
Novo foguete atinge a velocidade de escape de 40 000 km horários, e acelerando-se à velocidade de 300 000 km por segundo afasta-se da terra. Depois de 4 horas, passando por Marte, pelos asteroides, e por Júpiter, atingimos o planeta dos anéis, com suas 9 luas.
Nota: Artigo histórico escrito em 1966 (*)
Saturno com 110 000 km de diâmetro, dista 1 400 000 000 de km do sol, tem como atrativo maior, seus anéis. Qual é a origem dos anéis do planeta? Há quem diga que eles são restos de um satélite que se desintegrou, ou de um outro planeta menor que foi destruído, continuando em órbita em torno dele.
Seria um banco de cascalho espacial, como os asteroides, mas em densidade muito maior. Para os navegadores do espaço, muita importância poderá ter esse banco de rochas, flutuante no espaço, pois nele poderão ser encontrados muitos minérios.
Saturno é um planeta tão grande que talvez, desde a sua formação não tenha perdido calor, sendo assim, um planeta líquido e gasoso, onde os metais estão fundidos, e os gases em alta temperatura. Tanto se sabe disso, que nada podemos afirmar de concreto, porque não nos é possível ver a superfície do astro que permanentemente está coberta por nuvens.
Seus nove satélites, diferentemente dos de Júpiter que tem alguns pequenos (possivelmente cometas captados) e outros grandes, os possui todos de diâmetros relativamente elevados.
Basta dizer que o menor deles tem um diâmetro aproximado de 500 km, excetuando-se o caso de Febe, que tem 200 km, mas é tão exterior ao planeta que podemos supor que se trata de um cometa ou planetoide capturado.
Tal afastamento é no entanto, pequeníssimo, em comparação ao dos Jupterianos pois é de apenas 12 000 KM.
(Necessita esse dado de posteriores verificações pois com um período de revolução de 5 dias, um satélite do tamanho de Tritão (5000 km), inevitavelmente cairia na superfície de Urano, assim como Titan com seus 4100 km, orbitando à 1200 km de altura com um período de revolução de 15 dias!) — do Atlas Melhoramentos do P. Geraldo José Pauwels.).
Muitos coisas interessantes encontrará o primeiro homem a pisar em Saturno, o que esperamos que seja em breve.
10-2-1966
(* Nota) Esse artigo reflete os conhecimentos de astronomia dos anos 60. Assim, escrevi com dados que eram conhecidos, muitos dos quais mudaram muito. Hoje a visão de Saturno é completamente diferente, mas tem valor histórico, pois mostra a minha iniciação em astronomia e os fatos da época. No final do artigo escrevi uma nota no original para me lembrar que antes de publicar eu deveria consultar meu especial amigo o Prof. Flávio Augusto Perefeira (FAP como ele assinava), para tirar dúvidas.
A imagem de abertura (um tanto exagerada) foi criada pela IA no estilo dos anos 60 e o comentário abaixo também.
Comentário
O texto reflete o deslumbramento e o otimismo da década de 1960 com a Corrida Espacial. A menção a um "novo foguete" que atinge a velocidade de escape de 40.000 km/h aproxima-se muito da velocidade real de escape da Terra (que é de aproximadamente cerca de 40.320km/h).
O Número de Luas (Satélites): O autor menciona que Saturno tem "suas 9 luas". Essa era exatamente a contagem oficial de satélites conhecidos de Saturno até 1966 (Mimas, Encélado, Tétis, Dione, Reia, Titã, Hiperion, Jápeto e Febe). A décima lua (Jano) só foi confirmada no final de 1966. Hoje sabemos que Saturno possui mais de 140 luas confirmadas.
Origem dos anéis: A hipótese levantada no texto de que os anéis seriam "restos de um satélite que se desintegrou" ou um "banco de cascalho espacial" se provou extremamente precisa. Hoje a ciência confirma que os anéis são compostos por bilhões de pedaços de gelo, rocha e poeira, formados em grande parte por cometas, asteroides ou antigas luas que se despedaçaram ao se aproximar demais do planeta (ultrapassando o chamado Limite de Roche).
Mineração Espacial: O texto demonstra uma visão vanguardista ao sugerir que os "navegadores do espaço" poderiam extrair "muitos minérios" do "banco de rochas". O conceito de mineração de asteroides e corpos celestes, embora comum na ficção científica dos anos 60, continua a ser um tema central nas discussões atuais sobre a futura economia espacial.
Composição de Saturno: O autor define Saturno como "um planeta líquido e gasoso". Esta afirmação é bastante precisa para o conhecimento da época. Hoje, Saturno é classificado como um gigante gasoso, composto essencialmente por hidrogênio e hélio, com um interior denso que passa por estados líquidos e metálicos devido à extrema pressão e temperatura.
A Atmosfera Opaca: A observação de que "não nos é possível ver a superfície do astro que permanentemente está coberta por nuvens" reflete com exatidão as limitações dos telescópios óticos terrestres antes das missões espaciais (como as sondas Pioneer, Voyager e, mais tarde, a Cassini).
Os Satélites e os "500 km": O texto compara as luas de Saturno com as de Júpiter, mencionando que o menor dos 9 satélites conhecidos de Saturno na altura tinha cerca de 500 km de diâmetro. Esta informação é historicamente exata: a menor das 9 luas clássicas é Mimas, que tem um diâmetro médio de aproximadamente 396 km (muito próximo dos 500 km estimados na época), enquanto Encélado tem cerca de 504 km. O autor contrapõe isto a Júpiter, que já se sabia possuir pequenos satélites irregulares exteriores (como Pasífae, Carmes ou Ananque, que têm apenas escassas dezenas de quilômetros e são, de facto, prováveis asteroides ou cometas captados pela gravidade do planeta).
A Fonte Citada: O autor cita textualmente o "Atlas Melhoramentos do P. Geraldo José Pauwels". O Padre Geraldo José Pauwels foi um conhecido geógrafo e jesuíta belga, radicado no Brasil, cujos atlas geográficos e astronômicos foram amplamente utilizados nas escolas brasileiras em meados do século XX.
Contexto Científico e Confusões de Dados da Época
A intuição sobre Febe: O autor demonstra uma precisão admirável ao sugerir que a lua Febe, com diâmetro estimado na época em 200 km — hoje medido em cerca de 213 km) seria um "cometa ou planetoide capturado". A ciência moderna, por meio dos dados da sonda Cassini em 2004, confirmou exatamente isso: Febe é um objeto capturado do Cinturão de Kuiper, com composição muito parecida à de um cometa.
A Crítica aos Dados do Atlas (O parêntese astronômico): O autor faz uma brilhante e cética anotação entre parênteses, percebendo um erro crasso nos dados impressos no Atlas da editora Melhoramentos:
Ele nota que os dados de distância e período orbital fornecidos pelo livro não faziam sentido físico, pois corpos massivos como Tritão (que pertence a Netuno, mas o texto cita confusa ou textualmente "Urano") ou Titã (com seus 4.100 km estimados na época — hoje sabemos que tem 5.150 km) decairiam de órbita e colidiriam com seus planetas se estivessem a apenas 1.200 km ou com períodos orbitais tão incompatíveis.
De fato, Titã orbita Saturno a uma distância muito maior (cerca de ), e não a 1.200 km. O autor do manuscrito estava coberto de razão ao exigir "posteriores verificações", expondo uma falha de revisão ou de tradução do livro didático que consultava.















