Os aparelhos de som domésticos e também os de automóveis são amplamente difundidos em todo o país e não raro apresentam problemas que exigem a presença de um técnico competente.

Obs. Este artigo é de uma publicação nossa de 1986, no entanto é ainda atual pelas técnicas que ensina. Trata-se de artigo de utilidade para quem deseja reparar ou recuperar equipamentos da época. Os artigos que seguem este e mesmo alguns anteriores fornecem técnicas da mesma época para reparação desses equipamentos.

E claro que existem defeitos que exigem também o uso de instrumentos próprios e técnicas especiais na localização, mas também existem os problemas que podem ser sanados com poucos recursos ou ate mesmo nenhum.

O técnico que dominar as técnicas de reparação de equipamentos de som, especificamente os amplificadores e demais equipamentos de som, pode ter nisso uma excelente fonte de renda.

Basicamente são os seguintes os equipamentos de som que o leitor poderá instalar e consertar:

- Aparelhos 3 em 1

- Toca-fitas de autos

- Gravadores cassete

- Equipamentos de conjuntos musicais

- Amplificadores

- Sintonizadores

- Tape-decks

Basicamente, a técnica de pesquisa de defeitos neste aparelho não apresenta muita diferença e os equipamentos de análise exigidos são os mesmos.

Também neste caso, damos como instrumento básico para as provas o multímetro e além dele o injetor de sinais ou gerador de áudio, e também o seguidor de sinais.

Se o leitor puder, deve também ter disponível em sua bancada um amplificador pequeno (de l a 10 watts) para fazer provas de transdutores ou mesmo retirar sinais de um equipamento em análise.

Outro recurso importante na bancada e uma fonte bem filtrada de 12 volts com capacidade de corrente de pelo menos 5 ampères para a prova de rádios e toca-fitas de carros.

Na figura 1 damos um circuito de fonte para a bancada que pode ser útil no trabalho de verificação de problemas em equipamentos para autos.

 


 

 

 

O transformador tem enrolamento de 12 V x 5 A e os diodos devem ser capazes de suportar 5 A.

O transistor 2N3055 deve ser montado num bom radiador de calor e o diodo zener é de 13 a 15 V com 400 mW de potência.

Para a filtragem, o capacitor eletrolítico deve ser de pelo menos 2 200 uF, ou 4 700 uF x 16V ou mais.

Veja que, quanto maior for o capacitor, menor será a possibilidade de ocorrerem roncos durante a prova de equipamentos de som.

 

 

Reparação de amplificadores

 

Amplificadores para automóveis são basicamente de dois tipos: com transistores e com circuitos integrados na saída.

Na figura 2 temos a diferença de configurações para os dois casos.

As faixas de potência podem variar entre 10 ou 15 watts até mais de 100 watts.

 


 

 

 

Com relação aos amplificadores potentes, acima de 50 watts, observamos que, em geral, as especificações dos fabricantes não costumam ser reais. Se um amplificador exige uma corrente de 10 A de seu carro com alimentação de 12 V, então seu consumo de potência é de 120 watts.

Como o rendimento destes aparelhos costuma ser bem inferior a 100% (não se pode criar energia) a potência real de um aparelho deste tipo certamente será inferior a 100 watts. Pelo consumo, podemos ter certeza da potência real fornecida por um amplificador.

Para o caso de amplificadores com circuitos integrados, na versão estéreo, temos dois canais independentes, conforme mostra a figura 3.

 


 

 

 

O procedimento para a prova consiste então em injetar sinais separadamente, primeiramente numa entrada e depois na outra, observando-se sua reprodução.

Se um canal não funcionar então nele concentraremos a nossa análise.

Se ambos os canais não funcionarem, começamos por verificar as tensões de alimentação. A ausência de tensão de alimentação pode indicar que o fusível principal está queimado.

Para analisar um canal, injetamos o sinal no controle de volume e verificamos se ocorre a reprodução normal do som no alto-falante. Se o som for distorcido ou baixo em relação ao outro canal, então verificamos se os componentes apresentam-se em ordem. Resistores com sinais de estarem queimados ou capacitores ruins podem indicar que alguma coisa aconteceu com o integrado. Neste caso, ele deve ser substituído por um de mesma marca e tipo.

A ligação do integrado é feita do seguinte modo:

Depois de retirar o integrado ruim, coloque o novo na mesma posição. Depois, com cuidado, fixe-o no radiador de calor observando que pode existir um isolador de plástico ou mica entre ambos. Se quiser melhorar a transferência de calor passe no integrado e no radiador um pouco de pasta térmica.(figura 4)

 


 

 

 

Outro problema que pode ser constatado com amplificadores e o “arranhar” dos potenciômetros de volume. Neste caso, eles devem ser limpos com bom solvente ou então trocados por outro de mesmo valor.

Para os amplificadores que usam transistores, a configuração mais comum é a mostrada na figura 5.

 


 

 

 

Nesta configuração são usados transistores complementares, ou seja, um PNP e um NPN, de potência montados em bons radiadores de calor, normalmente na parte posterior do aparelho.

Num caso de problema com este tipo de amplificador, um dos transistores ou os dois transistores podem queimar.

Se um dos transistores apenas queimar, o amplificador ainda funciona mas com volume reduzido e forte distorção. Já se os dois queimarem, o canal fica mudo.

Para análise, devemos também injetar o sinal na entrada do amplificador para verificar a reprodução.

A prova do transistor pode ser feita diretamente com o multímetro, medindo-se as resistências entre seus terminais, como mostra a figura 6.

 


 

 

 

Uma resistência anormalmente baixa ou anormalmente, alta num dos pontos pode indicar um transistor em curto ou um transistor aberto.

Outra medida importante é a da tensão na união dos emissores dos dois transistores de saída, conforme mostra a figura 7.

 


 

 

 

No ponto indicado devemos ter aproximadamente metade da tensão da fonte de alimentação. Num amplificador de carro, onde a alimentação é tipicamente de 12 V, a tensão no ponto indicado será de aproximadamente 6 V.

Uma tensão anormalmente baixa pode indicar que o transistor PNP está ruim, enquanto que uma tensão anormalmente alta pode indicar que é o NPN que está em mau estado.

Também devemos verificar os diodos reguladores e os resistores de emissor.

Os resistores podem queimar quando os dois transistores ou um dos transistores e o capacitor eletrolítico apresentarem problemas. Isso pode ser constatado visualmente.

A prova do capacitor é simples e pode ser feita com a ajuda do multímetro nas escalas apropriadas de resistências.

Temos finalmente o caso do transistor excitador (driver), que ao queimar altera a polarização dos transistores de saída levando-os a um comportamento anormal. Neste caso, entretanto, a injeção de sinal na entrada do amplificador não leva a saída alguma.

Finalmente, o técnico deve também pensar em provar componentes secundários de polarização e acoplamento tais como capacitores e resistores.

O melhor procedimento para análise é a medida de tensões nos pontos principais do circuito.

Entretanto, para isso, será preciso conhecer as tensões que são encontradas em todos os pontos.

O investimento na compra de um manual que possua o diagrama dos principais aparelhos que se repara será amplamente compensado pela facilidade em encontrar o defeito e pela segurança.

Todo técnico deve possuir manuais de esquemas dos principais aparelhos com que trabalha.

É claro que não será possível comprar todos os manuais de aparelhos de uma vez só. Por isso, o ideal é pedir o manual correspondente tão logo o aparelho seja levado a oficina, dando assim tempo para sua chegada pelo correio, ou buscar nas livrarias de grandes cidades próximas.

Os mesmos procedimentos são válidos em todos os tipos de amplificadores de áudio cujas potências estejam na faixa de l a 200 watts, pois em princípio, todos funcionam do mesmo modo.

 

 

 

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