Seria a terra um planeta tão pequeno assim, para que o homem tentasse libertar-se tão desesperadamente dela? Ou estaria próximo o fim do nosso planeta?

Nota: Artigo escrito em 1967 (*).

Os motivos que levam o homem a procurar outros mundos para habitar futuramente não são bem êsses, mas se analisarmos bem a situação, a natureza do próprio ser humano veríamos que, mesmo se nenhum perigo o ameaçasse, êle ainda procuraria sair do nosso planeta em busca de outros ainda inexplorados.

O que o leva a isso é a tendência natural que o homem tem de explorar o desconhecido, de não se contentar com o que tem nem com o que já conhece.

É o mesmo desejo que tomou conta de Marco Polo, e que o levou ao oriente, que transformando-se em realidade, revelou a América à Colombo, e que em breve nos mostrará os mistérios que se ocultam sob os nuvens de Vênus, sob as areias vermelhas dos desertos marcianos, ou sob as sombras negras das montanhas lunares.

Mas, por que conquistar êsses mundos, se muitos dêles além de serem desconfortáveis demais para que o homem o habite, não possuem nada que nos possa ser útil?

É certo que tais mundos na sua maioria não são propícios à vida, mas quanto ao fato dêles não possuírem nada que nos atraia, isso não é verdade.

O mundo, dentro em breve, como prevêem os entendidos, sentirá falta de muitas matérias-primas, e principalmente de combustível, pois nossas reservas de carvão e petróleo já estão no fim, e não durarão mais do que séculos se o seu consumo fôr o mesmo de agora.

É claro, em tais planetas, como Marte e Vênus, não existirão êsses combustíveis, mas, poderá haver outros que os substituam, como é o caso dos materiais radioativos que já começam a ser usados em pequena quantidade como combustível em geradores de eletricidade.

Não é só a possibilidade de nossos vizinhos no espaço terem combustíveis, que leva o homem ao desejo irrefreável de conquistá-los!

A idéia de que tais astros possam possuir minas de metais preciosos, mais fabulosas que as do rei Salomão, faz com que os países diretamente interessados em dominar tanto o mercado como o mundo científico apressem suas pesquisas.

Dizem os estatísticos que se o crescimento da população mundial continuar neste ritmo, dentro em breve, não haverá lugar para mais ninguém na terra.

Na China e na Índia já vemos as consequências terríveis da superpopulação: fome e pobreza, além da doença e ignorância.

Os homens temem isso, e uma das soluções que encontraram é a exploração de novos territórios que possam ser habitados e explorados com a finalidade de suprir-nos com as provisões de que necessitamos.

Parece extranho que planetas áridos como Marte possam fornecer-nos algum alimento de origem vegetal, mas, como mostram os cientistas, o trigo poderia ser cultivado no Verão marciano, que muito se aproxima do verão dos regiões temperadas da terra.

As calotas polares do planeta ao se derreterem forneceriam tôda a umidade necessária ao crescimento das plantas.

Tudo nos leva a crer, entretanto, que dentro em breve, o homem não mais dependerá de fontes naturais de alimento. Os vegetais, e a carne animal serão definitivamente abolidos, e substituídos por alimentos sintetizados diretamente a partir dos sais minerais. Áreas que antes produziam alimentos para algumas dezenas de pessoas, poderão produzi-los para uma cidade. Muitos desses minerais poderão ser encontrados nos planetas vizinhos.

É claro, ainda resta muito tempo até que o primeiro homem pise na Lua, pois ainda mal saímos do nosso planeta em passeios curtos pelo espaço, mas dentro em pouco tempo, todos os sonhos que o homem vem tendo desde que existe, tornar-se-ão realidade.

5-5-1967

 

(* nota) Neste artigo de 1967 já previa que metais raros seriam o objetivo primeiro da conquista de outros planetas. Ainda não havia a necessidade das terras raras que pode ser somada à necessidade dos minerais radioativos citados no texto. Uma boa previsão.

Mantive a ortografia da época e a imagem de entrada foi criada com a IA assim como o comentário. Artigo original escaneado na imagem abaixo.

 

 

Comentário

É fascinante ler este texto sabendo que ele foi escrito entre 1966 e 1967. Há três pontos principais que chamam muito a atenção com o distanciamento histórico:

A Visão de Futuro e Precisão: Na última página, você escreveu que "ainda resta muito tempo até que o primeiro homem pise na Lua". Para quem estava em maio de 1967, a corrida espacial parecia um desafio de longo prazo — e é incrível notar que apenas dois anos depois, em julho de 1969, a Apollo 11 pousaria na Lua. O seu otimismo de que "dentro em pouco tempo" os sonhos se tornariam realidade estava absolutamente correto.

 

Preocupações Atuais: Os argumentos que você utilizou na página 3 e 4 (escassez de combustíveis fósseis como carvão e petróleo, crescimento demográfico e a necessidade de buscar recursos fora da Terra) continuam sendo a base exata dos discursos de agências espaciais e empresas como a SpaceX hoje em dia para justificar a colonização de Marte.

 

Alimentos Sintéticos: Sua previsão na página 5 sobre a abolição de fontes naturais e a substituição por alimentos sintetizados a partir de minerais antecipou em décadas os debates atuais sobre carne cultivada em laboratório e proteínas sintéticas.

Um belíssimo registro histórico da sua juventude e do início do seu pensamento científico e de divulgação!

 

Data de confirmação: 08 de junho de 2026.

 


 

 

 

 

 

NO YOUTUBE


NOSSO PODCAST