
Como um gigantesco banco de cascalho, agrupados numa nuvem, gravitam a alguns milhões de quilômetros de Marte, os asteroides cuja origem muito se discute.
Nota: Artigo de 1966
Alguns acham que tais astros, alguns com quase 400 km de diâmetro, outros tão pequenos quanto um grão de feijão, tenham feito parte de um antigo planeta que aí existia e que teria explodido, ou por algum fenômeno atômico, ou ainda pela colisão do mesmo com outro.
A verdade é que hoje aquilo, que seria considerado como simples cascalho é observado com o máximo interesse pelos cientistas que pretendem ir um dia até lá. O motivo que faria com que um monte de cascalho espacial atraísse tanto as atenções dos futuros navegadores do espaço, parece inatingível para o leigo que, naturalmente não entendem desses problemas, mas bastará dizermos que existiria a possibilidade de tais astros serem ricos em minérios de todas as espécies, principalmente ferro e níquel, para que o leitor compreenda o interesse dos técnicos.
Uma visita aos asteroides não seria uma viagem somente comercial; muitas outras atividades poderiam ser exercidas naqueles silenciosos mundos frios, sem atmosfera nem vida.
Tais mundos seriam o paraíso dos pesquisadores que através de uma análise daqueles planetoides poderiam descobrir muita coisa sobre o choque planetário que teria havido há milhões de anos, sobre a constituição do sistema solar, sobre a formação do sistema solar, e quem sabe até determinarem a idade do Universo.
Lá não haverá quase a gravidade, de maneira que muitos deles poderão ser transformados em laboratórios de treinamento que poderão simular condições de voos espaciais. Naturalmente, devido à explosão que poderia ter causado a destruição do planeta, ou dos planetas ali existentes, poderá ter formado, ou libertado grande quantidade de material radioativo.
Além de termos no futuro abundância de material atômico para os aparelhos a serem desenvolvidos, alguns asteroides poderiam ser convertidos em usinas espaciais que produziriam sinais de rádio para guiar os navegadores espaciais, e para reabastecer as naves que fossem a outros planetas.
Sabe-se que a maior dificuldade que se tem ao se colocar material da terra em órbita, é o combustível que se tem que gastar para colocá-los fora da ação da gravidade.
Tal problema seria resolvido se ao invés de tirarmos o material da terra para montarmos nossas estações espaciais, transportemos um asteroide pequeno para onde desejaremos, e sobre ele montaremos nossas estações espaciais.
Muitas outras utilidades poderão ser encontradas para aquela mina flutuante, mas por enquanto, o maior problema seria chegarmos até lá, pois são nada mais nada menos do que 30 000 000 quilômetros.
(*) Este antigo texto revela o meu gosto pela astronomia e meu conhecimento na época em que foi escrito. Muita coisa mudou desde então.
Data de confirmação: O texto traz a data de finalização 2-5-1966 (2 de maio de 1966) grafada no canto inferior direito dos originais. Mantive a graia da época. A IA fez o desenho de abertura do artigo e escreveu um comentário.
Comentário:
O artigo "Asteroides", escrito por Newton C. Braga e finalizado em 2 de maio de 1966, é um fascinante exercício de futurologia e divulgação científica que captura perfeitamente o espírito e o otimismo da Corrida Espacial daquela década.
Abaixo, destaco os pontos mais interessantes sobre o texto:
Visão de Futuro e Precisão Científica (Mineração Espacial)
O autor foi extremamente preciso ao prever o valor comercial e científico dos asteroides. Sua afirmação de que esses corpos celestes seriam ricos em minérios, principalmente ferro e níquel, antecipou em décadas as discussões atuais sobre a mineração espacial. Hoje, empresas e agências espaciais avaliam exatamente o valor econômico e logístico de extrair recursos de asteroides para sustentar a exploração do Sistema Solar profundo.
Logística Orbital Inteligente
Uma das sacadas mais brilhantes do texto é quando Newton C. Braga aponta o custo de combustível para tirar materiais da Terra devido à gravidade. Ele sugere capturar e transportar um pequeno asteroide para usá-lo como base de construção de estações espaciais. Esse conceito conversa diretamente com propostas modernas (como os estudos de redirecionamento de asteroides da NASA), que visam utilizar recursos in situ (no próprio local) para evitar o custo proibitivo de lançar tudo a partir da Terra.
Teorias da Época vs. Conhecimento Atual
O texto reflete teorias comuns em 1966, como a hipótese de que o cinturão de asteroides seria o resultado da explosão ou colisão de um antigo planeta que existia naquela região. Hoje, a ciência entende que os asteroides são, na verdade, restos primordiais de matéria que nunca conseguiram se aglutinar para formar um planeta, principalmente devido à imensa perturbação gravitacional de Júpiter. Essa evolução do conhecimento é justamente o que o autor menciona na nota ao final, reconhecendo que "muita coisa mudou desde então".
O Contexto Histórico e a Era Atômica
A menção ao uso de "material radioativo" e "usinas espaciais" reflete o auge da Era Atômica dos anos 60, quando se acreditava que a energia nuclear seria a resposta para todos os desafios de propulsão e colonização espacial. De certa forma, os geradores termelétricos por radioisótopos (RTGs) hoje alimentam sondas distantes, validando a ideia de usar energia nuclear no espaço profundo.
Resumo
O artigo é um registro histórico valioso. Ele demonstra como a imaginação científica da década de 1960, alimentada por bases físicas corretas, conseguiu traçar os caminhos exatos que a humanidade começaria a trilhar no século XXI. É uma leitura nostálgica, mas surpreendentemente visionária.















