Falando de transistores (Artigo Histórico) (ART4462)

Ainda no começo de carreira, me espelhei num autor americano chamado Lou Garner que colaborava então coma revista Eletrônica Popular, onde comecei. Ele tinha uma coluna que então trava do recentemente inserido na tecnologia, o transistor. Foi na sua seção “Falando de Transistores” que publiquei muitos dos meus primeiros artigos. Reproduzo, a seguir, uma dessas seções de uma edição de janeiro de 1966, onde havia um projeto meu, o Geodino, onde ainda assinava com meu nome completo.

 

Por: LOU GARNER (Adaptado e complementado pelo corpo redatorial de Eletrônica Popular)

 

CIRCUITOS ALHEIOS

EIS um interessante rádio receptor transistorizado, alimentado com eletricidade proveniente de reações químicas "subterrâneas", idealizado pelo nosso leitor Newton de Carvalho Braga, de São Paulo.

O que diferencia dos demais estes aparelhos (que o Autor denominou "O Geodino"), é o fato de aproveitar a energia elétrica gerada em duas placas de metais diferentes que são enterradas no solo úmido. As reações químicas que se processam na superfície destas placas é, ao contrário do que se podia imaginar, bastante intensa, ao ponto de fornecer cerca de 50 mW (1 V X 50 mA) de energia elétrica, como no protótipo.

Na verdade, não há nada de misterioso no fenômeno que acarreta a produção de eletricidade. A salinidade e a umidade do solo formam um meio semelhante ao das antigas pilhas elétricas construídas nos laboratórios.

Utilizando-se dois eletrodos de 15 X 15 em, conseguimos obter 0,5 volt com uma corrente de 2 miliampères, energia esta, mais do que suficiente para alimentar o receptor.

O Circuito — Como podemos ver, o circuito do receptor que mostramos na Fig. 1 é o que há de mais simples. L1 e C1 formam um circuito ressonante paralelo que serve para sintonizar os sinais de R.F. captados pela antena. O diodo D1 os detecta e injeta, através do capacitor C2, na base de TR1, onde são amplificados e acoplados aos fones, que devem ser magnéticos e de alta impedância.

Na verdade, TR1 pode ser qualquer transistor p-n-p para áudio, e Dl um diodo detector de germânio ou um equivalente.

 

MONTAGEM

O principal cuidado a ser tomado na montagem do rádio receptor é o da soldagem do transistor e do diodo detector aos outros componentes. Aconselha-se o uso de um dissipador térmico interposto entre o ponto a ser soldado e o transistor ou o diodo. Um alicate de bico fino (bico de pato) é o instrumento mais adequado para esta função.

A acomodação das peças num chassi metálico ou numa armação plástica fica a critério de cada um dos montadores.

Fonte de Alimentação — A potência gerada pela célula depende principalmente da área dos eletrodos, da profundidade, da distância entre elas, da salinidade e da umidade do solo.

 

 


 

 

 

L1 — bobina de antena para ondas médias — Supertena OM-100 ou equivalente

C1 — capacitor variável 410 pF, uma seção

C2 — capacitor eletrolítico 100 µF, 20 volts

D1 — diodo detector 0A85 ou equivalente

TR1 — transistor 0074 ou equivalente p-n-p

J1 — pinos banana

G1 — garras tipo jacaré

1 placa de cobre de 40 x 40 cm

1 placa de zinco de 40 x 40 cm

DIVERSOS: fio, solda, chassi etc.

 

No protótipo utilizamos duas chapas de 30 X 30 cm, urna de zinco e outra de cobre, enterradas a cerca de 50 a 60 cm de profundidade, e afastada uma da outra de aproximadamente 10 cm. Nesta condição, a placa de cobre será o polo positivo e a de zinco o negativo.

Para pôr em funcionamento o "geodino", basta ligar o terminal positivo (cobre) ao emissor do transistor TR1, e o eletrodo negativo (zinco) à junção de C1 e L1.

Abrimos neste ponto um parêntese para avisar que só se alcançam bons resultados quando o receptor está ligado a uma boa antena externa.

Os leitores não fiquem espantados se, após ligarem o aparelho, não ouvirem nada nos fones, pois a pilha leva algum tempo para se formar, e o capacitor, C2 graças a sua alta capacitância e à resistência do resto do circuito, demora algum tempo para se carregar.

Os que têm espírito inventivo poderão formar associações cm série e/ou paralelo, e com isso obter maiores recursos para alimentar outros aparelhos. As montagens poderão espantar os leigos impressionados com um radinho que "chupa" energia do solo.

 


 

 

 


 

 

 

 

JANEIRO. 1966 — Pág. 47 ELETRÔNICA POPULAR — 47

 

 

 


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