Este artigo é originalmente do livro Curso de TV e Vídeo que publicamos nos anos 80 visando os televisores analógicos e monitores de vídeo da época. O artigo tem interesse prático para os leitores que desejam reparar ou recuperar equipamentos antigos. Mais sobre o assunto pode ser obtido nesta seção e no livro disponível para download.
O princípio de funcionamento dos monitores de vídeo é exatamente o mesmo de um televisor comum para as etapas que estudamos nesta lição. Nestes, o sinal de vídeo é acompanhado do sinal de sincronismo que deve então ser separado pelas etapas de separação do monitor, de modo a se obter tanto a varredura vertical como horizontal.
No entanto, para os computadores, as coisas são um pouco diferentes, nenhum sinal que venha de fora do aparelho é empregado diretamente, para gerar a imagem. Desta forma, não existe a obrigatoriedade de se "amarrar" o sinal ao sincronismo, mas tão somente de mantê-lo numa frequência mais ou menos estável.
Os sinais de sincronismo tanto vertical como horizontal são gerados no próprio aparelho, na chamada "placa de vídeo" e simplesmente tem por função produzir a deflexão do feixe de elétrons nas direções horizontal e vertical, preenchendo a tela, mas sem o compromisso de se "amarrar" num sinal externo.
Assim, as frequências são geradas por meio de osciladores com cristais e o número de linhas vai depender do tipo do aparelho, podendo variar. O que ocorre no caso de um monitor de vídeo de computador (branco e preto) é que os caracteres são formados por uma matriz de 7 por 11, conforme mostra a figura 1.

O sinal de vídeo não tem as mesmas variações que ocorrem com um sinal de TV, onde temos muitos tons intermediários entre o branco e preto, o que nos leva ao processamento de um sinal digital.
Uma possibilidade de tubo (cinescópio) encontrada nos monitores, é o que usa tanto a frequência de 60Hz da varredura vertical dos televisores, como a varredura horizontal de 15 750 Hz o levando à disponibilidade de 262,5 linhas por quadro. No caso de um monitor com este tipo de sinal, temos a ocupação de 208 linhas das 262,5 geradas, as 54 remanescentes serão colocadas em branco para formar a margem superior e inferior do quadro.
Isso nos leva a obter a frequência de clock dada pelo produto 10 x 80 x 15,720, onde 10 é o número de pontos por caractere, 80 é o número de caracteres por linha horizontal e 15 720 a frequência de varredura horizontal.
Estas características são válidas para o processador de vídeo CRT8002 (não muito moderno, mas que serve de excelente exemplo de como as coisas funcionam). Desta forma, num monitor, o sinal de vídeo é gerado nas características indicadas e modulado pelo conteúdo de uma memória que determina o que deve aparecer na tela.
Outro processador de vídeo pode ter características diferentes, como o que tem por base o circuito integrado CRT5027. Este circuito tem uma varredura horizontal na frequência de 20 220 Hz e preenche a tela com 312 linhas. A frequência do oscilador de vídeo tomada com base de 9 pontos por caractere e 100 caracteres por linha é de 9 x 20 220 = 19,198 MHz.
É interessante observar que esta diferença de características dos sinais é que toma os televisores impróprios para serem usados como monitores de vídeo para computadores. Os monitores são especificamente desenvolvidos para apresentar uma modalidade de sinal diferente dos televisores comuns e com mais pormenores às vezes. Isto faz com que tenhamos tipos como os CGA, VGA, etc., com definições que chegam a ser muito melhores do que a dos televisores comuns, mas por outro lado são lentos, não podendo operar com imagens que mudam rapidamente.
Ocorre, entretanto, que com a evolução do denominado sistema Multimídia que une num equipamento único o computador, o televisor, o telefone, fax, videogames, gravadores de imagens (CD-ROM, laser, fitas), o monitor usado tem que possuir características que atendam a todos os tipos de sinais que devem ser processados.
Assim, num aparelho deste tipo será possível ver a pessoa com quem se fala num canto da tela do computador, ao mesmo tempo em que se datilografa um texto no outro canto e se obtém uma cópia em fax conforme sugere a figura 2. O monitor usado num caso como este deve ter definição para operar com os textos e velocidade para poder acompanhar as variações da imagem da pessoa (tempo real).

Os novos tipos de monitores, inclusive usando cristais líquidos, devem em breve estar disponíveis atendendo às necessidades desta nova aplicação.












