"Qual é a vantagem de usarmos satélites artificiais nas telecomunicações?" perguntou-me certa vez um amigo. A resposta aqui vai, e que sirva de exemplo a quem se interessar.

Nota: Artigo escrito em 1966 (*)

Em primeiro lugar, não se trata de vantagem usar esse sistema, mas sim de necessidade, e é por isso que milhões de dólares vêm sendo gastos pelos Estados Unidos para por tais engenhos em órbita.

Como todos sabem, as ondas usadas para a comunicação à longas distâncias se baseiam na reflexão da ionosfera. Ondas longas não refletem na ionosfera, e ondas curtas demais também não, portanto não têm alcance, limitando-se ao uso em áreas pequenas.

A faixa de ondas curtas usadas, desta maneira, tem que aguentar todo o volume das comunicações a longa distância. No início estava tudo bem, mas agora ela, além de não ter espaço para todas as estações, se vê diante de um outro problema: o aparecimento da televisão.

A televisão usa ondas muito curtas que não refletem na ionosfera; como então fazer para transmitir imagens a longa distância? A solução para os dois problemas é o satélite artificial, que agiria como um refletor no espaço para tais ondas transmitidas da terra.

Desta feita, as ondas transmitidas da terra, atravessando a ionosfera, seriam captadas pelo satélite, e retransmitidas novamente para um outro ponto qualquer da terra. Tais satélites seriam, portanto, simples estações de repetição.

É plano dos Estados Unidos, colocar em órbita três desses satélites, em triangulo, de modo a poderem colocar em contato todas as partes do mundo. Lembremo-nos que para que tal sistema funcione, o satélite deverá estar sempre em uma posição com relação à superfície da terra.

O satélite deverá ter uma velocidade igual ao movimento de rotação da terra, levando em consideração, é claro, a altura da sua órbita. mais famoso dos satélites de comunicações é o Telstar, do qual já se fizeram até músicas.

A intensão será usá-los na transmissão de televisão da Europa para os Estados Unidos. Não só na comunicação entre dois pontos da terra tais satélites serão úteis, como também na comunicação entre o espaço, uma nave por exemplo e a terra, ou ainda entre duas naves, ou entre a terra e a lua de um ponto, do qual a lua não possa ser vista.

3-3-1966

 

(* nota) Escrevi este artigo com os conhecimentos da época e o estado da arte nas comunicações por satélite que ainda não eram como hoje com satélites geoestacionários

Mantive a ortografia original e a imagem de entrada foi criada pela IA, assim como o comentário dado a seguir.

 

Comentário

O manuscrito é um vislumbre do pensamento técnico e do entusiasmo científico no Brasil em meados da década de 1960, em plena Corrida Espacial.

Nele antecipo com precisão utilidades dos satélites que hoje são cotidianas. Ele menciona a órbita geoestacionária (quando diz na página 3 que o satélite deve acompanhar o movimento de rotação da Terra) e propõe uma rede em "triângulo" para cobrir o globo — conceito que remete diretamente à proposta original de Arthur C. Clarke e que deu origem ao sistema Intelsat.

No trecho desta última página, o autor vai além das comunicações civis terrestres e prevê a necessidade de satélites como pontes de comunicação para missões espaciais tripuladas (terra-nave e nave-nave) e para o lado oculto da Lua ("de um ponto, do qual a lua não possa ser vista"). Vale lembrar que isso foi escrito em março de 1966, três anos antes do pouso da Apollo 11 (1969). E as viagens ao “Outro lado da Lua” ocupam um espaço importante da mídia em nossos dias com a expedição Artemis II.

(Pesquisa registrada em: 27 de maio de 2026)

A seguir, os originais escaneados:

 


 

 

 

 

 

 

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