Este artigo é destinado aos leitores que trabalham na reparação e recuperação de televisores analógicos antigos. Ele faz parte originalmente de nosso livro Curso de TV e Vídeo disponível no site na forma de lições e livros.

Conforme vimos na parte teórica, é no seletor que encontramos as frequências mais elevadas de um televisor, por isto, esse elemento do televisor, é bastante delicado e crítico. No entanto, existem alguns defeitos que mesmo o técnico iniciante pode reparar, desde que tenha cuidado e habilidade.

Os sintomas de um televisor, que tenha problemas de seletor podem variar, Tomando como ponto de partida um televisor tradicional, com seletor do tipo de tambor, daremos algumas informações. que podem ser de utilidade ao técnico iniciante.

 

 

a) SELETORES DE TAMBOR

 

O principal problema que este tipo de seletor apresenta, é o desgaste dos contatos das pastilhas do tambor. Desta forma, quando trocamos de canal. a estação sintonizada, pode entrar em determinados momentos de forma normal, mas outras vezes pode entrar com chuviscos e até falhas.

Mexendo no botão do seletor de modo a tirar levemente de sintonia o canal, ou tentando fixá-lo numa posição intermediária, conseguimos a sintonia normal. Este defeito é característico do mau contato das pastilhas com a chave seletora.

A solução imediata mais simples é a utilização de um "spray” limpador de contatos, que deve ser aplicado em todas as pastilhas, e na chave conforme mostra a figura 1.

 

Figura 1 – Usando o spray limpador de contatos
Figura 1 – Usando o spray limpador de contatos

 

 

O que ocorre é que estes contatos se desgastam, e ainda se forma uma camada de óxido que impede a passagem de sinais. Uma solução melhor, consiste em se fazer a lavagem das pastilhas e dos próprios contatos com Thiner ou outro solvente, mas deve-se ter habilidade, para desmontar as partes mecânicas do seletor, e depois remontá-las corretamente.

O seletor deve ter suas partes lavadas cuidadosamente e secas, antes de ser colocado para funcionar. Neste processo, o técnico deve marcar as posições das pastilhas, de acordo com os canais que sintonizam.

Nos receptores a válvula ocorre a perda de rendimento do circuito, ou mesmo que ele deixe de oscilar, pela perda de emissão destes componentes ou seu enfraquecimento. As válvulas "enfraquecem", no sentido de que os catodos, deixam de emitir elétrons em quantidade suficiente, para se obter um bom funcionamento, mudando então as características do componente.

Se bem que poucos sejam os seletores que ainda usam válvulas e que, quando isso ocorra, o que se recomenda é "aposentar" o televisor; pode ser que, tendo uma válvula disponível, do tipo usado no seletor, se suas características ainda estiverem satisfatórias, com a simples substituição seja possível recuperar o funcionamento.

Os seletores possuem muitos pontos de testes e ajustes, onde são tanto aplicados sinais para comprovação de funcionamento, como retirados sinais ou feitas medidas de acordo com os manuais dos fabricantes. Temos também multas bobinas e outros componentes ajustáveis, cujos acessos são feitos das mais diversas formas, como mostra o exemplo de seletor da figura 2.

 

Figura 2 – Acessos aos ajustes de um seletor
Figura 2 – Acessos aos ajustes de um seletor

 

 

É importante observar, que em muitos casos, os ajustes devem ser feitos com ferramentas não metálicas, para que não ocorram alterações de funcionamento.

Para os tipos transistorizados de tambor, o procedimento para teste e reparo, é o mesmo de um circuito conversor, e amplificador super-heteródino, de um rádio FM, pois as configurações usadas são bastante semelhantes.

Na figura 3 temos um circuito típico de um seletor de sintonia contínua transistorizado, onde em lugar das pastilhas, temos realmente um capacitor variável de 3 seções (como nos receptores de FM), com dois transistores apenas. Este tipo de seletor pode ser encontrado em televisores econômicos portáteis.

 

Figura 3 – Circuito de sintonia deum seletor
Figura 3 – Circuito de sintonia deum seletor

 

 

 

b) SELETORES COM VARICAPS

 

Para os seletores com varicaps, o procedimento para teste e reparação, não é muito diferente, se levarmos em conta que em lugar de termos um sistema mecânico, para determinar a estação captada, temos uma tensão.

Assim tomando, por exemplo, o circuito da figura 26, temos de levar em conta que, ao variarmos o controle de sintonia, deve haver variação correspondente das tensões nos varicaps. Podemos então estabelecer certos sintomas, que são justamente associados aos componentes, deste tipo de seletor como:

• Falta de sensibilidade nos extremos das faixas de sintonia, ou dificuldade em sintonizar certos canais.

• Os canais captados tem imagem deficiente (chuvisco).

• Não se consegue ao mesmo tempo som e imagem de boa qualidade, com rendimento baixo para os dois.

Estes sintomas são característicos de problemas com um seletor de canais.

Para a substituição dos varicaps em caso de necessidade, é preciso levar em conta sua capacitância máxima e mínima, na faixa de tensão original de operação. Os fabricantes normalmente possuem varicaps, indicados para as aplicações em questão. Se um tipo não original for usado, com características diferentes, o ajuste dos canais para melhor recepção não será possível.

 

Figura 4 – Seletor com varicap
Figura 4 – Seletor com varicap

 

 

 

c) SELETORES POR TOQUE

 

Os procedimentos para reparo de seletores, tanto que fazem uso da chave de tecla, como por toque, segue basicamente dois tipos de análise.

Uma delas é no setor de conversão e amplificação de sinais que opera exatamente como num seletor comum, verificando as tensões, e se existe o sinal na saída (verificaremos nas lições futuras como usar geradores, e outros instrumentos de prova para isso). A outra é no setor de controle, devemos verificar se ao apertarmos cada tecla, aparece a tensão de controle dos varicaps, nos trimpots correspondentes. Um canal que não dê ajuste, ou ainda que não pegue da maneira satisfatória, pode justamente indicar que, a tecla ou toque não está atuando, ou que existem problemas nos trimpots correspondentes.

Se um ou mais canais apenas não funcionarem, temos então um argumento que nos mostra que o problema está na sintonia, e não no circuito conversor propriamente dito. No entanto, se nenhum canal pegar e ao atuarmos sobre as teclas ou controle de toque, aparecerem as tensões esperadas nas saídas, então podemos ter certeza que, o problema não é no setor de controle, mas sim no setor de alta frequência (oscilador local, conversor e amplificador de RF).

Devemos neste ponto separar duas gerações de controles por toque, as que fazem uso de componentes relativamente comuns, de linhas normais e que, portanto, podem usar vários integrados, e aquelas mais modernas que fazem uso de componentes dedicados. No caso dos componentes dedicados, o que temos é um componente único, que reúne todas as funções necessárias à sintonia, e que, portanto, se apresentar problemas, só deve ser substituído pelo original.

No caso das gerações com componentes tradicionais, podemos até encontrar equivalentes, como Cis lógicos da linha CMOS. Dependendo da origem do aparelho pode até haver uma certa dificuldade de reparação, pois um componente dedicado deste tipo de aparelho importado, pode não estar disponível em nosso mercado.

 

 

d) SELETORES DIGITAIS

 

Para trabalhar no reparo de sistemas digitais de sintonia, não é necessário que o técnico conheça eletrônica digital profundamente, se bem que isso ajude muito. Lembrando que estes circuitos operam com níveis lógicos determinados, ou seja, que temos tensões de 0 V e um valor positivo único, consultando os manuais dos aparelhos é possível saber se algo vai mal com o integrado, com os dedicados, ou ainda com os componentes adjacentes.

Um circuito deste tipo consta de um teclado que faz a seleção da função, um display que indica o número digitado, e, portanto, função, e um conjunto de saídas, que apresentam tensão conforme a operação ou função selecionada.

Se a função digitada aparecer no display, na saída correspondente tiver a tensão de comando (diferente das outras), e o aparelho não responder, então podemos suspeitar que o problema está no circuito que deve realizar a função, e não no que o comanda.

Por outro lado, se não houver esta tensão de comando, ou não aparecer a indicação no display, então podemos suspeitar deste circuito. A análise dos circuitos lógicos deve ser feita com base num indicador de níveis lógicos, ou então com o multímetro, procurando-se detectar os níveis de tensão indicados no diagrama do fabricante. Como procedimento indicado, para o caso de circuito integrado em geral, começamos pela medida das tensões, e encontrando alguma anormalidade, verificamos os componentes periféricos.

Se estiverem bons, então provavelmente é o próprio integrado que se encontra com problema.

Para os circuitos com controles remotos, veremos nas lições futuras como funcionam. Que tipo de instrumental deve possuir um técnico, que vai reparar equipamentos de TV, é algo que veremos nas próximas lições, inclusive ensinando alguns procedimentos básicos.

Lembramos finalmente que os seletores do tipo digital, são parte dos equipamentos de videocassete, já que eles possuem seu próprio receptor de TV integrado. Em alguns tipos, o controle da etapa seletora por tais circuitos, utiliza verdadeiros microcomputadores, que podem ter funções adicionais, como a de ligar e desligar o aparelho em determinado canal, em horários programados para fazer uma gravação, a de transferir um sinal captado tanto para uma fita como um televisor, e outras.

Dada a grande variedade de componentes, e tipos de circuitos usados no controle de seletores e incorporando-os, os técnicos devem preocupar-se em reunir literatura sobre o assunto. O espaço deste curso é insuficiente para que numa única lição, possamos abordar todos os tipos de circuitos existentes para esta finalidade, mas partindo dessa base, o leitor poderá facilmente partir rumo a um aperfeiçoamento.

 

 

 

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