Na época da TV analógica a avaliação da qualidade de um televisor não era muito diferente da atual em que temos a reprodução por número de pixéis com os sistemas que chegam aos 8k e futuramente mais. Naquela época a escolha de um televisor também era avaliada pelos pichéis, mas era ainda levada em conta a maneira como os sinais eram recebidos. Daremos a seguir o modo como era feita com base em publicação nossa dos anos 90. O nosso Curso de TV e Vídeo em que abordamos o assunto está disponível no site.
Uma imagem será tanto mais nítida quanto mais pontos tiver. O número total de pontos será então determinado pelo número de linhas multiplicado pela quantidade máxima de pontos que pode ter cada linha.
Para uma frequência de vídeo de 4 MHz que é o máximo admitido pelo nosso sistema, pode-se obter até 400 pontos por linhas. Isso resulta numa imagem com 210 000 pontos de imagens ou pixels. Esta é a quantidade de pontos transmitidos pelas estações e que teoricamente um televisor deve reproduzir para ter uma imagem perfeita.
Na prática, entretanto, isso não ocorre, e simplesmente observando a qualidade de imagem de dois televisores podemos perceber isso.
Muitos fabricantes especificam nos folhetos de seus televisores a quantidade de pixels das imagens obtidas o que é um atestado da sua qualidade. Cabe ao técnico orientar o comprador de um televisor que a qualidade de imagem de um modelo não se avalia simplesmente "observando" uma cena bonita.
Pode perfeitamente ocorrer que um bom televisor, com uma excelente resolução de imagem, não agrade ao comprador, simplesmente porque na loja o sistema de antenas é deficiente ou porque existe algum problema de recepção, da mesma forma que um televisor que seja apenas razoável em outra loja, agrade ao comprador por ter uma imagem "melhor" do que o primeiro, por estar num local favorável à recepção. Garantindo que seu televisor tem a melhor qualidade de imagem, para obtê-la basta que o sistema de recepção seja também o melhor, conforme mostra a figura 1.

Veja então que os circuitos dos televisores são bem diferentes dos usados nos aparelhos de rádio, no que se refere à sensibilidade e à seletividade. Os circuitos dos receptores de rádio são bastante seletivos, deixando passar apenas uma faixa estreita de frequências, para que os sinais das emissoras adjacentes não "entrem“ e causem interferências, conforme mostra a figura 2.

Os circuitos dos televisores, por outro lado, devem ser muito menos seletivos, no sentido de que devem permitir a passagem de uma faixa muito mais larga de frequência, mas ao mesmo tempo devem ter a capacidade de rejeitar os sinais de estações adjacentes. Dentro da faixa de frequência que o receptor pode sintonizar, o rendimento deve ser constante.
Se esse rendimento não for constante, se houver, portanto, uma "irregularidade" na resposta de altas frequências, por exemplo, conforme ilustra a figura 3, pormenores da imagem podem ser perdidos e a imagem passar a ser reproduzidas com menos pontos.

Embora a maioria das estações de TV seja potente a ponto de excitar com facilidade os circuitos dos televisores, se isso não ocorrer por estar a estação muito longe, por haver problemas de obstáculos ou mesmo por ser a estação fraca, podem ocorrer problemas com a qualidade da imagem.
O mais conhecido é o "chuvisco”, que ocorre quando ruídos naturais se sobrepõem ao sinal de vídeo e aparecem na imagem como traços claros e escuros, conforme mostra a figura 4.

Se um sinal chegar forte o suficiente para que os pulsos de ruídos fiquem abaixo do menor nível (branco) então eles não aparecem, conforme mostra a figura 5.

No entanto, se o sinal chegar fraco, conforme mostra a figura 6, os pulsos começam a se sobrepor ao sinal de vídeo propriamente dito e passam a ser interpretados como claros ou escuros conforme sua intensidade.

CABOS DE ÁUDIO E VÍDEO
Conforme estudamos na lição anterior, a finalidade de um sistema de antenas é captar o máximo de sinal da estação, de modo que estes sinais possam excitar convenientemente os circuitos dos televisores e assim proporcionar boa imagem. A conexão entre a antena e o televisor deve ser feita por meio de cabos especiais.
As antenas comuns são fabricadas de modo a apresentar uma impedância de 300 Ω, já que consistem basicamente em dipolos dobrados ou do tipo log-periódica, conforme mostrado na figura 7.

O tipo de cabo mais comum por muito tempo foi a linha paralela de 300 Ω, mostrada na figura 8.

No entanto, este tipo de linha tem como desvantagem o fato de ser sensível a interferências, que podem ser captadas no trajeto do sinal da antena até o televisor.
Melhor que este tipo de linha é o cabo de 75 Ω (coaxial) cuja a aparência é mostrada na figura 9.

A malha externa deste cabo atua como blindagem e sendo aterrada, impede que os sinais de interferência cheguem ao televisor.
No entanto, esta linha não é equilibrada, ou seja, um dos lados é aterrado, e além disso não tem a impedância nem de entrada de muitos televisores, nem de antena comuns. Nos casos em que a impedância da antena e do televisor são diferentes dos 75 Ω, quando usamos este cabo precisamos de um transformador casador conforme mostra a figura 10.

Na escolha de um cabo para uma instalação de antena a qualidade deve ser levada em conta. Cabos de má qualidade não conseguem manter constantes a sua impedância ao longo de seu comprimento e estas variações provocam tanto reflexões dos sinais como também perdas, ou seja, redução da intensidade.
As reflexões provocam o aparecimento de imagens fantasmas, do mesmo modo que as reflexões em obstáculos que estudamos na lição anterior e que agora pode ser analisada com mais conhecimento. Chegando defasado, um sinal refletido vai excitar os circuitos de modo que a informação que ele contém seja deslocada ao longo de uma linha, conforme mostra a figura 11.

Assim: dependendo do atraso e do número de reflexões, temos aparecimentos de imagens superpostas que ficam deslocadas ou uma ao lado da outra na tela.
Se o sinal refletido for suficientemente forte ele pode “entrar" também com seus pulsos de sincronismo, afetando então a reprodução da imagem de um modo mais grave. A imagem pode então ser totalmente entortada ou mesmo correr para baixo ou para cima, conforme mostra a figura 12. A atenuação do sinal, ou seja, a redução de intensidade tem como consequência o aparecimento de chuviscos, conforme já vimos.

Se o sinal tiver um percurso muito longo da antena ao receptor ou se tiver que servir a diversos receptores, então é preciso compensar isso com um amplificador (booster) junta à antena.
O booster deve ser ligado perto da antena, para amplificar os sinais enquanto eles ainda são fortes, pois se isso for feito depois, perto do televisor, juntamente com os sinais fracos também é amplificado o ruído que já começa a se sobrepor à imagem: obtemos então uma imagem com bastante contraste e também com chuvisco amplificado!
Na figura 13, mostramos como se faz a instalação do booster.

Observe que a próxima linha pela qual vem o sinal também serve para levar a alimentação até o aparelho junto a antena. Nas frequências mais altas é que os cabos de menor qualidade têm um efeito mais acentuado sobre a qualidade da recepção.
Perdas nas frequências mais atas de vídeo, por exemplo, causam perdas de detalhes na imagem que pode se tornar "borrada". Para os canais mais altos, 7 a 13, os cabos de menor qualidade podem afetar mais a recepção, pois as perdas são maiores e os problemas de reflexões também.
Em UHF os cabos são muito mais críticos. Para esta faixa é preciso usar cabos apropriados e de boa qualidade, pois qualquer defeito de fabricação pode significar uma atenuação ou reflexão de sinal. Para os sinais de vídeo composto que obtemos dos gravadores cassete e das câmaras, a utilização de cabos apropriados é importante. Enquanto para o áudio não temos frequências muito além de algumas dezenas de quilohertz (para as melhores respostas), para os sinais de vídeo as frequências chegam 4 MHz.
Nestes casos, qualquer deficiência de contato ou atenuação indevida no cabo traz problemas para a reprodução, pois afeta a propagação do sinal.
Diversos são os problemas que podem ocorrer. Se o sinal tiver uma atenuação maior nas aftas frequências, por exemplo, deformando o sinal de vídeo conforme mostra a figura 35, os detalhes menores da imagem podem desaparecer e com isso teremos uma imagem mais pobre e até borrada.
Nos sistemas em cores conforme veremos, é justamente o registro da cor vermelha que será afetado, com o aparecimento "borrado" dos contornos vermelhos ou até uma perda (desbotamento) dessa coloração.
Se houver uma atenuação excessiva em todas as frequências, o contraste pode desaparecer com uma imagem leitosa. É importante o uso de cabos apropriados, que tenham não só uma resposta apropriada para a faixa de vídeo, mas que mantenha sua impedância de acordo com as características do aparelho.
Embora os sinais de vídeo sejam fortes o suficiente para superarem problemas de interferências, os cabos devem ser blindados e devem ser usados conectores especiais.












