Em determinadas condições, quando componentes associados ao cinescópio ou mesmo campos magnéticos intensos atuam sobre o monitor, problemas na pureza das cores por magnetização podem ocorrer. Como proceder neste caso e como desmagnetizar um cinescópio é o que veremos neste artigo.
Nota: este artigo é de 1999 quando eram ainda usados os cinescópios em monitores e televisores. O artigo vale como referência para quem deseja reparar ou recuperar um equipamento da época.
Os mesmos problemas que aparecem nos televisores em cores podem afetar também os cinescópios dos monitores de vídeo, isso porque seus princípios de funcionamento são os mesmos.
Um problema que pode aparecer nos monitores de vídeo é o relacionado com a pureza das cores onde manchas na ausência de imagens ou mesmo distorções geométricas podem aparecer. Quando notarmos este tipo de problema, conforme mostra a figura 1, isso pode ser devido a magnetização.
O feixe de elétrons que incide na tela do cinescópio de um monitor de vídeo pode ser facilmente desviado por campos magnéticos, afetando assim o seu ponto de incidência e causando os problemas indicados. Se partes do cinescópio ou do monitor forem magnetizadas, a alteração da orientação do feixe pode ser permanente causando os inconvenientes citados.
Diversas são as causas da magnetização de um cinescópio, tais como:
a) Quando o monitor for transportado de um local para outro ou simplesmente movimentado pode haver a influência de campos externos que acabam por magnetizar seu cinescópio.
b) Descargas elétricas próximas durante tempestades produzem fortes pulsos eletromagnéticos (EMP), capazes de magnetizar cinescópios. Os pulsos produzidos por uma descarga muito forte têm os mesmos efeitos dos pulsos eletromagnéticos que são gerados por uma explosão nuclear.
c) Pequenos imãs permanentes como aqueles usados nos porta-clipes ou mesmo imãs de geladeiras, movimentados nas proximidades de um monitor podem ser responsáveis por problemas de magnetização, veja a figura 2.
Um simples porta-clipes deixado junto a um monitor pode causar uma alteração permanente da pureza das cores. Alto-falantes pesados (de potência) como encontrados em caixas de som multimídia, se muito próximos dos monitores podem ser causa de problemas.
d) Cabos de energia ou de sinal que sejam percorridos por correntes altas e que passem muito próximos dos monitores de vídeo podem gerar campos magnéticos intensos capazes de causar problemas.
COMO PROCEDER
Os aparelhos que utilizam cinescópios (tubos de raios catódicos), tais como os televisores e monitores de vídeo, possuem circuitos desmagnetizadores internos que podem ser acionados quando o problema é detectado.
Quando ligamos um monitor ou televisor, o circuito de desmagnetização atua por alguns instantes. Se o problema for grave, este tempo é insuficiente para haver alguma correção, e ele persiste.
Assim, num caso como este, pode-se tentar ligar e desligar o monitor seguidamente por ciclos de aproximadamente 1 minuto ligado, 20 a 30 minutos desligado, diversas vezes.
Este intervalo de tempo longo entre desligar e ligar novamente deve-se ao fato de que o circuito de desmagnetização existente nos monitores utiliza um PTC que reduz drasticamente a corrente uma fração de segundo após o aparelho ser ligado, isso pelo seu próprio aquecimento.
Na figura 3 temos o circuito típico de desmagnetização de um monitor de vídeo comum. Assim, ele só pode entrar em ação num segundo ciclo de desmagnetização depois de esfriar completamente, daí a necessidade de se esperar o tempo indicado. Se isso ainda não resolver o problema de pureza da imagem, pode-se utilizar uma bobina desmagnetizadora comercial.
Estas bobinas são formadas por algumas centenas de espiras de tio esmaltado numa forma de 15 a 30 cm de diâmetro, de modo que ela possa ser aproximada do cinescópio com problemas.
A bobina é alimentada pela rede de energia e tem um interruptor para seu acionamento. A utilização da bobina exige alguns cuidados. Devemos movimentá-la vagarosamente diante da tela do monitor ao mesmo tempo que a mantemos acionada. Não devemos, de forma alguma movimentá-la muito rápido, pois isso pode ter efeito inverso ao esperado: aumentar a magnetização em lugar de diminuir.
Para desligar a bobina, a afastamos devagar até uns 2 metros da tela do cinescópio com problemas, e só então a desligamos. O movimento lento é importante, pois como a bobina é alimentada pela rede de energia, se a desligarmos num pico de corrente ou ainda mudarmos de posição muito rapidamente, "congelamos" o efeito provocando magnetização em lugar de desmagnetização.
Na falta de uma bobina desmagnetizadora, qualquer dispositivo que produza um campo magnético alternado intenso pode ser usado com a mesma finalidade, lar como apagadores de filas, transformadores com o núcleo aberto, solenoides, etc. No entanto, como os campos de tais dispositivos podem ser restritos a áreas menores, o tempo de desmagnetização pode ser maior.
EFEITOS COLATERAIS
Boa parte das informações que você usa no seu computador está na forma magnética no disco rígido e nos disquetes. Isso significa que, usando desmagnetizadores tome cuidado para não afetar estes meios.
Se bem que nunca tenhamos ouvido falar de que alguém tenha "apagado" a winchester ao desmagnetizar um monitor, não custa tomar cuidado. Não aproxime a bobina desmagnetizadora muito da unidade de sistema ou de disquetes quando estiver trabalhando.
E para evitar que o problema da magnetização volte, não deixe qualquer tipo de imã permanente nas proximidades do seu monitor. Instale os alto-falantes do sistema multimídia pelo menos a meio metro do monitor para evitar a influência do campo magnético de seus imãs permanentes.
MONTANDO UMA BOBINA DESMAGNETIZADORA
Para um efeito de desmagnetização razoável recomenda-se uma bobina capaz de produzir um campo magnético de pelo menos 100 amperes voltas.
Na figura 4 temos uma bobina desmagnetizadora que pode ser montada pelo leitor na falta de uma comercial. Esta bobina é enrolada numa forma de 30 cm de diâmetro com 2 cm de altura aproximadamente, e foi projetada para funcionar na rede de 220 V.
Nesta forma vão ser enroladas 800 voltas de fio esmaltado de 0,7 mm de diâmetro. O fio deve ser enrolado cuidadosamente de modo que o conjunto tenha uma seção aproximada de 30 x 20 mm. Uma vez que o carretel esteja enrolado, podemos blindá-lo melhor usando fita adesiva que será enrolada de modo a formar um toroide. Esta bobina será alimentada por um cabo de 2 a 3 metros de comprimento, que será ligado à rede de energia.
Quando em funcionamento, a corrente drenada pela bobina será de 1,5 a 2 ampères. A resistência ôhmica será da ordem de 35 a 40 Ω e a indutância de aproximadamente 0,4 H.
Para a rede de 110 volts devemos enrolar na mesma forma 450 espiras de fio de 0,8 mm de diâmetro. Existe uma alternativa interessante que consiste em enrolar 150 espiras de fio de 0.8 mm, que será alimentada por um transformador de 12 V x 5 A.
Para usar o desmagnetizador, passe-o diante da tela do cinescópio vagarosamente durante alguns minutos, num movimento constante, como se fosse feita uma "limpeza" e ele fosse uma esponja. O monitor deve estar ligado. Observe os eleitos do campo magnético produzido pela bobina desmagnetizadora.
Este movimento deve ser feito com o desmagnetizador a alguns centímetros da superfície da tela do cinescópio. Ao terminar de usar o desmagnetizador afaste-o lentamente até uma distância de uns 2 metros da tela e depois desligue sua alimentação.
VIDA ÚTIL DE UM CINESCÓPIO DE MONITOR
Corno no caso dos televisores, os monitores de vídeo têm um desgaste progressivo e um dos pontos críticos é justamente o cinescópio. Com o tempo a emissão eletrônica fica reduzida e o próprio fósforo que recobre a tela tem sua capacidade de produção de luz diminuída.
Costuma-se indicar a vida útil de um cinescópio pelo tempo médio entre os quais ocorrem as falhas: MTBF (Mear Time Refere Failure). Para um monitor de vídeo os tempos médios de vida indicados pelos fabricantes para os cinescópios são de 30 000 a 60 000 horas.
Na prática, um monitor pode funcionar sem problemas entre 10 000 e 15 000 horas antes de seu cinescópio ter seu brilho reduzido para aproximadamente metade do original. Para que o leitor tenha uma ideia do que significa isso, trabalhando 8 horas por dia teremos uma média de 3000 horas por ano, o que representa uma durabilidade da ordem de 3 a 5 anos, tipicamente.
O que se faz quando o brilho do cinescópio é reduzido pelo tempo de uso é compensar isso pelos ajustes. se bem que haja um limite. Nos televisores é comum o uso dos "recondicionadores de cinescópios", que são muito usados pelos técnicos que trabalham com televisores "cansados". Para os cinescópios de monitores de vídeo, se bem que em princípio os recondicionadores possam funcionar, prolongando por algum tempo sua vida
















