber, reservando pelo menos R$ 90 milhões para projetos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Se o futuro será escrito em linguagem quântica, nossos pesquisadores já começaram a redigir as páginas mais críticas. Ao dominar desde o processamento pesado até a segurança das crianças no ambiente virtual, o Brasil reforça que a tecnologia deve servir, antes de tudo, para proteger a vida e impulsionar o desenvolvimento humano por aqui.

Pesquisador trabalhando com o computador quântico Créditos: CBPF















