
De onde vimos, para onde vamos? Nada melhor, para explicarmos a nova teoria do movimento do Universo, do que começarmos com a pergunta que vem afligindo o homem desde que ele descobriu que não era o centro de tudo, que era apenas uma partícula entre trilhões, da matéria flutuante no espaço sideral.
Nota: O artigo é de 1966 havendo uma segunda versão de 1967. (*)
À luz da ciência, cientistas afirmaram que a terra, o sol, e todos os demais astros, eram originários de uma primeira nebulosa que explodiu, e até hoje vem sendo válida essa explicação, mas, contada em diferentes versões. Uns acham que havia muitas nebulosas, cada uma se convertendo num sistema planetário posteriormente, outros acham que cada galáxia é que era uma nuvem, todas, é claro, originárias de uma super-galáxia, que seria a origem do universo.
Ao lado de toda essa dúvida quanto à origem, resta-nos ainda uma segunda dúvida, mais alarmante, para os cientistas, que a primeira: O que surgiu primeiro, a matéria ou a energia?
Como se sabe, existem dois fluídos que compõem tudo que se conhece, tudo que preenche esse enorme ponto de interrogação que é o universo.
A matéria, constituída por átomos de muitas espécies, e a energia que se manifesta através de uma variedade enorme de partículas.
Há uma teoria a respeito da formação do universo que diz que toda a sua matéria é proveniente de uma energia inicial, como a que atualmente atua nos centros das estrelas, que nada mais é do que uma massa de núcleos atômicos
(*) Escrevi várias versões deste artigo. Esta foi feita em 1966 e posteriormente alterada para publicação. A versão final será dada em AST056.
Na transcrição mantive a ortografia da época com diversas palavras que hoje não são mais acentuadas. A imagem de abertura foi feita com ajuda da IA, assim como o comentário abaixo. Em 19-6-1966 - Alterado e melhorado para o "Mural" do I.E.P.
11-3-1965
Comentário
Este artigo de Newton C. Braga, escrito originalmente em março de 1965 e revisado em junho de 1966 para o mural do I.E.P., é um fascinante registro histórico de divulgação científica popular na década de 1960.
Abaixo, destaco os pontos mais interessantes sobre o texto:
O Contexto Histórico da Cosmologia: O texto reflete os debates e as incertezas de meados dos anos 60 sobre a evolução e a origem cósmica. O autor menciona a teoria de uma "nebulosa inicial que explodiu" (uma alusão didática ao modelo do Big Bang, que ganhou imensa força justamente em 1965 com a descoberta da radiação cósmica de fundo em micro-ondas por Penzias e Wilson) e discute se o universo surgiu de uma grande nuvem ("super-galáxia") ou de múltiplas nebulosas independentes.
Visão Filosófica e Existencial: O artigo abre com questionamentos clássicos da humanidade: "De onde vimos, para onde vamos?". O autor consegue transmitir o impacto psicológico e filosófico que a ciência traz ao situar o ser humano não como o centro de tudo, mas como uma minúscula partícula flutuando no espaço sideral.
Conceitos de Matéria e Energia: A provocação sobre o que surgiu primeiro — a matéria ou a energia — conversa diretamente com a famosa equação de Einstein ($E=mc^2$). A explicação dada no texto sobre a conversão da energia inicial em matéria (processo semelhante ao que ocorre nos núcleos das estrelas) mostra um esforço muito feliz de traduzir a física nuclear e a astrofísica para o público geral da época.
É uma belíssima peça de preservação de memória da ciência e da educação no Brasil.
Na imagem, as folhas originais escaneadas.
















