Para facilitar a comunicação entre todas as nações do mundo, a humanidade criou sinais, como as letras o qual é possível ler neste artigo. Quando a humanidade começou a sua jornada movimentando os elétrons, descobrindo assim a eletricidade, se fez necessário a criação de símbolos para designar cada tipo de componente empregado num determinado sistema, facilitando a compreensão do esquema elétrico ao redor do mundo.
Como tudo começou
Assim como acontece com o sistema de medidas, onde temos países que adotam o sistema métrico e um outro país que o sistema imperial. O mesmo acontece com a simbologia de componentes eletrônicos, onde temos o padrão ANSI/IEEE usado pelos Estados Unidos, e o padrão IEC usado pela Europa. Com os simuladores de circuitos é possível escolher qual é o padrão que o usuário deseja usar, mas no passado, onde tudo era feito na prancheta de desenho, um padrão tinha que ser adotado.
Mesmo sendo diferentes, onde o sistema ANSI/IEEE usa uma ilustração baseada na função do componente e o padrão IEC usa formas geométricas, é possível entender facilmente ambos os padrões pois são muito semelhantes entre si. Na figura 1 podemos ver o resistor no padrão ANSI/IEEE que parece uma “resistência” e no padrão IEC onde temos um quadrado representando o “espaço” que ele ocupa.

Figura 1 - Diferenças de padrões
Padrão ANSI/IEEE
Chamamos este padrão de padrão americano, pois foi elaborado em 1975, nos Estados Unidos, depois de unir diversos tipos de esquemas de décadas anteriores, este padrão é utilizado até hoje, principalmente na área acadêmica.
Padrão IEC
Atualmente este padrão conta com mais de 1900 símbolos, e foi criado em Londres no ano de 1906, mas a ideia de padronização surgiu dois anos antes para resolver o problema de venda de componentes para o mundo inteiro de forma fácil.
Padrão ABNT
A ABNT e o Cobei utilizam como base o padrão IEC.
O padrão utilizado na Saber Eletrônica
Quando comecei a fazer desenhos na Editora Saber, tinha como editor da revista o Sr. Frank, um senhor de uma inteligência incrível e um sistema de regras rígido. Ele integrava a revista Saber Eletrônica mesmo antes da Editora Saber assumir a sua publicação, e era ele o responsável por manter a estética técnica dos desenhos.
O padrão escolhido era o IEC 60617 e naquela época os desenhos eram feitos à mão, sobre uma prancheta técnica e nanquim. Na época a Isabel Pereira, que também tinha trabalhado com o Sr. Frank nas edições que antecederam as edições Editora Saber, era de extrema habilidade com os esquemas e placas.
Na época existiam réguas com os desenhos dos símbolos (figura 2), mas anos mais tarde surgiram os “transfers”, onde foi possível criar folhas e mais folhas de símbolos que não precisava desenhar, era só colocar sobre o papel e riscar na parte inversa (figura 3).

Figura 2 - A régua de símbolos

Figura 3 - Letraset
Na década de 90, conversando com o Sr. Frank e a Isabel, falei que poderia ser possível desenhar os símbolos no meu 486 e imprimir os esquemas. Depois de alguns meses de desenhos e testes usando o Paintbrush e o Corel 3, foi possível migrar das pranchetas para o computador, que gerava os esquemas para serem colocados no fotolito. Anos depois direto do computador para o fotolito.
O padrão utilizado na INCB Eletrônica
Quando o artigo visa o lado educacional, ainda prefiro utilizar o mesmo padrão criado pelo Sr. Frank. Porém usamos ou publicamos esquemas feitos por simuladores, tais como o Kicad, EaseEDA, Eagle, Proteus e outros.
Durante anos alguns projetistas perguntam porque não é possível fazer o Kicad usar o nosso estilo de símbolo, e a resposta que dou é que não ficaria prático, pois alguns símbolos ficariam grandes demais e espaço nos circuitos atuais se tornam cada vez menores. Um dos motivos que me fazem ir para o Kicad ao invés de desenhar o esquema nos padrões antigos é a complexidade de um circuito, e se um leitor chegou num circuito complexo, ele já passou pela fase do aprendizado básico e já conhece a simbologia aplicada. Vou utilizar o estilo antigo ou artístico sempre que puder, pois é gratificante buscar qualquer circuito na internet e ver os traços inconfundíveis criados pelo Sr. Frank.
Deixo abaixo os links para os exemplos que sempre utilizei quando criei meu banco de imagens vetorizados para você que deseja criar os seus próprios esquemas à moda antiga.
Para baixar os aquivos clique aqui.
Referências
Régua
https://desenhoepintura.com.br/gabarito-e-25/
Transfers Letraset
https://www.letraset.com.br/electro-set-circuitos-eletronicos-letraset
IEEE
https://standards.ieee.org
IEC
www.iec.ch
ABNT Catálogos
https://www.abntcatalogo.com.br/















