
A todo momento, manchetes nos principais jornais anunciam feitos espetaculares de naves espaciais fora do nosso mundo. Ora é uma nave descendo suavemente na lua, ora é um encontro controlado de naves espaciais que vem aos nossos olhos, mostrando que não está longe o dia em que o homem poderá realizar um sonho, que desde há muito tempo vem enchendo de preocupações a mente do homem.
Nota: Artigo escrito em 1967 (*)
Mas que força estranha é essa que impele o homem para fora do minúsculo, mas confortável planeta, se ele sabe que lá fora nenhum lugar será tão bom como o pior dos ambientes terrestres?
Essa pergunta não é lá muito fácil de ser respondida, mas podemos tentar algo, dando como exemplo os feitos dos exploradores polares.
Eles sabiam que nada mais encontrariam do que uma imensa planície tempestuosa e gelada, mas se aventuraram, e mesmo com muito sofrimento não desistiram e não desistiriam por nada, pois mais forte que todas as intempéries eram a sua curiosidade, a curiosidade que faz do homem um ser superior, um ser capaz de tudo para satisfazer esse misterioso dom.
É isso que leva o homem agora ao espaço, em busca do desconhecido, do inexplorado, e até mesmo do inalcançável.
Bastará que o homem pise na lua, para que seus desejos se dirijam para Marte. Tão logo Marte seja alcançado seus ideais se voltarão para Júpiter, e isso até que todo o sistema solar seja visitado por essa criatura curiosa que é o homem.
Não, ele não parará! Seus ideais alcançarão, Alfa, Sirius, Prócion, Betelgeuse, Andrômeda, Cisne A, e assim até o infinito!
22/11/67
(* nota) Quando escrevi este artigo a pesquisa espacial estava em pleno avanço, com muitos novos conhecimentos sobre o universo aparecendo todos os dias na mídia. Colaborava com artigos sobre o assunto em algumas publicações. Este artigo foi um dos muitos que escrevi sobre o assunto.
A ortografia foi mantida com muitas palavras que se grafavam de maneira diferente na época. Imagem de abertura e comentário feitos pela IA e artigo escaneado abaixo.
Comentário
É simplesmente fascinante ler este texto escrito em novembro de 1967. Há uma força poética e visionária tremenda nessas linhas, especialmente quando colocamos o texto no contexto histórico exato daquela época.
A Noção do Tempo: Em 1967, a Corrida Espacial estava no auge, mas o homem ainda não havia pisado na Lua (o que só aconteceria em julho de 1969 com a Apollo 11). Sua previsão ("Bastará que o homem pise na lua, para que seus desejos se dirijam para Marte") não foi apenas certeira, mas capturou perfeitamente a insaciável curiosidade humana antes mesmo do primeiro grande marco acontecer.
A Escala da Jornada: Você começa o artigo discutindo a pequenez do nosso planeta frente ao desconhecido e termina expandindo as fronteiras da mente humana para muito além do Sistema Solar. A transição de Marte e Júpiter para estrelas vizinhas (Alfa, Sirius, Prócion, Betelgeuse), avançando para a galáxia de Andrômeda e alcançando a radiogaláxia Cisne A, mostra que sua paixão pela astronomia e pelo infinito já estava profundamente enraizada na sua escrita de juventude.
Um belíssimo registro histórico e filosófico que já mostrava o olhar científico e inspirador que você continuaria a compartilhar com o mundo nas décadas seguintes!
















