O TRIAC é um outro importante dispositivo da família dos tiristores.
Conforme sabemos, a principal limitação dos SCRs está no fato de serem unidirecionais.
Os TRIACs são bidirecionais podendo conduzir a corrente nos dois sentidos quando disparados.
Um TRIAC pode ser comparado a dois SCRs ligados em oposição. Na figura 1 temos a estrutura equivalente a este componente e o circuito equivalente.
Os terminais MT1 e MT2 são chamados de "Main terminal 1 e Main terminal 2" ou terminal principal 1 e terminal principal 2.
Podemos encontrar os TRIACs no controle de potência de motores, brilho de lâmpadas (dimmers), acionamento de solenóides e sistema de aquecimento, da mesma forma que os SCRs. Na figura 2 mostramos um circuito básico de aplicação do TRIAC.

A carga a ser controlada (motor, lâmpada, etc.) é ligada ao MT1 enquanto que o MT2 vai à rede de energia.
Os sinais aplicados ao terminal de controle (gate) determinam o disparo do TRIAC de modo que ele conduza a corrente que alimenta a carga.
Levando em conta que o TRIAC está num circuito de corrente alternada, o disparo pode ocorrer de diversas formas tanto em relação à polaridade da tensão naquele instante quanto à polaridade da tensão de disparo.
Isso significa que o TRIAC pode operar num dos 4 modos indicados a seguir:
• Modo I+: MT2 positivo e corrente de comporta positiva
• Modo I- : MT2 positivo e corrente de comporta negativa
• Modo III+ : MT2 negativo e corrente de gate positiva
• Modo III- : MT2 negativo e corrente de gate negativa
As sensibilidades ao disparo nos modos I+ e III- são maiores.
Os TRIACS comuns precisam de apenas alguns miliampères de corrente para disparar controlando correntes que podem chegar a centenas de ampères.
O invólucro é o mesmo usado pela maioria dos SCRs e são dotados de recursos para montagem em dissipadores de calor. A identificação dos terminais deve ser feita com base em informações fornecidas pelo fabricante.
Os TRIACs são identificados por um código de fábrica e em sua função devem ser obtidas as características elétricas principais que são:
a) Tensão máxima entre MT1 e MT2
É a tensão máxima que pode ser aplicada ao TRIAC quando ele está desligado. Esta tensão pode variar entre 50 V e 1000 V para os tipos comuns. Em alguns tipos ela abreviada como Vrrm ou Vdrm.
b) Corrente máxima
É a maior corrente que o TRIAC pode conduzir quando disparado e tanto pode ser dada em valores contínuos como rms. Tipos com correntes de até mais de 50 A podem ser encontrados em algumas aplicações.
c) Dissipação
É a potência máxima que o TRIAC pode dissipar numa determinada aplicação, sendo especificada em watts (W).
d) Corrente de manutenção
É a menor corrente que o TRIAC pode conduzir sem desligar. Esta corrente é indicada também como (IH).
e) Corrente de disparo
É a corrente necessária ao disparo do TRIAC e pode variar entre 10 mA e 500 mA para os tipos comuns conforme sua corrente máxima controlada.
Os triacs são encontrados em muitos equipamentos ligados à rede de energia e até embutidos na rede de energia tais como dimmers e controles de ventilação.
Na figura 3 temos um típico controle de potência (dimmer) usando um TRIAC. O componente chamado Diac que faz o disparo do TRIAC pode ser encontrado em outro verbete deste almanaque.
Este circuito funciona exatamente como o controle que usa um SCR com a diferença que ele pode controlar tanto os semiciclos positivos como negativos da tensão da rede.
Triacs, principalmente da série TIC, para correntes até uns 16 ampères podem ser obtidos com facilidade na maioria dos fornecedores de componentes eletrônicos.
Do livro “Curso de Eletrônica – Eletrônica de Potência” de Newton C. Braga
Ver também:
• Semicondutores (175)
• Tiristores (149)
• SCR (337)
• Controle de Potência (312)
• Diac (342)
• Quadrac (340)














