
Uma nave tripulada deixa a plataforma impulsionada por um enorme foguete. Seu destino é a lua, primeira estação espacial natural que poderá servir de base para viagens a outros pontos do sistema solar.
Nota: Artigo escrito em 1965
O bloco metálico já se torna quase invisível para os observadores da terra; milhares de técnicos em terra aguardam os resultados dessa experiência, um passo decisivo que tomou milhares de horas, que tomou tempo de muitos cientistas para a resolução de problemas que poderiam surgir durante a viagem.
Sim, a experiência não começou quando o foguete deixou a plataforma, mas sim quando ele foi imaginado simplesmente em plantas, quando não havia sequer um parafuso pronto, e a partir daí milhares de cérebros, de mãos e de ferramentas iniciaram a construção daquela que poderia ser o mais fabuloso passo dado pelo homem; a conquistas dos astros a partir da lua.
Problemas enormes surgem numa experiência como esta, o homem não vai trabalhar com elementos conhecidos, mas sim com elementos que ele nunca tomou contato. É preciso conhecer a velocidade do foguete; a velocidade da lua em torno da terra; a ação da gravidade da terra e a ação da gravidade da lua.
E não é só isso, precisaremos conhecer a própria superfície da lua para podermos fazer uma alunissagem perfeita.
Quando um foguete desce na terra ele tem o ar como freio, usando paraquedas poderá descer lentamente; mas na lua as coisas são diferentes, a lua não tem atmosfera para reduzir a velocidade da nave, e ela sem ajuda de freios se chocaria contra a sua superfície a uma velocidade de milhares de km por hora. Como fazer para que um foguete não se choque contra a lua, mas desça lentamente na sua superfície? Esse é um dos muitos problemas que surgem quando se pensa numa viagem ao astro vizinho.
Uma das soluções seria o uso de retro-foguetes, mas mesmo assim sem um conhecimento prévio da gravidade da lua seria impossível projetá-lo. Isso quer dizer que só para o projeto do sistema de freios seria necessário o lançamento de um foguete não tripulado à lua para medir com exatidão a ação da sua gravidade. Um outro problema que surge são os acidentes da superfície lunar.
Olhando nosso satélite com o auxílio de um telescópio veremos que sua superfície não é lisa, pelo contrário é cheia de cadeias de montanhas, vales, ondulações e áreas que parecem desertos, são os chamados mares, pois os antigos pensavam que eram água.
A forma mais comum de acidente geográfico, ou lunático, como queiram, são as crateras. Cadeias de montanhas de formas circulares tendo no centro uma depressão mais ou menos plana, e em algumas um pico no centro que em alguns casos atinge 5 ou 6000 metros de altitude.
Outro medo que toma conta dos que são encarregados de projetar uma nave para ir a lua, é a crença de que suas áreas chamadas desertos sejam cobertos com uma camada de pó fino de várias dezenas de metros de espessura. Se assim for será bem perigoso um foguete ao tentar pousar aí, encontraria areia muito fraca e afundar nela ou tombar por falta de apoio.
Como vêm aterrissar na lua não será fácil; terreno acidentado; terrenos moles; ação da gravidade diferente da terra, e não existe uma atmosfera protetora para frear o foguete.
Um outro problema que pode surgir seriam as tempestades de partículas ionizadas colocadas em alto movimento pela ação repulsiva de radiação solar.
A falta de atmosfera faz com que os nocivos raios ultravioletas emitidos pelo sol atinjam a superfície lunar e consequentemente os homens que houver na sua superfície. Na terra nós temos a proteção desse manto que é a nossa atmosfera que impede de que esses raios nos atingem.
Quanto aos meteoritos quase não há perigo, pois a quantidade de material flutuante no espaço é tão pequena que as possibilidades de serem atingidos por uma partícula de tamanho razoável seriam bem pequenas a não ser em um caso especial que é a aproximação da terra com a lua da órbita de um cometa destruído o que acontece duas vezes por ano, em agosto e em novembro. Nessa época a proteção seria os exploradores lunares se esconderem em abrigos até passar a chuva que na lua seria fortíssima pois não haveria atmosfera para reduzir a velocidade deles.
10 - 9 – 1965
Nota do autor: Este artigo foi escrito há muito tempo, quando eu me reunia com um grupo de amigos de escola e discutíamos os mais diversos assuntos, incluindo os de natureza científica. Muitos foram para essa área, inclusive eu. Costumava escrever sobre diversos assuntos, como já falei em muitos de meus artigos.
A ortografia original foi mantida ao se transcrever o documento a partir dos originais. Diversas palavras eram escritas de formas diferentes ou com acentuação diferente da forma com que fazemos hoje. O original foi mantido.
A imagem de entrada feita pela IA e um comentário que pedi a ela.
Comentário
Seu artigo de 1965, “Viagem à Lua”, é uma joia histórica — um retrato vívido da imaginação científica e do entusiasmo pela conquista espacial que marcava aquela década. O texto revela uma mente curiosa e analítica, capaz de antecipar os desafios reais que os engenheiros e astronautas enfrentariam poucos anos depois, em 1969, com a missão Apollo 11.
O que impressiona é a clareza com que você descreve problemas como a ausência de atmosfera lunar, a necessidade de retrofoguetes e o risco do terreno acidentado — tudo isso antes de termos dados concretos sobre a superfície da Lua. Há um equilíbrio entre o fascínio e o rigor técnico, típico de quem já pensava como cientista, mas escrevia com o encanto de um sonhador.
Em essência, o artigo é um testemunho do espírito de uma geração que acreditava que o impossível era apenas uma questão de tempo e engenho. É bonito ver como, décadas depois, ele continua inspirando — não só pela visão, mas pela paixão pela ciência e pela exploração.
















