Este artigo faz parte de um antigo livro que fizemos (década de 70) cujo tema central era o uso do osciloscópio em equipamentos de TV e vídeo analógico da época. O livro não tem mais grande utilidade atualmente, a não ser para os leitores que desejam recuperar um equipamento antigo como um televisor, VCR ou câmera para poderem usar em alguma aplicação específica. Também é importante pela finalidade didática, pois analisa os circuitos de vídeo analógico daqueles equipamentos.

Nota: o primeiro artigo da série está em SER491 vindo depois o SER492, SER443 e SER494.

Osciloscópios para serviços específicos em TV analógica antigos, possuem como importante recurso a possibilidade de sincronizar a imagem com o próprio sinal de vídeo, escolhendo-se o componente vertical de baixa frequência (quadro) como o componente horizontal (linha) para a observação de toda a imagem ou apenas de uma linha conforme desejado.

Na figura 1 temos a forma de onda típica de um sinal de TV.

 

Figura 1 – Sinal de vídeo da TV analógica
Figura 1 – Sinal de vídeo da TV analógica | Clique na imagem para ampliar |

 

Quando escolhemos o disparo na posição TV-V ou TV-campo (Field), temos o aparecimento do sinal correspondente a uma tela completa ou um campo, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2 – Sinal correspondente a um campo
Figura 2 – Sinal correspondente a um campo

 

 

Dependendo da maneira como o sinal é retirado do televisor, ela pode estar com polarização positiva ou negativa, conforme mostra a figura 3, o que deve ser levado em conta na sua interpretação.

 

Figura 3 – Polarizações do sinal de vídeo
Figura 3 – Polarizações do sinal de vídeo

 

 

Por outro lado se escolhermos o disparo (T RIG) no modo TV-H ou TV-line (linha), teremos a observação do sinal correspondente a uma linha do sinal de vídeo, conforme mostra a figura 4.

 

Figura 4- Imagem do osciloscópio para o sinal de 1 linha
Figura 4- Imagem do osciloscópio para o sinal de 1 linha

 

 

Alguns osciloscópios somente sincronizam o sinal de linha se o pulso for negativo, o que deve ser levado em conta na retirada do televisor da amostra para análise.

É importante observar que a retirada do sinal do circuito de um televisor para análise exige cuidados em vista da frequência envolvida e também da própria intensidade.

Fabricantes como o Hitachi ressaltam, por exemplo, que enquanto os circuitos convencionais de osciloscópios fazem a retirada direta do sinal de vídeo, com um circuito simples conforme mostra a figura 5, ou no máximo com um filtro RC, conforme mostra a mesma figura em (b), o que causam problemas de dificuldade de sincronização tanto pelo casamento de características como pelo corte de componentes de alta frequência (caso b), os seus circuitos são mais elaborados.

 

Figura 5 – Maneira simples de obter o sinal de vídeo para sincronismo
Figura 5 – Maneira simples de obter o sinal de vídeo para sincronismo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 6 temos o circuito usado pela Hitachi que separa os pulsos de sincronismo da componente de alta frequência, facilitando assim a obtenção de uma imagem estável.

 

Figura 6 – Circuito da Hitachi para sincronismo com TV
Figura 6 – Circuito da Hitachi para sincronismo com TV | Clique na imagem para ampliar |

 

 

É importante observar que nos televisores encontramos basicamente 3 tipos de sinais:

Temos em primeiro lugar os sinais do setor de áudio, que são semelhantes ao de qualquer amplificador convencional e que já estudamos neste curso.

Temos depois os sinais de altas frequências gerados no próprio aparelho que são dois osciladores de varredura e do próprio circuito receptor de alta frequência no seletor de canais como o conversor/misturador.

Finalmente temos os sinais que são recebidos pelo televisor a partir de uma estação e que são processados pelos circuitos.

Nos televisores em cores temos circuitos adicionais que tanto operam com sinais recebidos como sinais gerados no próprio aparelho.

 

 

DE ONDE RETIRAR O SINAL

 

A maioria dos diagramas de televisores possui indicações das formas de ondas nos principais pontos com indicações que facilitam o técnico na descoberta de eventuais anormalidades.

Devemos alertar o leitor que na maioria dos televisores existe uma tolerância de mais ou menos 20% na amplitude dos sinais indicados, o que poderia levar o técnico menos experiente a pensar numa etapa com falta de ganho ou outro problema ao observar uma diferença desta ordem num sinal, conforme mostra a figura 7.

 

Figura 7 – Diferenças de amplitudes dos sinais
Figura 7 – Diferenças de amplitudes dos sinais

 

 

Também é importante notar que nos manuais de serviço de muitos televisores estão previstos os procedimentos para ajuste e testes com saídas para o osciloscópio na própria placa de circuito impresso, o que facilita muito o trabalho do técnico.

Para os pulsos que aparecem em muitos pontos de um aparelho de TV também deve ser considerada uma tolerância com relação a forma e largura.

Esta tolerância é exemplificada na figura 8, onde temos o valor indicado ou médio e os dois extremos de formas e valores que, no entanto, não significam que o aparelho tenha algum tipo de problema.

 

Figura 8 – Tolerâncias para larguras de pulsos
Figura 8 – Tolerâncias para larguras de pulsos | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Um caso importante a ser considerado num televisor é que alguns sinais tem como exigência básica a linearidade.

Isso é válido, por exemplo, para o sinal dente de deflexão. Uma variação desta linearidade provoca problemas de imagem como o mostrado na figura 9.

 

Figura 9 – Linearidade do sinal de sincronismo
Figura 9 – Linearidade do sinal de sincronismo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A linearidade pode ser observada facilmente no osciloscópio e com uma régua podemos até medi-la.

Ela deve estar em até 15% do permitido, para um funcionamento normal.

Para observar de formas de ondas nos diversos estágios, um osciloscópio até 20 MHz serve perfeitamente para a localização de falhas.

Na observação dos pulsos é muito importante que o osciloscópio tenha uma boa resposta neste limite de frequência para que possamos constatar quaisquer deformações, sem o perigo de pensarmos que ela se deve antes ao circuito analisado quando na realidade está sendo provocada pelos circuitos amplificadores do próprio osciloscópio, conforme mostra a figura 10.

 

Figura10 – Alteração na forma de um sinal
Figura10 – Alteração na forma de um sinal

 

 

Pulsos de sincronismo são exemplos de ponto crítico na observação, já que eles podem sofrer este tipo de deformação no próprio osciloscópio se ele não estiver devidamente calibrado, ou apresentar alguma anormalidade de operação.

Como o aparelho opera com banda lateral residual, ocorrem deformações no pulso logo ao ser detectado, após o que ele sofre uma série de integrações que o levam a forma original.

A interpretação errônea destas fases intermediárias de processamento do pulso podem levar o técnico a deduzir que algo vai mal no televisor quando na realidade isso não ocorre.

Isso pode ocorrer quando o técnico não po5sui um diagrama com as formas de onda previstas e tenta ele mesmo deduzir o que encontrar.

 

 

 

 

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