Este artigo é uma continuação da série de artigos anteriores que trata de reparação de televisores analógicos antigos. Ele faz parte do livro Curso de TV e Vídeo que publicamos nos anos 80 visando os televisores analógicos e monitores de vídeo da época. O artigo tem interesse prático para os leitores que desejam reparar ou recuperar equipamentos antigos. Mais sobre o assunto pode ser obtido nesta seção e no livro disponível para download.
Conforme sabemos de artigos anteriores desta série a varredura do feixe de elétrons é que determina a formação das linhas que preenchem a tela, e qualquer alteração na forma como essa varredura ocorre pode afetar também a imagem.
Desta forma, uma vez feitos reparos num televisor, ou diante de um televisor com imagem deformada, o técnico precisa ter instrumentos que permitam avaliar essa deformação e realizar as correções, quer seja por meio de ajustes, quer seja pelo reparo dos circuitos responsáveis.
Um dos instrumentos mais importantes na oficina de reparos de TV e vídeo, e que serve justamente para a avaliação da imagem e realização de ajustes, é o gerador de padrões ou gerador de barras. Este aparelho tanto pode ser do tipo portátil, com menos recursos, como também de bancada, com muitos recursos, conforme mostra a figura 1.

Estes geradores produzem sinais que são úteis tanto para a realização de testes e ajustes em televisores branco e preto como também em cores.
Inicialmente vamos nos preocupar com a utilização destes geradores em ajustes de linearidade e altura, que são comuns aos aparelhos dos dois tipos. Para as provas de linearidade e altura utilizamos os três padrões mostrados na figura 2.

O gerador funciona como uma pequena emissora que transmite um sinal que pode ser recebido no canal 3 ou 4 do televisor em prova (deve ser escolhido um canal livre). Basta encostar as garras de saída nos terminais de antena do televisor, e em alguns casos basta apenas deixá-las a uma pequena distância.
As barras geradas pelo instrumento são igualmente espaçadas nos três casos, e com isso podemos usá-las como referência para verificar deformações da imagem, o que não ocorre com um programa, que normalmente muda rapidamente suas cenas. São os seguintes os ajustes que podemos fazer com base nesses padrões:
a) Ajuste de altura ou linearidade vertical
Se o sinal que faz a varredura vertical estiver com a sua intensidade alterada teremos o problema mostrado na figura 3 a.

Se houver uma variação de sua tensão, mas em relação referência, isto é, sua amplitude se mantém, mas o valor em tomo do qual ocorrem as variações muda, teremos um deslocamento da imagem conforme mostrado na figura 3b.
Finalmente, se houver uma deformação do sinal, a alteração será a mostrada nas figuras 3c, 3d conforme o tipo de distorção da rampa dente-de-serra. Em todos os casos, a correção pode ser feita pelos trimpots de ajuste de altura e de linearidade. Na figura 4 temos um circuito típico de deflexão vertical onde localizamos os trimpots em questão.

Os ajustes devem ser feitos de modo que as linhas horizontais fiquem igualmente espaçadas.
b) Ajuste de largura ou linearidade horizontal
Problemas com o circuito de varredura horizontal trazem deformações na imagem, mas no sentido horizontal. Também encontramos trimpots e outros elemento que permitem realizar os ajustes, como no exemplo do circuito da figura 5.

Os problemas que podem ocorrer, tanto podem ser devidos à amplitude do sinal como à sua linearidade, caso em que teremos as deformações mostradas na figura 6.

c) Ajuste de geometria
Para estes ajustes usamos o padrão quadriculado. Se a linearidade e a altura estiverem perfeitas, as separações tanto das linhas verticais como horizontais estarão iguais. Pode ocorrer, entretanto que a imagem fique "torta", conforme mostra a figura 7, o que indica um problema de geometria.

Este problema é resolvido ajustando o yoke, que será rodado no pescoço do cinescópio até se obter a posição certa da imagem.
Um teste interessante que é feito com o padrão de barras cruzadas é o da amplificação de altas frequências. Se as barras verticais ficarem mais “fracas” que as horizontais, isso significa que o circuito amplificador de vídeo está apresentando algum problema na amplificação das frequências mais altas.












