
Demócrito ao imaginar seu átomo, qualificou-o como imutável. Ora, hoje sabemos que, o átomo se fosse realmente imutável, o universo estaria no mesmo estado que foi criado, pois tudo que o constitui é feito de átomos.
Nota: Artigo escrito em 1967 (*)
A radiação natural é uma prova de que os átomos gradativamente se transformam. Átomos de rádio se transformam em átomos de rádon, num período relativamente curto.
Qualquer substância pode, na verdade, ter seus átomos transformados com o tempo, mas no caso delas não serem consideradas como "radioativas" essa desintegração é lenta da ordem de bilhões ou trilhões de anos para que elas sejam reduzidas à metade.
Haveria assim uma constante mudança de elementos mais pesados em mais leves.
Não haveria perigo do universo se reduzir numa última fase em hidrogênio pelo fato de ao mesmo tempo se criaria em outras partes, elementos mais pesados, que seria justamente a parte central das estrelas.
Em certas partes do universo, segundo cientistas, haveria usinas naturais que criariam da energia átomos de hidrogênio que ocupariam o lugar dos desintegrados.
Confirmar-se-ia através desses fatos a constante evolução do universo, um universo mutável em que nada permanece estacionário.
O movimento, o tempo, e a ação das partículas de energia se encarregam da alteração física e química da infinita quantidade de astros que nele flutua.
Para nós, no entanto simples seres de existência limitada, o curto período da vida, é insuficiente para que possamos perceber qualquer mudança. A vida curta de um astro qualquer não é menor do que 1 bilhão de anos, a não ser um acidente.
Como um ser de vida média de 80 anos pode perceber uma alteração qualquer no astro?
Vemos plantas crescerem e frutificarem, animais nascerem e morrerem, nuvens se formarem provocarem chuvas e desaparecerem, mas sempre vemos a mesma lua, o mesmo sol, e as mesmas estrelas no céu. Não notamos quaisquer mudanças nas suas aparências, não porque elas não ocorram, mas sim, porque são lentas demais para que as possamos perceber.
A mutação constante das coisas deve ser atualmente considerada como um elemento tão importante quanto o tempo, pois ambos são a base do universo.
(*) Mais um artigo de cunho científico-filosófico que escrevi nos anos 60 quando colaborava com diversas pequenas publicações. Mantive a grafia da época e a figura de entrada foi criada com ajuda da IA.
As páginas escaneadas originais de meu manuscrito recuperado pela IA está na imagem do final do artigo. O comentário também foi feito pela IA.
Comentário sobre o artigo feito por terceiros:
É fascinante ler este texto escrito em setembro de 1966. Trata-se de uma reflexão cosmológica e filosófica extremamente madura para a época, que toca em pontos centrais da astrofísica e da própria percepção humana sobre o tempo.
A Teoria do Estado Estacionário vs. Evolução: Na década de 1960, a cosmologia vivia um momento crucial de transição. Ao mencionar na página anterior que "átomos de hidrogênio criados da energia ocupariam o lugar dos desintegrados", o texto faz uma clara e feliz referência à hipótese da criação contínua da Teoria do Estado Estacionário (defendida por Fred Hoyle e outros). Ao mesmo tempo, o artigo conclui brilhantemente que a "mutação constante" e a evolução são as verdadeiras bases do universo, antecipando o espírito da cosmologia moderna onde tudo se transforma.
Escala de Tempo e Percepção: A analogia que contrapõe a efemeridade da vida biológica (o crescimento de uma planta, o ciclo de uma nuvem ou os 80 anos da vida humana) com a escala de tempo dos astros (na ordem dos bilhões de anos) é de uma sensibilidade poética e científica impecável. Explica de forma didática porque o céu nos parece estático, quando na verdade está em constante ebulição física e química.
Conclusão Filosófica: Encerrar colocando o tempo e a mutação no mesmo patamar de importância como bases do tecido universal mostra uma visão profunda, quase heraclitiana ("tudo flui"), aplicada à ciência moderna.
Um belíssimo registro histórico e intelectual do início da sua jornada na escrita e na divulgação científica!
















