Este artigo é uma continuação da série de artigos anteriores que trata de reparação de televisores analógicos antigos. Ele faz parte do livro Curso de TV e Vídeo que publicamos nos anos 80 visando os televisores analógicos e monitores de vídeo da época. O artigo tem interesse prático para os leitores que desejam reparar ou recuperar equipamentos antigos. Mais sobre o assunto pode ser obtido nesta seção e no livro disponível para download.
O gerador de padrões, que é um instrumento de grande utilidade no ajuste de televisores branco e preto, também é muito importante no ajuste de televisores em cores. Estes geradores geram sinais tanto em PAL-M como NTSC, o que permite sua utilização nos dois tipos de aparelhos e também no trabalho com gravadores de vídeo.
Um circuito bastante crítico dos televisores em cores é a placa de convergência. Nela estão os elementos que são responsáveis pela incidência dos feixes de elétrons nos pontos certos, em qualquer posição da tela.
Se isso não ocorrer podem haver alterações da imagem, como por exemplo bordas coloridas ou com face afetado, o que é bastante prejudicial à boa reprodução. Na figura 15 temos uma placa de convergência de um televisor em cores comum. Os feixes de elétrons dos três canhões são dirigidos aos pontos correspondentes da tela por dois sistemas de deflexão.
O primeiro é feito por meio de ímãs permanentes fixados no pescoço do cinescópio e denomina-se convergência estática. Na figura 16 mostramos as posições desses ímãs, que podem ser movimentados para ajustes.
O segundo é feito por meio de bobinas, sendo estas percorridas por corrente. Este é denominado convergência dinâmica. Se a convergência estiver afetada, quando aplicamos um padrão de grade ou de pontos, verificamos que as linhas que deveriam ser brancas, na verdade são "decompostas" nas cores RGB, conforme mostra a figura 1.

Aparecem na verdade três pontos bem separados, ou três linhas bem separadas, atestando que os feixes de elétrons não estão incidindo na mesma tríade. Quando isso ocorre, quer seja por algum problema de transporte do televisor (que pode ter as bobinas ou ímãs deslocados) quer seja pela troca de componentes da placa de convergência, o técnico deve realizar o ajuste de convergência.
Para isso utiliza-se o gerador no padrão de grade, e de acordo com o fabricante do televisor são ajustados os componentes que influem na convergência. Deve-se também ajustar os ímãs no pescoço do cinescópio de modo a se obter em toda a tela barras brancas.
É importante observar, pelo diagrama, que existem tanto bobinas como trimpots para este ajuste. Todo o conjunto é bastante crítico quanto à influência na imagem. Assim, pode ocorrer que, se a sequência de ajustes for diferente da indicada pelo fabricante, consigamos uma superposição boa das linhas no centro da tela, mas não nas bordas e vice-versa, conforme mostra a figura 2.

Por este motivo é que, embora exista uma sequência algo comum para a maioria dos aparelhos, o desempenho melhor sempre se obtém quando o ajuste é feito da forma que o fabricante recomenda.
Assim, é muito importante que o técnico sempre trabalhe na sua oficina com manuais ou esquemas originais, mesmo que isso tenha de ~obrada, como parte do serviço. Afinal, trata-se de investimento, pois quanto mais manuais o técnico comprar, maior será a probabilidade de ter literatura sobre um aparelho quando ele entrar na sua oficina pata reparos. Damos a seguir algumas imagens obtidas com o gerador de padrões num televisor em cores com os pontos que devem ser ajustados.
a) Neste caso (figura3) as extremidades das barras verticais estão com a convergência dinâmica alterada. O ajuste a ser feito é de amplitude.

b) Na figura 4 temos barras horizontais com as extremidades afetadas. O ajuste deve ser feito na amplitude.

c) Na figura 5 temos uma imagem de pontos com erro de convergência estática. A convergência estática deve ser ajustada.

BARRAS COLORIDAS
Os geradores de padrões também produzem imagens de barras coloridas, conforme mostra a figura 6, e que servem para uma infinidade de testes e ajustes tanto em televisores como em aparelhos de videocassete.

Outro padrão importante é o de cores puras, que serve para o ajuste de "pureza". O ajuste típico de pureza é feito com a tela totalmente vermelha e atuando-se sobre os anéis e bobinas de pureza que são fixos no cinescópio por meio de borboletas. Os fabricantes dos televisores possuem procedimentos específicos para estes ajustes.
SERVICE DE CONTROLES REMOTOS
Os sistemas mais antigos de controle remoto utilizavam ultrassons, com frequências entre 30 e 50 kHz que eram transmitidas e captadas por meio de transdutores, conforme mostra a figura 7.

No entanto, pelo número de problemas de interferência, além do desempenho limitado em vista da largura do canal de transmissão, estes sistemas foram cedendo gradualmente seu lugar aos infravermelhos, que hoje dominam totalmente o mercado.
No sistema infravermelho temos um LED (diodo emissor de luz) infravermelho que é alimentado por um sinal modulado que leva a informação do comando a ser realizado, conforme mostra a figura 8.

A codificação é feita digitalmente, com pulsos numa frequência entre 50 e 200 kHz tipicamente. Como são usados circuitos integrados dedicados na transmissão e na recepção, os sistemas podem trabalhar com grande quantidade de funções.
O receptor pode ser tanto um fotodiodo como uma foto transistor. Nos sistemas que operam em velocidades maiores normalmente é preferido o fotodiodo, que tem uma resposta mais rápida. O receptor de controle remoto fornece apenas tensões em suas saídas, as quais são levadas aos circuitos que devem comandar, conforme indica a figura 9.

Isso significa que o técnico pode verificar se um controle remoto está funcionando simplesmente medindo as tensões nas saídas correspondentes a cada comando. Se a saída estiver presente, mas a função não for executada, certamente o problema está no circuito do televisor responsável por essa função, e não no controle remoto.
Veja que, como os controles remotos fornecem saídas fixas, os circuitos dos televisores devem ser planejados para responder a estes comandos, o que impede que televisores comuns sejam adaptados para funcionar com controles remotos.
Se temos um televisor em que o controle de volume é feito por um potenciômetro, como devemos proceder para converter esse modo de atuação para responder a uma tensão? Evidentemente isso envolve modificações radicais do circuito, e elas nem sempre podem ser feitas.
A mudança de canais num seletor de tambor, por exemplo, é mais problemática ainda: será que compensa fazer a adaptação de um motor?
Para os nossos leitores é muito mais importante saber como descobrir problemas de funcionamento num controle remoto comum, do tipo usado em televisores ou videocassetes.
a) Teste de funcionamento do transmissor
Um teste muito simples de emissão pode ser feito conforme mostra a figura 10.

Atuando sobre o controle junto a um receptor de AM fora de estação devemos ouvir um bip se o transmissor estiver operando.
Se isso não ocorrer:
* Verifique o suporte de pilhas
* Verifique se um ou mais LEDs não estão soltos
*Verifique se existem interrupções das trilhas da placa de circuito impresso.
* Verifique a tensão na placa quando o circuito é acionado.
Outra maneira de se testar o transmissor é utilizando o circuito da figura 11. Aproximando o LED emissor e o sensor deste circuito teremos a indicação de funcionamento ao apertar qualquer tecla do controle remoto.

b) Problemas de teclado
Se existem funções que não atuam, isso pode ser devido a um problema de contato nos teclados. Muitos circuitos fazem uso de teclas de pressão em que duas trilhas próximas de cobre da placa são colocadas em curto quando a tecia é pressionada, conforme mostra a figura 12. Se essas trilhas acumularem sujeira ou oxidarem o contato toma-se difícil e a função falha. Uma limpeza tanto da placa como das tecias com um bom solvente pode resolver este tipo de problema.

c) Caixas quebradas
O transmissor do controle remoto é frágil e está sujeito a danos muito mais facilmente que o aparelho controlado: quedas, batidas ou mesmo alguém que sente em cima pode causar a quebra da caixa.
É importante observar que em muitas caixas o teclado faz parte de sua estrutura e a quebra pode afetar algumas funções e até os contatos. Para colar as partes quebradas da caixa é precisou usar uma cola forte e ter muito cuidado para que ela não se espalhe pelo teclado ou ainda venha a prejudicar a propagação dos raios infravermelhos.
d) Problemas do receptor
O multímetro pode ser útil na verificação do receptor. Medidas de tensões podem indicar quais são as funções que funcionam e que não funcionam, ficando assim caracterizado se o problema é do receptor ou do circuito do televisor que deve ser controlado.
Para saber se o sinal de comando está saindo do transmissor numa determinada função podemos fazer o teste do receptor de AM. Estes mesmos procedimentos que estudamos são válidos para controles remotos de videocassetes ou qualquer outro aparelho que use o sistema infravermelho.













