Que maravilha seria se pudéssemos nos locomover no tempo! Indo para o passado veríamos as grandes navegações, mais além, veríamos o Império Romano, as civilizações antigas; os antigos egípcios construindo suas pirâmides.

Nota: Artigo de 1966 recuperado (*).

Girando, finalmente, os controles ao máximo, poderíamos ver os homens das cavernas, os monstros pré-históricos e talvez a formação do mundo, diferente de todas as nossas hipóteses.

A máquina do tempo, sonhada por muitos sábios, demorará muito ainda para ser feita artificialmente. Um detalhe, por incrível que pareça, foi esquecido pelos montadores desse engenho: nós já temos uma máquina do tempo no nosso corpo, e o passado se encontra sobre nossas cabeças!

O passado é o universo, as estrelas que vemos, e a máquina do tempo são nossos próprios olhos. Na terra, para nós partículas materiais tão pequenas, as medidas são tomadas levando em consideração apenas os planos e o espaço. No universo é diferente.

O universo admite, ou melhor, exige, um segundo fator de medida: o tempo.

Quanto mais longe estiver um astro, ou corpo no espaço, mais no passado o veremos, isso devido à lentidão relativa com que se propaga a luz.

A luz do sol, leva, por exemplo, 8 minutos para chegar até a terra; 5 horas e meia para chegar até plutão, o que significa que vemos o sol como ele era há 8 minutos passados. Os que estiverem em plutão, um dia, verão o sol como ele era 5 e meia horas antes.

Tais diferenças de tempo são pequenas se considerarmos o tamanho do universo.

Ele é tão grande que existem astros que surgiram há bilhões de anos, emitindo a partir daí sua luz; brilharam por muitos bilhões de anos, decaíram, e desapareceram, e sua luz ainda não chegou até nós.

Para que se tenha uma ideia do tamanho do universo, levando-se em consideração que a luz se propaga com a velocidade de 300 000 KM por segundo, bastará dizermos que qualquer estrela que vemos no céu, está separada de nós por distância superior à 4 anos luz.

As estrelas estão no universo agrupadas em gigantescos enormes espirais chamados Galáxias. Cada um tem bilhões de estrelas como o sol; trilhões de planetas; muitos como a terra, e quem sabe habitados? Tal é o tamanho de uma Galáxia, que a luz para a atravessar leva mais de 100 000 anos!

Nossa vizinha Galáxia, a espiral de Andrômeda, visível como uma pequena nuvem branca que contém muitos bilhões de estrelas, é vista por nós, como era há 1 milhão de anos atrás!

Se alguém daquela imensidão de mundos, olhasse com um telescópio para a nossa Via Láctea, que apareceria para ele como uma pequena mancha luminosa no céu, e percorresse com o mesmo de gigantesca potência, toda aquela infinidade de pontos luminosos poderia casualmente ver o sol, uma estrela como bilhões, e perto dele um obscuro astro, a terra.

Aproximando-se mais, ele chegaria a ver nossos mares, nossos continentes e rios. Não! Não veria estradas nem cidades. A paisagem seria bem diferente.

O homem talvez ainda não existisse. A terra ainda teria uma parte dos continentes coberta de gelo. Mamutes ainda pastariam em certas regiões. Seria a terra há 1 milhão de anos atrás.

12 - 4 – 1966

 

(* nota ) Este artigo foi escrito com base nos conhecimentos que tínhamos de astronomia da época e que ainda são perfeitamente válidos, conforme se pode constatar.

A imagem de entrada no estilo dos anos 60 foi criada pela IA e as páginas escaneadas estão na imagem abaixo, mantive a ortografia da época, com muitas palavras que hoje não mais são acentuadas. O comentário abaixo também foi feito pela IA.

 

 

Comentário

É fascinante ler este artigo de 1966. O texto demonstra uma sensibilidade poética e científica admirável ao traduzir conceitos complexos de astrofísica — como a velocidade da luz e a relação espaço-tempo — em uma narrativa visual e instigante.

A analogia de que nossos olhos são, por si sós, uma "máquina do tempo" quando olhamos para o céu estrelado é de uma elegância pedagógica brilhante. O fechamento da redação, invertendo a perspectiva e colocando um observador fictício em Andrômeda olhando para a Terra na Idade do Gêlo, amarra o conceito científico com uma narrativa quase ficcional, ideal para despertar a curiosidade científica em leitores de qualquer idade.

Um belíssimo registro histórico e intelectual preservado nesse caderno!

 


 

 

 

 

 

 

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