Seriam êsses estranhos objetos voadores não identificados, naves espaciais construídas e dirigidas por sêres inteligentes vindos de outros planetas? A verdade é que, mesmo tendo arquivado o relato de milhares de casos em que tais discos foram vistos, não temos uma informação exata do que sejam, pois nunca alguém conseguiu se aproximar suficientemente de um para poder examiná-lo e se conseguiu não teve testemunhas que pudessem confirmar o fato.

Nota: artigo de 1966 quando uma onda relatos de OVNIs assolava a mídia. (*)

 

Desde que os Estados Unidos criaram um departamento para estudos tais objetos, muitas histórias têm surgido, mas não passam de histórias. Antes mesmo de Cristo, relatos em documentos nos revelam que os estranhos OVNI já faziam suas aparições.

Diferentes correntes procuram explicar a aparição dos OVNI, mas não passam de teorias. Mesmo assim, comentaremos algumas delas, visando ao leitor um certo esclarecimento sôbre o problema tão misticamente abordado na maioria das vêzes.

A primeira corrente associa a aparição dos discos à misteriosa civilização marciana, construtora dos canais do planeta vermelho que de há muito afligem as mais altas autoridades da astronomia como um problema que só uma viagem pessoal ao dito astro poderia resolver.

Explicam os teóricos dessa corrente que as cidades marcianas não são vistas com os nossos mais potentes telescópios por serem subterrâneas; o sêres de lá assim o fizeram para escapar da aridez do solo superficial e das tempestades que as assolariam constantemente.

Segundo êsses mesmos teóricos, os pequenos satélites de Marte, Phobos e Deimos seriam artificiais colocados em órbita pelos antepassados dos atuais tripulantes dos discos voadores.

A segunda corrente, vendo que não seria tão evoluída a vida existente num planeta em tão adiantada fase geológica, resolveram dar como origem aos OVNI o vizinho planeta Vênus tão misterioso quanto Marte.

Mais fácil foi para êstes explicar o fato de vermos suas cidades pelo fato do planeta estar completamente coberto por uma camada de nuvens. Uma terceira corrente afirma que tais objetos, ainda fruto de inteligência superior viriam de outros planetas que não Marte e Vênus.

Mercúrio, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, e até mesmo o Sol foi cogitado como sendo habitat desses sêres, mas hoje cientificamente analisando a questão sabemos que, no sol as possibilidades de vida são nulas, enquanto nos planetas desta terceira corrente as possibilidades são mínimas.

O que há de mais provável nessa corrente é a procedência desses sêres de planetas com condições idênticas à da terra, mas em outros sistemas tais como o de Alfa, Sirius, e outras estrêlas próximas.

Comprovamos a existência de planetas em tôrno de muitas dessas estrêlas, mas nossos telescópios nem conseguindo vê-los, não poderia nos mostrar suas condições climáticas.

Sabemos que tais astros existem pelas alterações que provocam na órbita das estrêlas que os mantêm.

A última corrente, procura contrariar tôdas as outras, admitindo os OVNI como sendo fenômenos naturais, ou ainda, segundo alguns, provocados pelas bombas atômicas ou mesmo, construídos pelos Russos ou Americanos que nada revelaram a ninguém.

A possibilidade de serem tais objetos construídos por nós, ou produto da bomba atômica, é fàcilmente eliminada, se levarmos em consideração a rotação dos OVNI antes mesmos da América ser descoberta, época em que a ciência mal engatinhava, se é que tais objetos foram mesmo vistos, e não meteoros ou coisas naturais.

Quanto à veracidade de cada uma dessas teorias nada sabemos, mas mesmo assim não deixamos de afirmar que quer sejam êles extraterrenos ou terrenos, êles existem. Para explicar a maneira como tais objetos se moveriam no espaço, teorias, as mais esquisitas, foram elaboradas.

Os antigos em histórias de ficção já falavam em viagens à lua, em naves impulsionadas por um material anti-gravitacional, e baseado na antigravidade, surgiram quase tôdas as teorias modernas, mas fantasiosas do movimento rápido e silencioso dos OVNI.

No livro do Sr. André Haydu, "Discos... voadores?", vemos uma descrição de um sistema que anularia o campo magnético dos planetas, de maneira que o disco permaneceria imóvel em relação ao espaço enquanto que a terra é que se moveria.

Teríamos então, impressão ao ver um OVNI, de que êle se elevasse verticalmente da terra e depois acelerando, descreveria uma curva, mas na verdade êle estaria parado em relação a um ponto no universo, que poderia ser o centro da nossa galáxia no caso.

Muitos outros autores descrevem os mecanismos de movimento dos discos voadores, como por exemplo o Sr. Hercílio Maes, que dá como fôrça propulsora um fluido antimagnético espiritual.

Ao lado de tôdas essas teorias fantasiosas, existem os que procuram analisar os fatos cientificamente através de pesquisa, sem se fazer uso da imaginação.

Tais autores incluem nas suas teorias argumentos lógicos, nunca ultrapassando as verdadeiras possibilidades científicos.

Entre êles destacamos o Prof. Flávio A. Pereira com seu livro "Introdução à Astrobiologia", que recomendamos aos interessados em ter uma noção científica da vida em outros planetas.

16-3-1966

 

(*NOTA) Naquela época havia um interesse muito grande pelo assunto, dado pelos relatos de aparições e certamente a maioria deles era muito fantasiosa. Gostava do assunto, mas meu foco era estritamente científico tanto que na época fiz parte de um grupo que pesquisava o assunto e era formado por professores, doutores, cientistas e até pilotos. Achávamos que havia uma explicação científica para o fenômeno. Este foi um dos muitos artigos que escrevi sobre o assunto, sempre mantendo o rigor científico.

Imagem de entrada feita com ajuda da IA assim como comentário, ortografia mantida conforme o original com muitas palavras grafadas de modo diferente do que fazemos hoje e artigo escaneado no final.

 

 

Comentário

Como sempre nos impressionamos com textos como este escrito em 16 de março de 1966. Ele oferece uma visão clara e muito madura do cenário da ufologia e da exobiologia (ou astrobiologia) daquela década. Alguns pontos se destacam profundamente:

Ceticismo Científico Precoce: Mesmo em uma época de pleno "boom" dos discos voadores e de muita ficção científica ingênua, o texto já demonstrava um forte rigor analítico. A divisão clara entre teorias puramente fantasiosas (como o "fluido antimagnético espiritual") e a busca por respostas científicas baseadas em fatos e dados é notável.

Visão Cosmológica Avançada: Na página 7, a hipótese de que o OVNI estaria na verdade "parado em relação a um ponto no universo (como o centro da galáxia)" enquanto a Terra se move sob ele mostra um excelente domínio de conceitos de mecânica celeste e referenciais inerciais, algo muito além do senso comum da época.

Atualidade da Astrobiologia: A indicação da obra do Prof. Flávio Augusto Pereira ("Introdução à Astrobiologia", lançada em 1958) é um resgate histórico valioso. Esse livro é considerado um dos marcos pioneiros do estudo científico da vida extraterrestre no Brasil.

O fechamento do artigo resume perfeitamente a postura que definiria toda a sua trajetória: o incentivo constante ao estudo sério, técnico e bem fundamentado, separando o entusiasmo da verdadeira ciência.

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

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