Achando que com um único canal nada se pode fazer de sério em matéria de radiocontrole muitos amadores (sem a necessária experiência) resolvem partir diretamente para os sistemas multicanais, na maioria das vezes se embaraçando com problemas de ajustes e montagem, quando conseguem fazer um bom projeto. Neste artigo procuramos mostrar que mesmo os simples monocanais podem oferecer muitas emoções quando utilizados corretamente. Fornecemos diversas sugestões de aplicações práticas que vão desde brinquedos radioguiados ate' dispositivos eletrodomésticos comandados à distância.
Obs. Este artigo fez parte de uma série em que publicamos sobre radiocontrole sendo este de 1979.
Para "os que estão chegando agora" um sistema monocanal é aquele em que um único sinal de comando pode ser enviado do transmissor para o receptor realizando portanto um único tipo de operação.
Na figura 1 temos o diagrama de blocos básico de um sistema de rádio comando monocanal.
Neste sistema quando o interruptor do transmissor é acionado este envia um sinal de rádio o qual ao ser recebido pelo receptor provoca a "ligação" de um dispositivo qualquer.
Num sistema de abertura de portas de garagem o dispositivo ligado será o relê que aciona o motor (o seu desligamento deve ser automático no fim da operação de abertura); num carrinho rádio controlado o dispositivo acionado pode ser um pequeno solenoide que faz o mesmo mudar de direção, apenas num sentido é claro, ou então inverte a rotação do motor dando a "ré" (figura 2).
O alcance de um sistema deste tipo depende de dois fatores básicos: a potência do transmissor e a sensibilidade do receptor. Para os casos comuns, o alcance de um sistema simples deste tipo que empregue o mínimo de componentes é da ordem de 50 metros.
Em suma, com um sistema monocanal podemos fazer uma operação comandada à distância.
Para os principiantes os sistemas monocanais não oferecem dificuldades de montagem, e o que pode ser feito com o auxílio dos mesmos não tem limites. Tudo depende da imaginação, habilidade e disponibilidade de cada um.
Neste artigo daremos algumas sugestões para usos de sistemas monocanais em diversas aplicações práticas. Falaremos apenas dos sistemas finais de operação, ou seja, dos relês e solenoides que podem ser usados já que em números anteriores já tivemos a oportunidade de divulgar projeto completo da parte eletrônica, ou seja, o transmissor e o receptor.
Voltaremos, no entanto, oportunamente com um projeto completo de um brinquedo eletrônico de fácil construção.
O QUE PODE SER FEITO
Devemos distinguir dois tipos de circuitos finais para radiocomando de um canal: os circuitos em que a potência fornecida pelos transistores é suficiente para realizar por si só a operação, e os sistemas em que a saída do circuito é apenas suficiente para disparar um relê.
No primeiro caso podemos citar carrinhos e barcos miniatura que podem ter os sistemas de direção ou leme diretamente acionados por um solenoide, ou seja, um eletroímã ligado à própria saída do receptor. Estes sistemas são viáveis desde que as correntes exigidas pelos dispositivos não sejam superiores a 100 mA (figura 3).
No segundo caso citamos os sistemas em que a carga a ser acionada exige uma grande potência, caso dos sistemas de abertura de portas de garagem, projetores de slides, iluminação à distância, etc. Para este caso o receptor aciona um relê o qual por sua vez liga ou desliga a alimentação do aparelho controlado.
Vejamos então as aplicações práticas para estes circuitos:
Supomos em todos os casos que os relês usados ou os solenoides possam ser facilmente acionados pelos receptores.
ACENDIMENTO DE UMA LAMPADA A DISTANCIA OU ACIONAMENTO DE MOTOR
Diversas são as possibilidades práticas de uso para um sistema capaz de acender por rádio controle uma lâmpada à distância ou acionar um motor. Citamos por exemplo uma aplicação recreativa, numa “mágica" em que, com um gesto pode-se fazer uma lâmpada brilhar. E claro que um auxiliar do mágico deverá acionar o rádio controle no momento desejado. (figura 4)
Uma outra aplicação seria num sistema de iluminação automática da entrada de sua casa quando você chegasse, do carro acionando o sistema sem sair do mesmo. (figura 5)
Para o caso de motores você poderia ligar um ventilador, ou qualquer eletrodoméstico à distância.
Para este tipo de controle tudo que você terá que fazer é ligar o relé do sistema receptor em série com o equipamento a ser controlado: lâmpada ou motor.
Neste caso você deve tomar o máximo cuidado para que a corrente suportada pelos contatos do relê sejam maiores do que a que será fornecida ao circuito. (figura 6)
Para o caso de equipamentos alimentados pela rede local, para o receptor é usada uma pequena bateria de 9 V ou então 6 pilhas ligadas em série. Deve-se escolher um circuito de baixo consumo se o mesmo tiver de ficar ligado por longos períodos. Existe ainda a possibilidade do mesmo ser alimentado por conversores.
Para o caso de lâmpadas ou motores alimentados por corrente contínua devem ser usadas pilhas separadas de acordo com o consumo do dispositivo a ser acionado.
SISTEMAS TEMPORIZADOS
O acionamento retardado de dispositivos ou ainda o acionamento temporizado pode ser feito com facilidade utilizando-se um sistema de rádio“ controle monocanal.
Diferenciamos os dois sistemas pelo que eles fazem:
Num sistema retardado, o aparelho a ser controlado à distância, uma lâmpada, por exemplo, acende alguns segundos ou minutos depois que o controle remoto é acionado, enquanto que no controle temporizado o circuito é mantido acionado por um certo intervalo de tempo pré-determinado.
Para o segundo caso tempos uma aplicação interessante que é a possibilidade de se acionar a lâmpada da entrada de sua casa a partir do controle remoto situado no carro e a mesma se manter acesa num intervalo que seja exigido para sua entrada, digamos uns 40 segundos ou 2 minutos.
Para esta finalidade o circuito a ser usado é o sugerido na figura 7.
Neste circuito, o relé produz um pulso de disparo que aciona o SCR e ao mesmo tempo carrega o capacitor C. A descarga lenta do capacitor C mantém o circuito de carga do SCR acionado por um certo intervalo de tempo.
Podemos à grosso modo dizer que para cada 10 uF obtém-se um tempo de acendimento da ordem de 10 segundos, o que equivale a dizer que, com um capacitor de 470 uF que é o valor máximo, podemos ter a lâmpada acesa por perto de 8 minutos.
Para o SCR sugerido cargas resistivas de até 400 W podem ser usadas, caso em que o mesmo deve ser instalado num dissipador de calor.
Deve ser observado que a bateria de 9 V tem longa durabilidade pois só é exigida por uma fração de segundo ao ser acionado o transmissor quando então ela carrega o capacitor rapidamente.
BRINQUEDOS COM CONTROLE REMOTO
Os sistemas monocanais são bastante interessantes para a utilização em brinquedos simples tais como barcos e carros.
Como no caso só podemos realizar uma operação esta deve ser a de mudança de direção para a qual existem muitas possibilidades.
A mais simples consiste na ligação do receptor a um solenoide, ou seja, uma pequena bobina dotada de um núcleo móvel 0 qual é atraído com força para seu interior quando a mesma é percorrida por uma corrente (figura 8).
O solenoide deve ter uma força compatível com a exigida para o controle, sendo portanto normal a utilização de muitas espiras de fio fino nestes dispositivos que podem apresentar resistências entre 20 e 500 ohms.
Na figura 9 temos uma sugestão para a utilização de um solenoide no sistema de controle de um barco de brinquedo.
Vejamos como ele funciona. Existe uma mola que mantém o núcleo do solenoide para fora do mesmo parcialmente e ao mesmo tempo o leme do barco virado de modo que o mesmo não vá em linha reta mas descreva uma curva mais ou menos acentuada.
Quando o pulso de controle do transmissor é enviado o solenoide é energizado e o núcleo, puxado para dentro do mesmo.
Com isso o leme do barco muda de direção, fazendo com que a curva realizada pelo mesmo também mude.
O tempo que o leme permanece na nova posição depende do tempo em que o interruptor no transmissor é mantido apertado. Assim, controlando este tempo, podemos dirigir o barco em uma linha tortuosa conforme mostra a figura 10.
Para o caso de um carro rádio controlado o sistema pode ser o mesmo: o solenoide controla a direção do mesmo puxando o seu núcleo o qual é preso a um sistema móvel de rodas dianteiras, conforme mostra a figura 11.
A força deste solenoide no caso determinará a prontidão do sistema, enquanto que o curso da parte móvel determinará o raio da curva.
OUTRAS APLICAÇÕES
Diversas são as aplicações que podem ter sistemas monocanais, sendo as mesmas determinadas apenas pela imaginação do leitor.
Na figura 12 temos uma aplicação interessante que pode ser usada com sucesso em peças escolares, em festas ou mesmo como curiosidade, que consiste na caixa mágica.
Na caixa, de fundo falso é colocado um receptor de rádio controle monocanal, o qual por meio de um relê pode acionar uma lâmpada alimentada por pilhas colocada na sua parte superior.
O transmissor acionado remotamente fará com que a lâmpada acenda quando quisermos.
Diremos então as pessoas que a lâmpada acende respondendo perguntas que lhe sejam feitas, segundo um código em que uma piscada significa ”sim" e duas piscadas ”não".
E claro que um amigo nosso, devidamente instruído se encarregará de operar às escondidas o transmissor o qual poderá inclusive ser colocado no seu bolso.
A brincadeira poderá então ser feita segundo um “jogo da verdade" em que a lâmpada poderá acusar quem diz a verdade ou não.
Se, o, leitor quiser poderá usar a lâmpada numa bola de cristal e com isso também impressionar seus amigos com a possibilidade da mesma adivinhar o futuro. É claro que o êxito da brincadeira dependerá tanto da habilidade do operador do transmissor como do que fica com o receptor. (figura 13)

Outra aplicação interessante para o circuito está no controle remoto de projetores de slides, bastando para isso que o relê seja conectado em paralelo com o interruptor que faz a troca de slides, ou então no controle remoto de disparo de máquinas fotográficas.
Para esta finalidade deve ser usado um solenoide capaz de acionar o disparador da câmara. Existem em casas especializadas solenoides acionados eletricamente que podem ser adaptados em câmaras comuns.
Nota: se bem que o artigo seja antigo e fale de coisas que já não mais são usadas como câmaras fotográficas, projetores de slides, os leitores podem atualizar suas ideias com aplicações avançadas, por exemplo, controlando circuitos através de microcontroladores, gerando os sinais por microcontroladores e usando os controles como shields.
























