Este artigo faz parte de um antigo livro que fizemos (década de 70) cujo tema central era o uso do osciloscópio em equipamentos de TV e vídeo analógico da época. O livro não tem mais grande utilidade atualmente, a não ser para os leitores que desejam recuperar um equipamento antigo como um televisor, VCR ou câmera para poderem usar em alguma aplicação específica. Também é importante pela finalidade didática, pois analisa os circuitos de vídeo analógico daqueles equipamentos.

Nota: o primeiro artigo da série está em SER491 continuando até o SER502. Este é o último da série.

 

 

EXPANSOR DE BURST

 

O ACC precisa para seu funcionamento de uma tensão DC de referência que varie com o sinal de entrada, mas que não dependa do conteúdo da cena. A referência ideal para esta finalidade é o sinal de BURST.

Na figura 1 temos o diagrama de blocos deste circuito que normalmente tem por base um MOSFET de dupla porta que amplia o sinal de BURST de modo que ele sobressaia na gravação.

 

Figura 1 – O expansor de Burst
Figura 1 – O expansor de Burst | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na reprodução este sinal passa por um compressor.

As frequências encontradas nesta etapa de um VCR são as mesmas das etapas anteriores.

 

 

REPRODUÇÃO

 

O ponto de partida da reprodução dos sinais de um VCR está no conjunto de cabeças.

Como são usadas duas cabeças para a leitura do sinal de vídeo, estas devem ser chaveadas de modo a termos a composição de um sinal único a partir das trilhas que são lidas em separado, conforme sugere a figura 2.

 

Figura 2 – O sistema de recuperação do sinal de vídeo
Figura 2 – O sistema de recuperação do sinal de vídeo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O chaveamento é feito numa frequência de 30 Hz a partir do sinal retangular.

Na figura 3 temos um circuito típico, usando transistores para o chaveamento das cabeças de vídeo, obtendo-se um sinal único.

 

Figura 3 – Circuito típico de chaveamento
Figura 3 – Circuito típico de chaveamento

 

 

As formas de onda deste circuito correspondem pois a sinais de baixa frequência (chaveamento) e alta frequência (vídeo).

A tensão de chaveamento é obtida de dois pequenos imãs presos à cabeça gravadora que ao girar induz pela sua passagem numa bobina captadora o sinal de sincronismo.

Na figura 4 temos o sinal em questão que pode ser observado no osciloscópio com a forma de onda típica.

 

Fig. 4 - 0 gerador de pulsos para o sincronismo.
Fig. 4 - 0 gerador de pulsos para o sincronismo. | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Este sinal passa por um circuito de chaveamento que tem um diagrama de blocos típico mostrado na figura 5.

 

Figura 5 – Blocos do circuito de chaveamento para duas cabeças de vídeo
Figura 5 – Blocos do circuito de chaveamento para duas cabeças de vídeo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Neste circuito existem, ajustes de fase para as duas cabeças os quais podem ser alterados de modo a se obter o sinal final com 50% do ciclo ativo.

 

 

RECUPERAÇÃO DO SINAL DE LUMINÂNCIA

 

O sinal "Y" é gravado segundo processo que vimos no início desta lição, devendo ser obtido na sua forma original a partir de um sistema "inverso” conforme mostra o diagrama de blocos da figura 6.

 

Figura 6 – Recuperação do sinal de luminância
Figura 6 – Recuperação do sinal de luminância | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O sinal é obtido em 629 kHz e depois de passar por um filtro passa-altas, se obtém apenas o Y-FM. Depois temos o estágio DOC (Drop Out Compensation), ou de compensação de falhas no sinal.

O DL (Double Limitter System), tem por finalidade eliminar os problemas que ocorrem na transição rápida de cenas escuras para claras.

Vem em seguida o demodulador onde são recuperadas as informações de luminância e a etapa de de-énfase que compensa a pré-enfase da gravação.

No final temos o cancelador de ruídos, cuja finalidade é cortar as componentes de ruído de alta frequência que estiverem presentes no sinal.

 

 

REPRODUÇÃO DO SINAL DE CROMINÂNCIA

 

Na figura 7 temos um diagrama de blocos que mostra o processo de recuperação do sinal de crominância num VCR no sistema NTSC.

 

Figura 7 – Recuperação do sinal de crominância
Figura 7 – Recuperação do sinal de crominância | Clique na imagem para ampliar |

 

 

As diferenças em relação ao sistema PAL estão nas frequências, já que no PAL-M temos o emprego do cristal de 3,577578 MHz que é resultante da soma de 3,575611 MHz (subportadora de crominância) com 1967 Hz (correspondente à frequência horizontal dividido por 8).

Neste diagrama temos as diversas frequências que podem ser visualizadas no osciloscópio.

O sinal de sincronismo horizontal é conseguido a partir do sinal composto de luminância recuperado da própria fita.

Na gravação além do sinal de 629 kHz temos também um sinal de 3,58 MHz gerado por um oscilador local.

O APC (Automatic Phase Control) garante a fase e a frequência corretas para o sinal de crominância recuperado da fita.

Isso é necessário com a finalidade de compensar pequenas variações que ocorrem devido ao sistema mecânico.

O sinal de frequência fixa de 3,58 MHz é aplicado ao comparador de fase juntamente com o sinal de BURST também em 3,58 MHz, extraído do sinal de crominância recuperado da fita.

Se houver alguma variação na frequência do sinal de crominância ela é detectada pelo comparador de fase e compensada. Este sistema garante a produção de um sinal bastante estável mesmo levando-se em conta as pequenas imperfeições do sistema mecânico e da própria fita.

O VCO (Voltage Controlled Oscillator), gera um sinal de 160 vezes maior que a frequência horizontal, o qual dividido posteriormente por 40 resulta exatamente nos 629 kHz.

Observe estas frequências ao proceder à análise usando o osciloscópio.

A frequência do VCO é capturada com a ajuda de um comparador de fase que recebe dois sinais de frequência horizontal, um do próprio VCO via divisor por 160 e outro pelo separador de sincronismo.

 

 

CONCLUSÃO

 

A variedade de frequências e formas de onda é muito maior nos estágios de vídeo oferecendo assim um amplo campo de trabalho para o técnico que disponha de um osciloscópio e deseje usá-lo com toda sua potencialidade.

Basicamente o técnico deve saber que forma de onda e frequência encontrar em cada ponto do circuito e também deve estar apto a refazer os trajetos dos sinais tanto na condição de gravação como de reprodução de um VCR.

Usando o osciloscópio como um seguidor de sinais o técnico poderá chegar facilmente a qualquer anormalidade de funcionamento.

Conforme vimos, entretanto, é preciso que o técnico saiba como funciona o aparelho analisado para poder fazer qualquer tipo de diagnóstico em função de uma forma de onda anormal encontrada num ponto qualquer.

De nada adianta visualizar uma forma de onda se não for possível interpretá-la.

Que tipo de deformações pode ocorrer com as falhas, que tipo de falhas ocorre por uma determinada deformação?

Estas são algumas perguntas que precisam ser respondidas nestes casos e que não dependem somente do conhecimento do uso do osciloscópio.

 

 

TRANSMISSORES DE TV ANALÓGICA

 

A diferença básica entre um transmissor que trabalha com sinais de áudio somente e um que trabalha com a transmissão de sinais de vídeo é a faixa de frequências de modulação.

O transmissor de vídeo trabalha com sinais numa faixa muito mais larga, que corresponde justamente ao sinal de vídeo e o sinal de áudio, conforme mostra a figura 8.

 

Figura 8 – O espectro de um sinal de vídeo de TV analógica
Figura 8 – O espectro de um sinal de vídeo de TV analógica

 

 

A verificação de um transmissor deste tipo pode ser feita da mesma forma como descrevemos na análise das etapas de um televisor, com a diferença que o sinal na saída do aparelho tem muito maior intensidade.

Também podemos usar um elo de captação para verificar a presença deste sinal, sempre lembrando que o circuito deve estar apto a responder as elevadas frequências do sinal.

Desta forma, para o canal 2, o osciloscópio deve ser capaz de visualizar sinais até 60 MHz para que tenhamos uma ideia do que se passa num transmissor de vídeo.

 

 

CONCLUSÃO

 

Operar com sinais de RF de transmissores e um osciloscópio envolvem alguns cuidados especiais.

Além das providências envolvidas temos a própria frequência elevada.

Desta forma uma ponta indevida para o osciloscópio ou ainda um cabo ou conexão deficiente podem deformar o sinal a ser analisado.

As pontas usadas devem ser de baixa capacitância e o acoplamento deve ser feito sempre de modo que não haja interação entre os circuitos, ou seja, que o osciloscópio não carregue o circuito analisado, ou que o descasamento de impedância afete a forma do sinal analisado.

A própria potência das etapas também consiste num perigo, principalmente nos equipamentos valvulados onde tensões muito elevadas podem estar presentes.

Antes de ligar o osciloscópio a qualquer ponto de um transmissor, verifique qual é a ordem de grandeza da tensão de RF presente e mesmo de polarização da etapa.

Parta sempre da posição máxima atenuação no controle de sensibilidade.

Se operar com tensões elevadas certifique-se do isolamento de todos os pontos do circuito de medida.

Dê preferência as provas que não necessitam de conexão direta ao osciloscópio nos circuitos de altas frequências, pois elas são sempre mais seguras e têm menor possibilidade de carregar os circuitos analisados.

 

 

 

 

 

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