A troca de determinados componentes na reparação de televisores exige ajustes adicionais que só podem ser realizados com a ajuda de instrumentos apropriados. Um destes instrumentos é o gerador de padrões, tão necessário quanto certos componentes dos circuitos de deflexão. Gerando padrões de linhas paralelas, pontos ou linhas cruzadas, este gerador é indispensável em qualquer oficina de reparação e sua utilização, embora simples, garante a execução de um serviço perfeito, que o cliente certamente saberá reconhecer. Neste artigo falamos do princípio de utilização de um gerador comercial de padrões, o Sinaltec GPS — 2002.

Nota: Artigo publicado na Revista Saber Eletrônica 202 de 1989

A finalidade básica de um gerador de padrões de TV como o Sinaltec GPS — 2002 é gerar uma imagem padronizada, que possa ser utilizada como referência para o ajuste de um televisor.

O tipo mais simples de gerador produz simplesmente linhas paralelas ou cruzadas que servem como referência para ajustes de convergência, linearidade e altura. Equipamentos mais sofisticados, como o GPS — 2002, produzem outros padrões adicionais em branco e preto e que podem ser de grande ajuda em operações específicas de ajustes.

 


 

 

Assim, conforme vemos na figura 1, os padrões gerados pelo GPS — 2002 são oito, selecionados por meio da combinação de um conjunto de chaves existentes no painel.

O sinal gerado pode ser aplicado diretamente na entrada de antena de um televisor ou na entrada de sinal de um monitor de vídeo. O sinal, no caso do televisor, é sintonizado num canal livre da faixa de VHF ou UHF.

Para o técnico reparador é muito importante saber como utilizar o seu gerador em determinado tipo de ajuste, ou seja, como escolher o padrão ideal.

Os exemplos tomados a seguir são baseados na reparação de televisores comuns.

 

 

AJUSTE DE CONVERGÊNCIA

 

Quando determinados tipos de componentes das etapas de deflexão de um televisor em cores são trocados, um ajuste posterior tanto da convergência estática como da dinâmica se faz necessário. Para esta finalidade podemos fazer uso do padrão de pontos ou de barras cruzadas, conforme mostra a figura 2.

 


 

 

 

O processo de ajuste consiste basicamente em fazer com que os feixes do tubo de raios catódicos (cinescópio) incidam no mesmo ponto. Se isso não ocorrer, conforme sugere a figura 3, na reprodução das imagens vão aparecer franjas de cor em torno das arestas dos objetos focalizados.

 


 

 

 

Este efeito torna-se mais acentuado se o programa sintonizado for em branco e preto. Neste caso, a trama estará perfeita, já que não existe a informação de uma imagem com arestas, mas os feixes que devem reproduzir estas arestas incidem em locais diferentes, resultando numa imagem com problemas. Existem dois ajustes a serem feitos para se obter a convergência correta num televisor que tenha os problemas citados.

 

 

a) Convergência estática

 

Este ajuste consiste em se fazer o correto posicionamento de ímãs permanentes, existentes em torno do cinescópio, de modo que seus campos deflexionem da maneira esperada os raios catódicos que incidem na tela. Como não entram em jogo correntes ou sinais, mas sim campos permanentes ou estáticos, dizemos que se trata de um ajuste de convergência estática. Ao lado deste existe o ajuste dinâmico, que veremos mais adiante.

Na figura 4 temos então uma bobina defletora típica usada em televisor em cores. O conjunto de convergência é montado sobre peças polares nos três canhões do tubo de raios catódicos de tal maneira que o campo magnético criado por cada um influi somente no feixe correspondente.

 


 

 

 

Pela movimentação dos ímãs podemos aumentar ou diminuir sua influência no feixe, movimentando-os levemente e obtendo, assim, a incidência nos pomos desejados.

 


 

 

 

Os ímãs são dispostos em forma de Delta com separação de 120 graus. o que faz com que os feixes vermelho e verde se desloquem em diagonal, enquanto que o feixe azul se desloca no sentido vertical, como mostra a figura 5.

Para o feixe azul existe um ímã adicional que permite seu deslocamento também no sentido horizontal. Este imã também é um elemento de ajuste da pureza da imagem.

Com a movimentação dos quatro ímãs citados, podemos levar os feixes a incidir num mesmo ponto, o que se constitui no ajuste da convergência estática.

Com a combinação dos feixes na tríade obtemos então o branco.

O procedimento típico para se fazer o ajuste da convergência estática consiste em, primeiramente, sintonizar no televisor o padrão de linhas cruzadas ou então de pontos. Em seguida atuamos sobre os anéis 3 e 4, de modo a sobrepor o feixe vermelho ao azul. Na próxima etapa, deslocamos os anéis 5 e 6, de modo que o resultado da soma do vermelho com o azul (R + B) se sobreponha ao verde (G). Uma vez obtida a convergência, devemos lacrar os anéis.

Veja que neste ajuste não é necessário que se obtenha uma convergência perfeita em toda a tela. Pode ocorrer que nas bordas ainda não tenhamos a convergência perfeita, o que poderá ser corrigido posteriormente com o ajuste da convergência dinâmica. O importante é que neste procedimento inicial, na região central da tela já tenhamos obtido a convergência. Num passo seguinte, passamos a ajustar a convergência das laterais da tela, deslocando inicialmente o Yoke no sentido horizontal e vertical, para obtenção de uma correta sobreposição de cores nas laterais. Ajustamos a posição do Yoke para que a imagem fique simétrica em relação à geometria da tela. Colocamos calços de borracha para fixar o Yoke e, se necessário, podemos usar permalloy para corrigir a convergência nos cantos (figura 6).

 


 

 

 

Com o procedimento completado podemos lacrar os anéis. A convergência dinâmica é feita segundo um procedimento diferente.

 

 

b) Convergência dinâmica

 

A movimentação dos feixes que caracteriza a convergência dinâmica é obtida a partir de circuitos eletrônicos atuando sobre bobinas e defletores internos. O ajuste desta convergência é feito de acordo com o procedimento descrito a seguir.

 


 

 

 

Na figura 7 mostramos o exemplo de um painel de ajuste de convergência de um televisor, onde estão reunidos todos os componentes que devem ser ajustados.

Em alguns televisores este painel é montado em posição estratégica na parte frontal, de modo a permitir a observação da imagem enquanto se faz o ajuste. Em outros casos, entretanto, será preciso dispor de um espelho para se observar a imagem e fazer o ajuste ao mesmo tempo, como vemos na figura 8.

 


 

 

 

Para a realização do ajuste de convergência dinâmica utilizamos o padrão de imagem quadriculado.

As bobinas dos ajustes atuam sobre a fase das correntes de correção de convergência, enquanto os trimpots atuam sobre as amplitudes destas correntes.

No procedimento, ajusta-se inicialmente a convergência do vermelho e verde juntos (R + G). Para facilitar este ajuste é comum eliminar-se o azul. Outra possibilidade é forçar uma separação dó azul, que pode ser movimentado facilmente no controle correspondente. Ajusta-se então o vermelho mais o verde, e depois o azul será levado à coincidência, conseguindo-se chegar assim ao branco.

Muitos fabricantes dão sequências de operações específicas para a realização destes ajustes, mas, de um modo geral, o resultado final é o mesmo.

 

 

A CONVERGÊNCIA DINÂMICA

 

Para entender melhor os ajustes realizados são interessantes analisar a forma de onda das correntes que são aplicadas às bobinas dos televisores. Estas correntes têm uma forma de onda parabólica inclinada, como mostra a figura 9.

 


 

 

 

A frequência para a deflexão vertical é de 60Hz e para a horizontal é de 15 750Hz. Esta corrente vai atuar principalmente na convergência nas bordas da tela e o efeito é muito pequeno no centro, dada sua forma de onda.

 

Para conseguir este tipo de sinal, temos a carga de um capacitar a partir de um sinal dente-de-serra. Somando parte deste sinal à tensão no capacitor, temos a inclinação necessária ao efeito final desejado.

A inclinação é necessária dada a geometria dos cinescópios, já que um feixe azul no alto deve ser deslocado num percurso maior quando deflexionado para baixo do que quando deflexionado para cima. O mesmo ocorre em relação aos feixes de vermelho e verde, instalados abaixo da linha de centro da tela.

Horizontalmente, o vermelho ê o verde também estão fora do centro, o que significa que devem ocorrer deflexões diferentes em relação às extremidades da teia. Nos televisores, os ajustes de convergência dinâmica para o vermelho e o verde são conjugados, de modo a se reduzir os pontos de atuação no circuito.

 

 

AJUSTE DO EFEITO ALMOFADA

 

Quando a trama de uma imagem sofre uma deformação, como a mostrada na figura 10, dizemos que ocorre o efeito almofada.

 


 

 

 

Este efeito pode ocorrer tanto nos televisores branco e preto como nos em cores, e é mais acentuado em tubos de imagem com grandes ângulos, como por exemplo os tipos de 90 graus ou maiores.

Nos televisores branco e preto, para corrigir este tipo de problema, basta gerar o padrão quadriculado e atuar sobre os ímãs permanentes que estão montados no conjunto de deflexão.

Nos televisores em cores, entretanto, estes ímãs não podem ser usados, pois atuariam de modo diferente sobre os três feixes. Para os televisores em cores, a correção é feita de modo dinâmico, atuando-se sobre os circuitos de deflexão.

Temos então dois circuitos para fazer a correção deste efeito, atuando sobre a deflexão horizontal e sobre a deflexão vertical.

 

 

CORREÇÃO HORIZONTAL

 

Neste caso, atuamos sobre os circuitos de modo a endireitar os lados da trama. Na figura 11 temos um circuito típico de correção para a distorção horizontal.

 


 

 

 

O que se faz é modular a corrente de deflexão horizontal de 15 750kHz frequência vertical de 60Hz, de modo a se obter uma envoltória com contorno parabólico, conforme sugere a mesma figura. O resistor R e o capacitor C determinam o contorno desta parábola. O efeito final desta forma de onda é que as linhas das bordas que estavam curvadas, sendo produzidas por sinais de menor amplitude, endireitam, pois passam a sofrer menor deflexão, conforme mostra a figura 12.

 


 

 

 

 

CORREÇÃO VERTICAL

 

Este ajuste atua sobre as correntes das bobinas de deflexão horizontal com sinais do tipo mostrado na figura 13.

 


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Temos então uma forma de onda dente-de-serra que deve ter a amplitude modificada com a aplicação de um sinal modulador. Obtemos então uma forma de onda "borboleta", modificando a exploração vertical e assim corrigindo a distorção.

 

 

AJUSTES

 

Normalmente a correção lateral do efeito almofada não precisa ser feita, pois, de fábrica, os ajustes já vêm feitos. O gerador de padrões é utilizado com o padrão quadriculado e o controle de fase do PIN (efeito almofada), para endireitar as linhas horizontais do centro da tela, é ajustado. Em seguida, o controle de amplitude é ajustado para fazer o endireitamento das linhas horizontais do topo e da base da tela.

Determinados televisores possuem ainda um ímã permanente no reator para ajustar o ponto de convergência entre as correções de topo e de base.

 

 

CONCLUSÃO

 

Evidentemente, não vimos todos os ajustes que podem ser feitos com a ajuda do Gerador de Padrões, mas apenas os referentes à convergência e efeito almofada. Em novas abordagens voltaremos com outros ajustes, esclarecendo ao técnico como trabalhar com este utilíssimo instrumento

 

 

 

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