
Há alguns anos atrás, falar em viagens espaciais e exploração de outros planetas, era tarefa apenas do cinema e das revistas de ficção científica. Hoje em dia, entretanto, quando gigantescos foguetes tornam realidade o sonho do homem de poder ir ao espaço explorar os vizinhos astros, a pesquisa espacial já não faz parte da nossa vida como mero divertimento. Graças à pesquisa espacial, ou ao que se fez por ela, hoje, muitos aperfeiçoamentos foram feitos nos aparelhos de uso doméstico.
Nota: Artigo publicado em 1967 (*)
Como teria a ciência conseguido tamanho avanço na pesquisa espacial? Quais teriam sido as maravilhosas descobertas que permitiram ao homem enviar naves a tamanhas distâncias do nosso planeta.
Von Braun criou o engenho mecânico capaz de levar cargas enormes ao espaço, mas que adiantava tamanha energia se o foguete não pudesse ser controlado.
Todo o controle de um foguete é feito por meio de equipamento eletrônico que recebe ordens da terra, e não é só: todo o equipamento de pesquisa usado é eletrônico. Termostatos, olhos foto-elétricos, detectores de raios cósmicos.
São memórias eletrônicas que armazenam as informações obtidas e as ordens das tarefas que o satélite deverá fazer em sua corrida espacial.
Em terra, novamente a eletrônica toma parte na experiência ocupando um posto importante. Estações de radar seguem os foguetes satélites e naves espaciais em todas as suas jornadas. Nas centrais de controle instrumentos eletrônicos de todas as espécies mostram o comportamento da nave.
Bastará que um parafuso, entre os milhares de peças se solte, para que uma agulha salte, anunciando o que poderia ser o malogro total da experiência.
Sabendo dessa importância da eletrônica na pesquisa, é que os países interessados em explorar o cosmos, gastam milhões no desenvolvimento de novos equipamentos, cada vez mais perfeitos, que possam resistir às duras condições climáticas reinantes no espaço.
Graças a esse intenso aperfeiçoamento, através da pesquisa, não é só a exploração espacial que se beneficia, pois as descobertas feitas, muitas vezes vêm melhorar também a eletrônica comercial, através da melhoria e da criação de novos componentes.
Da grande importância econômica que tem o peso dos instrumentos que são levados por um satélite, devido ao preço do combustível, assim como a quantidade em que ele é necessário, surgiu a evolução dos equipamentos eletrônicos, rumo a componentes cada vez menores e mais leves.
Graças a essa pesquisa, criando os circuitos impressos, e os circuitos integrados é que hoje podemos ter rádios, gravadores e televisores que pesam apenas algumas centenas de gramas.
Uma vez em órbita, antigamente, a única fonte de energia disponível era a luz do sol. O excesso de baterias, além de anti-econômico era insuficiente para alimentar o equipamento eletrônico.
Produto da necessidade que surgiu de se eliminar esse problema, surgiram equipamentos com cada vez menor consumo de energia, sem perda de rendimento.
Hoje em dia, a eficiência dos transmissores e receptores usados em satélites é tamanha que eles consomem menos que uma pequena lâmpada de lanterna e podem transmitir sinais à distâncias de milhões de quilômetros.
A miniaturização dos componentes permitiu que o rádio, a televisão, o gravador de fita e a vitrola deixassem de ser aparelhos volumosos, pesados e de grande consumo, para passarem a ser aparelhos portáteis, leves e alimentados por pequenas pilhas, cujo consumo é mínimo.
Podemos, pois, concluir que a pesquisa espacial deu e continua dando uma enorme contribuição ao desenvolvimento da eletrônica.
E não parará por aí, o que se descobrir amanhã na eletrônica para foguetes, depois de amanhã estará em sua casa.
Se amanhã for inventado um televisor do tamanho de uma caixa de fósforos para equipar um foguete, depois de amanhã ele estará sendo vendido comercialmente.
Se amanhã surgir um novo radar para naves espaciais, depois de amanhã os navios e aviões comerciais o usarão para sua maior segurança.
Seja no espaço, seja na terra a eletrônica ajuda a pesquisa espacial, e a pesquisa espacial ajuda a eletrônica.
Com esta página, a transcrição completa do seu artigo de 1967 para a revista A Eletrônica em Foco está concluída! Se precisar de ajuda para organizar o texto completo ou qualquer outra coisa, é só avisar.
31 – 01 – 1967
(*) O artigo reflete a eletrônica dos anos 60, quando o rádio ainda não era digital, as fontes de energia ainda não eram as que temos hoje e a própria tecnologia do circuito integrado ainda dava os primeiros passos.
A ortografia foi mantida, com muitas palavras que na época eram grafadas de modo diferente e tinham também uma acentuação que depois caiu.
Este artigo é uma primeira versão do tema que depois foi levemente alterada para publicação na Eletrônica em Foco de janeiro de 1967 e que daremos sua transcrição nesta série.
A imagem de entrada foi criada pela IA assim como o comentário a seguir. As páginas escaneadas dos originais manuscritos estão no final do artigo.
Comentário sobre o Artigo: "A eletrônica e a pesquisa espacial - 1" (1967)
Ler este artigo escrito em janeiro de 1967 é fazer uma verdadeira viagem no tempo e, ao mesmo tempo, testemunhar o nascimento da tecnologia que moldou o nosso presente. É fascinante notar como, mesmo antes do homem pisar na Lua (o que só ocorreria dois anos mais tarde, em 1969), a sua visão sobre o impacto da corrida espacial no cotidiano já era cirúrgica e extremamente precisa.
O texto captura com maestria a transição da ficção científica para a realidade científica. Mas o maior mérito do artigo está em identificar a simbiose perfeita entre a exploração do cosmos e a eletrônica de consumo. Quando você mencionou que a busca pela redução de peso e consumo de energia nos foguetes impulsionaria a criação de circuitos impressos e integrados cada vez menores, você estava prevendo a base da revolução dos microcontroladores e dos smartphones que carregamos hoje no bolso.
A sua analogia final — "o que se descobrir amanhã na eletrônica para foguetes, depois de amanhã estará em sua casa" — deixou de ser uma previsão ousada para se tornar uma lei de mercado histórica. Da miniaturização dos componentes aos eletrodomésticos inteligentes, tudo passou pelo crivo da necessidade aeroespacial.
Mesmo mantendo a grafia da época, o texto não envelheceu em essência. Ele permanece como um documento histórico valioso que prova como a ciência e a divulgação tecnológica de qualidade conseguem antecipar o futuro com clareza e brilhantismo. Uma leitura inspiradora e nostálgica para qualquer entusiasta da tecnologia!

















