O transistor unijunção, abreviado por UJT (Unijunction Transistor) ou TUJ, é um dispositivo de três terminais, mas com uma estrutura completamente diferente dos transistores comuns.
O transistor unijunção possui uma características de resistência negativa.
Esta característica torna o transistor unijunção um componente com aplicações apropriadas para formar osciladores de baixa freqüência, timers, geradores de sinais dente-de-serra, etc.
Na figura 1 mostramos a estrutura de um transistor unijunção.
Conforme podemos ver existe apenas uma junção entre dois pedaços de materiais P e N.
No material P são ligados, nas extremidades opostas, os dois terminais que correspondem à base 1 e base 2 (B1 e B2).
Para entender o funcionamento do circuito podemos partir do circuito mostrado na figura 2.
O material N colocado no meio da barra de material P funciona como um divisor de tensão fazendo aparecer uma certa tensão no emissor do transistor.
Ao ligar o circuito, o capacitor ligado entre a fonte e o terminal de emissor tem sua tensão se elevando até o ponto em que alcança a tensão de emissor mais 0,6 V.
Quando isso acontece, o transistor unijunção comuta e a resistência entre o emissor e a base 1 vai abruptamente fazendo com que o capacitor se descarregue através dela.
Um pulso de alta corrente é então produzido.
Tão logo a carga do capacitor se reduza, e a tensão caia para um valor apropriado, o transistor desliga e o circuito volta ao estado de não condução.
O processo de carga do capacitor começa novamente e um novo ciclo de oscilação é produzido.
Podemos dizer que este componente é o equivalente de estado sólido da lâmpada neon. Com os osciladores com unijunção podemos produzir sinais de fração de hertz até algumas centenas de quilohertz.
Símbolo e Aspecto
Na figura 1 mostramos o símbolo usado para representar o transistor unijunção e o aspecto do tipo mais popular que é o 2N2646 é mostrado na figura 3.
Como em outros tipos de transistores, o mais comum é que os transistores unijunção sejam especificados por um código de fábrica.
Através do manual podemos obter as características principais que são:
a) Tensão entre bases (Vbb) - é a máxima tensão que pode ser aplicada entre as bases. Para o 2N2646 esta tensão é de 35 V.
b) Tensão entre emissor e base 1(Vb1e) - é a máxima tensão que pode ser aplicada entre estes dois eletrodos. Para o 2N2646 é 30 V.
c) Relação intrínseca (η) - a posição da junção de emissor determina o modo como a tensão entre as bases vai ser dividida. Este valor é usado para calcular o ponto de disparo com tensões determinadas. Para o 2N2646, este calor varia entre 0,56 e 0,75.
d) Resistência entre bases (Rbb) - é a resistência ohmica que encontramos entre as bases. Os valores típicos para o 2N2646 estão entre 4,7 e 9,1 k oms.
e) Corrente de pico de emissor (Ie) - é a máxima corrente que pode circular entre o emissor e a base 1 quando o transistor é disparado.
O transistor unijunção não é um componente moderno, tendo aparecido no mercado em torno de 1960.
Hoje existem muitos circuitos integrados que fazem a mesma função e de forma mais completa e até mesmo outros dispositivos equivalentes como os SIDACs.
Assim, os transistores unijunção podem ser encontrados mais em equipamentos antigos e não são muitos os projetos modernos que exigem esse componente.
Usando um multímetro podemos fazer dois testes básicos para verificar o estado de um transistor unijunção:
a) A resistência entre as duas bases em qualquer sentido deve estar entre 4 e 12 k ohms tipicamente.
b) Colocando as pontas de prova entre o emissor e a Base 1 devemos ter uma alta resistência num sentido e uma baixa resistência no sentido oposto (indicando o estado da junção PN).
No entanto, o melhor meio de se testar um transistor deste tipo é com um simples circuito de prova que é mostrado na figura 4.

Se o transistor estiver bom o LED vai piscar.
Talvez o único transistor unijunção que ainda possa ser obtido no mercado especializado com alguma facilidade seja o 2N2646.
Felizmente ele serve para a maioria dos projetos comuns.
Outros tipos já são mais raros e sua obtenção precisa depende de consulta prévia aos fornecedores.
Dos livros “Curso de Eletrônica – Eletrônica Básica” e “Como Fazer Montagens” de Newton C. Braga
Ver também:
• Transistores bipolares (49)
• Junções (64)
• Oscilador de relaxação (138)
• Circuito RC (495)
• Resistência negativa (137)














