Pela fidelidade com que amplifica sinais de áudio e pela potência que pode fornecer, além da não necessidade de transformadores de saída, este tipo de configuração é a uma das mais usada nos amplificadores analógicos de som com potências que vão de alguns miliwatts até centenas de watts.

 

Conforme podemos ver, pelo circuito básico da figura 1 são usados dois transistores, um PNP e NPN ligados de tal forma que são excitados por um único transistor, que no exemplo é NPN.

 


 

 

 

Podemos fazer a mesma excitação ligando um transistor PNP, conforme mostra a figura 2.

 


 

 

 

Neste circuito o transistor excitador (driver) é polarizado de modo a manter no seu coletor uma corrente da ordem de metade da tensão de alimentação do circuito, ou seja, em classe A, para poder amplificar os dois semiciclos do sinal de entrada.

 

Esta polarização é assegurada pela ligação do resistor de sua base nos emissores dos transistores de saída.

 

Desta forma, variações de sua polarização que causem um deslocamento da polarização provocam uma variação da tensão do ponto em que está ligado o resistor, compensando o efeito.

 

O coletor do transistor excitador é ligado diretamente à base de um dos transistores à base do outro, através de dois diodos (em alguns circuitos utiliza-se em lugar dos diodos um resistor e um diodo, ou então um único resistor ou um termistor NTC).

 

Os diodos tem por função proporcionar uma queda de tensão no circuito equivalente à dada pelas duas junções emissor-base dos transistores de saída.

 

Além disso, por serem do mesmo material que os transistores (silício), os diodos acompanham as variações de características que ocorrem com esses transistores em função da temperatura.

 

Sem sinal de entrada, os dois transistores de saída permanecem próximos ao corte, e a tensão entre seus emissores é aproximadamente metade da tensão de alimentação.

 

Esta tensão carrega o capacitor em série com o alto-falante. Na aplicação de um semiciclo de sinal negativo no transistor de entrada ele vai próximo ao corte, acompanhando este sinal, o que faz com que a tensão de seu coletor se eleve, tendendo a polarizar o transistor de saída NPN no sentido de conduzir e o PNP no sentido de permanecer no corte.

 

Nestas condições, flui uma corrente pelo transistor NPN que corresponde ao semiciclo amplificado, carregando o capacitor através do alto-falante, que então reproduz este sinal.

 

Veja o sentido de circulação desta corrente na figura 3.

 


 

 

 

Quando aplicamos o semiciclo positivo do sinal à entrada, o transistor NPN conduz e coloca em curto o capacitor que está em série com o alto-falante.

 

Nestas condições, ocorre sua descarga com uma forte corrente que corresponde em forma de onda e frequência do sinal aplicado na entrada, e isso provoca a reprodução no alto-falante. Na figura 4, temos as formas de onda e a corrente neste aparelho.

 


 

 

 

Na verdade, este circuito que descrevemos inicialmente tem uma simetria “quase-complementar”, pois os transistores trabalham apenas com um semiciclo.

 

O outro corresponde a uma descarga do capacitor que armazena energia. Uma configuração mais elaborada é mostrada na figura 16 e não usa o capacitor de modo que realmente os transistores amplificam os dois semiciclos do sinal.

 

Este circuito é denominado de simetria complementar total, e também é muito usado em equipamentos comerciais principalmente de custo mais elevado e de alta potência, onde um capacitor eletrolítico seria um componente volumoso e caro quando usado na saída.

 

Do Curso de Eletrônica – Eletrônica Analógica – Vol 2 de Newton C. Braga

 

 

Ver também:

• Impedância (226)

• Espectro audível (501)

• Potência (290)

Amplificadores de áudio (368

 

NO YOUTUBE